Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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CADERNO DA CIDADANIA >

Salvem a imprensa

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 11/08/2009 na edição 550

Falem o que quiserem da imprensa; mostrem todos os seus pecados; denunciem todos os jornalistas que não honram a sua nobilíssima profissão, mas não se esqueçam de defender também a liberdade de imprensa e de expressão, pois uma coisa é o instituto e a outra são as pessoas que o compõem. Sem imprensa livre, mesmo capenga, não há saída para se manifestar e mostrar à população as contradições dos governos, daí ser imperiosa a defesa intransigente e inegociável da liberdade de expressão no seu sentido mais amplo.

Não queiram saber como viviam e vivem os oprimidos pelos regimes totalitários que criminalizaram a liberdade de expressão e qualquer fato que julgassem ‘atentador’ ao governo totalitário poderia e pode custar à liberdade do individuo. O totalitário apropria-se de imediato após a sublevação – revolução ou golpe de Estado – dos meios de comunicação de massas, ai desenvolve a ‘propaganda’ que legitimará o seu governo ilegítimo. Foi assim no comunismo de Stalin, no nazismo de Hitler, no fascismo de Mussolini, no regime de Vichy, na França, em 1940-44, e aqui no Brasil no período da ditadura militar, e outros tantos exemplos que não caberiam aqui.

Com a imprensa livre o governante totalitário inviabiliza o seu regime de governo, pois sem a manipulação das noticias e das massas e a censura, ele pouco ou nada fará. De 27 a.C até a eclosão da Revolução Francesa, em 1798, período em que fomos governados por reis e monarcas, a liberdade de expressão não passou de sonho recalcado da humanidade. O poder imperial foi propagado num mantra ao povão que era obra ‘divina’ e que os súditos tinham obrigatoriamente de obedecer às leis e ordens dos soberanos, daí ter saído à trilogia depois de consumada a Revolução Francesa: Liberdade, igualdade e fraternidade.

Um apelo a articulistas e leitores

Observem que na China pouco se sabe daquele regime totalitário e a pena de morte é aplicada sem que se saiba dos julgamentos e da quantidade de sacrificados. Na Rússia, mesmo após o stalinismo, não se sabe de quase nada por lá e a imprensa russa é apenas também uma ficção. Recentemente vimos à aberração que foi a eleição no Irã, a imprensa foi a primeira a ser castrada e proibida de informar ao mundo as manifestações contra a indigitada corrupção eleitoral iraniana.

No Tibete, território controlado pela China, chega-se a monitorar e levar ao crivo da censura todas as noticias produzidas naquele paraíso afásico.

Deve se louvar e enaltecer iniciativas como a do Observatório da Imprensa, mas faço apelo aos preclaros articulistas e leitores que defendam a liberdade de imprensa e de expressão no seu sentido mais amplo.

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Advogado e psicanalista, Fortaleza, CE

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