Sexta-feira, 20 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº983
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CADERNO DA CIDADANIA > TREM DA ALEGRIA

Secom prepara nomeações sem concurso

Por Antonio Carlos Teixeira em 01/04/2008 na edição 479

O alerta dos partidos de oposição no Congresso Nacional, feito durante a apreciação da medida provisória que instituiu a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), quem diria, está prestes a ser confirmado pelo Palácio do Planalto. Na ocasião, deputados e senadores manifestaram, nos plenários de ambas as Casas, preocupação de que, junto com a nova estrutura, pudesse estar a caminho a criação de mais cargos comissionados.

À base de muito fermento, cresce no forno da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) edital que prevê a contratação, sem concurso público, de jornalistas e relações públicas. Mas não se sabe, ao certo, onde vão atuar os novos contratados: se na própria Secom, na EBC ou em outros órgãos do Executivo.

O salário médio oferecido, atualmente, aos profissionais nomeados livremente varia de 6,5 mil reais a 10 mil reais. Enquanto isso, o contracheque dos servidores que enfrentaram concurso público alcança, no máximo, 2,5 mil reais.

Coincidência ou não, essa proposta do ministro-chefe da Secom, Franklin Martins, pode estar surgindo no exato momento em que os técnicos em Comunicação Social do governo federal (jornalistas, relações públicas, publicitários e radialistas, entre outros) se mobilizam no Congresso a fim de obter apoio dos parlamentares para desengavetar anteprojeto de reestruturação da carreira, proposto em 2005 pelo então ministro da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken.

Caminho muito conhecido

Atualmente, a maioria dos cargos nas assessorias de imprensa da Esplanada dos Ministérios é ocupada por profissionais de livre nomeação. E o revezamento nessa área é intenso: quando o ministro deixa o cargo, a equipe de comunicação também é desfeita. Não custa repetir que ministros e assessores são temporários. Os órgãos, não.

A proposta de Franklin Martins, se levada adiante, infelizmente tem tudo para ressuscitar prática administrativa de compadrio que, anos atrás, tomava conta de muitos ministérios: a contratação de empresas para prestar serviços ‘especializados’ em comunicação.

Na época, alguns contratos beneficiavam empresas ligadas a jornalistas com ‘bom trânsito’ no governo. Só num órgão secundário do Executivo – acredite, caro observador – havia cerca de 20 jornalistas terceirizados. Sabe-se que cada profissional contratado por meio de empresas de comunicação chega a custar aos cofres públicos até cinco vezes mais que um concursado.

Após um ano cuidando única e exclusivamente da TV Pública, Franklin Martins começou, finalmente, a focar outros projetos. E parece trilhar caminho muito conhecido nos bastidores, que é o de privilegiar empresas, em prejuízo de uma política de comunicação profissional ‘para sempre’. Definitivamente, não é esse o ministro cuja nomeação gerou grande expectativa – não apenas junto à mídia, como também entre os servidores da área do Executivo.

Mudanças de comando

Como gosto de futebol, comparo a eterna política de comunicação do Palácio do Planalto (desse e de governos passados) ao doloroso processo de reestruturação pelo qual passam equipes comandadas pelo treinador Vanderlei Luxemburgo, hoje no Palmeiras. Ao chegar num clube, o técnico monta estrutura que entende ser necessária para alcançar seus objetivos, o de ser campeão. Os problemas, entretanto, surgem quando Luxemburgo se demite ou é demitido, deixando para trás ‘terra arrasada’, pelo fato de levar consigo todos os profissionais com os quais trabalhava.

Conclui-se que, a exemplo do que ocorre num time de futebol, os ministros vão e vêm numa velocidade incrível, levando em sua companhia os assessores de imprensa. Ministérios e seus órgãos, por sua vez, ficam para cumprir sua missão institucional. E esse ciclo tem-se repetido na Esplanada dos Ministérios, sem que a Secom se dê conta do grave problema que se cria à área de comunicação a partir dessas mudanças de comando.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/04/2008 cid elias

    Quem é Antonio Carlos teixeira? Jornalista? De onde? Achei um artigo escrito em outubro de 2007 pelo famoso jornalista, onde ele já demonstrava ter ‘mágoa’ de algum dos envolvidos na TV pública, observem: …Li com muita atenção a maioria dos artigos publicados neste Observatório da Imprensa sobre a TV Pública, especialmente os do mestre Alberto Dines. Os que li, infelizmente, não trataram da questão sobre como será escolhido o quadro funcional: se por nomeações políticas ou concursos públicos. Não se trata de questiúncula. Pode ser que outros textos façam menção ao assunto, mas não tive oportunidade de lê-los.
    A única coisa certa até agora é que a panelinha do ministro da Comunicação, Franklin Martins, está formada. A tiracolo, o ex-comentarista das TVs Globo e Bandeirantes levou vários coleguinhas com os quais trabalhou…’ Panelinhas e coleguinhas, uni-vos contra a TV Pública, né antonio?

  2. Comentou em 01/04/2008 fernanda lage

    trabalhei em dois órgãos do executivo federal, na lama de Brasilia, e enfrentei todas as questões que o colega coloca, que inclusive dariam uma boa ação judicial de assédio moral no trabalho, em razão da discriminação e das humilhações diárias que eu sofria por ter entrado nesses orgaos pelas portas dos fundos, ou seja, CONCURSO PÚBLICO. hj eu fui atras de coisa melhor, mas é triste ver como essa situação se perpetua sem que a sociedade e a imprensa possam discutí-la

  3. Comentou em 01/04/2008 fernanda lage

    trabalhei em dois órgãos do executivo federal, na lama de Brasilia, e enfrentei todas as questões que o colega coloca, que inclusive dariam uma boa ação judicial de assédio moral no trabalho, em razão da discriminação e das humilhações diárias que eu sofria por ter entrado nesses orgaos pelas portas dos fundos, ou seja, CONCURSO PÚBLICO. hj eu fui atras de coisa melhor, mas é triste ver como essa situação se perpetua sem que a sociedade e a imprensa possam discutí-la

  4. Comentou em 01/04/2008 Célio Oliveira

    meu ilustre jornalista, temos q ir nos acostumando c/ essa prática. sou economista de um grande ministério do lula, com mestrado e doutorado, e o q mais tem na minha seção sao economistas nomeados. funcionarios com cargos em comissao tomaram de assalto o governo federal, infelizmente. e nosso salario continua vergonhoso. hoje em dia é melhor ter padrinho político do que disputar vagas em concurso público para o executivo.

  5. Comentou em 08/01/2008 Deo Filho

    Parabens pela excelente materia!!!Ja estava na hora mesmo de levantar o tape e varrer a sujeira.

  6. Comentou em 08/01/2008 Deo Filho

    Parabens pela excelente materia!!!Ja estava na hora mesmo de levantar o tape e varrer a sujeira.

  7. Comentou em 23/03/2007 yasmin lua

    site sobre esse acontecimento muito inporate sobre uma menina de 14 anos foi estrupada e cortada em pedaço e atiraçao na cabeça dela 4 homems paro acidade inportante essa denucia urgente acha os maldito o site fla sobre isso acidade de al arhttp://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=25669apiraca paro

  8. Comentou em 23/03/2007 yasmin lua

    site sobre esse acontecimento muito inporate sobre uma menina de 14 anos foi estrupada e cortada em pedaço e atiraçao na cabeça dela 4 homems paro acidade inportante essa denucia urgente acha os maldito o site fla sobre isso acidade de al arhttp://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=25669apiraca paro

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