Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CADERNO DA CIDADANIA > MANIFESTAÇÕES DE RUA

Sexta-feira, 13 de março de 2015

Por Luciano Martins Costa em 13/03/2015 na edição 841

Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 13/3/2015

Nesta data, movem-se na Avenida Paulista, em São Paulo, no Rio e em outras cidades, parcelas significativas do diversificado ativismo político que se forma à sombra da crise institucional criada a insuflada pela imprensa. Curiosamente, observa-se nos jornais o pipocar de manifestações pelo desarmamento dos espíritos e alguns apelos em defesa dos valores da democracia. O contexto lembra aquelas situações no pátio do recreio, quando os alunos mais velhos provocam brigas de meninos e depois se veem obrigados a apartar os contendores.

Os eventos desta data são apresentados, pela mídia, como um “esquenta” para o protesto contra a presidente da República, marcado para o domingo (15/3). Como se sabe, esse é o divisor de águas no processo em que a oposição busca conquistar com o barulho das ruas o poder que não obteve pelo voto.

Aparentemente, o único dos grandes diários que ainda deposita algumas fichas na aventura do impeachment é a Folha de S.Paulo, cujo braço digital, o UOL, atua abertamente no estímulo ao protesto, incentivando os participantes a registrar imagens do evento.

Como sabem muito bem os editores do jornal paulista, essa iniciativa pode fazer uma enorme diferença, dando ao protagonista anônimo a chance de se destacar na multidão e ver referendada sua opinião por uma instituição da imprensa. O registro, por um portal de jornalismo, de fotos e vídeos produzidos pelos manifestantes, é uma apropriação da iniciativa dos “mídia ninja” e funciona como um reconhecimento da validade moral de delírios golpistas.

A Folha provavelmente está de olho na oportunidade de se apresentar como o “jornal do impeachment”: vai que funciona, e em seguida seu departamento de assinaturas pode sair para a colheita.

O Globo oferece em editorial uma reflexão pela defesa das instituições, apontando que “não há espaço mais no Brasil para surtos de autoritarismo, não importa de onde venham”. Curiosamente, na série de reportagens sobre o escândalo chamado de SwissLeaks, iniciada quinta-feira (12/3) pelo jornal carioca, revela-se que uma das agitadoras dos protestos contra a presidente da República é beneficiária de uma das contas suspeitas no HSBC da Suíça, suspeita de ser alimentada pelas fraudes no metrô de São Paulo.

A sombra da violência

Empresários e economistas têm manifestado preocupação com o risco de que a crise política venha a contaminar a economia, num momento em que o governo admite mudanças em seu programa e uma série de medidas essenciais à superação das dificuldades entra em discussão no Congresso. Paralelamente, as negociações com o Parlamento se encaminham para uma circunstância em que os interesses do país podem ser objeto de chantagem por parte de dirigentes do Congresso ameaçados pelo inquérito que apura a corrupção na Petrobras.

O Estado de S. Paulo, que leva em seu caderno de “Economia&Negócios” o segundo maior contingente de leitores entre empresários, executivos e investidores, logo após o especializado Valor Econômico, tem apresentado nos últimos meses um conteúdo mais equilibrado, o que dá ao leitor a sensação de que o jornal criou uma espécie de muro interno, protegendo o noticiário econômico do ambiente contaminado das tramas políticas.

Esta sexta-feira, 13, transcorre ainda à sombra de possíveis confrontos. Algumas potenciais fontes de violência estarão soltas nas ruas: de um lado, os bate-paus da Força Sindical, comandada diretamente pelo deputado Paulo Pereira da Silva (Solidariedade/SP), e os ativistas do movimento intitulado Revoltados Online, que já foram associados aos “black bloc”; do outro, os militantes da CUT e os aguerridos participantes do MST.

A Polícia Militar tentava, ao longo do dia, fazer valer um acordo para evitar que as massas se choquem. Enquanto isso, a Presidência da República repete o discurso sobre a legitimidade da divergência.

Embora a posição da chefe do Executivo pareça cândida demais diante da irresponsabilidade da oposição, acolhida e estimulada pelos principais veículos da mídia, a presidente Dilma Rousseff não pode cumprir outro papel: mesmo sob intenso bombardeio, ela tem o dever de preservar a Constituição.

Depois deste fim de semana saberemos se o Brasil amadureceu para a democracia ou se, mais uma vez, as forças obscurantistas irão protagonizar um retrocesso, com a cumplicidade da imprensa.

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