Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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CADERNO DA CIDADANIA > SABOTAGEM NA WIKIPÉDIA

Solidariedade com os agredidos, cautela com a radicalização

Por Alberto Dines em 12/08/2014 na edição 811

A criminosa adulteração dos perfis dos jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia desvenda em toda a sua extensão a diabólica exacerbação do confronto partidário no exato momento em que a temporada eleitoral é formalmente inaugurada.

Os presságios não poderiam ser piores já que a pérfida manobra partiu de computadores instalados no Palácio do Planalto. A Presidência da República prontamente condenou a violência e a provocação. As entidades que representam as empresas jornalísticas consideraram o crime como ameaça à liberdade de expressão e as corporações profissionais prestaram a merecida solidariedade aos agredidos. Estão todos certos.

Fica mais uma vez comprovada a vulnerabilidade das novas tecnologias de comunicação e a necessidade de estabelecer protocolos de segurança mais esmerados para garantir a integridade do cidadão. É magnifica a ideia de uma enciclopédia aberta, participativa e universal como a Wikipédia. O Iluminismo ganhou força a partir do projeto da Enciclopédia desenvolvido pelos filósofos franceses. A Wikipédia pode produzir avanços ainda mais expressivos em termos globais – caso não seja desmoralizada por atentados como estes que põem sob suspeita a própria difusão do conhecimento.

Papel e função

O que mais preocupa, no entanto, é a radicalização da disputa eleitoral já nas preliminares. Mesmo que os culpados sejam identificados e punidos, estabeleceram-se inaceitáveis paradigmas de brutalidade. Em 2006 foram os aloprados que compraram e divulgaram dossiês difamatórios contra candidatos da oposição. Agora estamos diante de um gangsterismo digital oriundo dos desvãos das mais altas esferas da República.

Está instalado um clima de suspeição e revanchismo dificilmente reversível com potencial para contaminar o processo de sucessão e troca de comando. A jovem e imatura democracia brasileira precisa de ritos de passagem festivos ou solenes, pelo menos sem estresse e tensões.

Nossa imprensa não pode sentir-se sitiada, encostada na parede ou nas cordas do ringue. Deveria aproveitar a ocasião para repensar o seu papel e a sua função. Neste sentido, é animador observar que tanto os jornalistas vitimados pela covarde sabotagem como o grupo empresarial onde ambos ocupam posição de destaque – as Organizações Globo – estão procurando tratar do caso sem dramatizações e sem forçar desnecessariamente a sua gravidade.

Não estamos no Iraque.

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