Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

CADERNO DA CIDADANIA > NEW YORK TIMES

Tecnologia põe fim a serviço tradicional do diário

11/12/2007 na edição 463

No fim de novembro, quando o editor-executivo do New York Times, Bill Keller, enviou um memorando à equipe anunciando as demissões de diversos funcionários, um detalhe atraiu pouca atenção daqueles de fora da redação do diário: a eliminação do Recording Room, algo como ‘sala de registros’, para onde os repórteres podiam ligar da rua e ditar o texto a ser publicado.

Por anos, o local foi, nas palavras do jornalista Gay Talese, ‘a parteira’ que ajudava repórteres em outros países, estados ou até mesmo os que estavam em Nova York, mas lutavam contra o deadline. ‘Era indispensável’, lembra Arthur Gelb, cronista veterano do NYTimes. ‘Não dava para ter uma edição do jornal nas ruas sem a ajuda do Recording Room’, diz. ‘Lembro de inúmeras vezes em que precisei ligar para passar a matéria antes do deadline‘, diz William Schimidt, repórter do diário que é hoje editor-assistente. ‘Era o cordão umbilical para os correspondentes’, diz Max Frankel, ex-editor-executivo do jornal.

Para Frankel, o setor foi fundamental para o crescimento de sua carreira. Há algumas décadas, os operadores do Recording Room enviavam mensagens para navios com as manchetes da edição do dia seguinte. Em julho de 1956, foi interceptado um sinal de um cruzeiro italiano que havia batido no navio Stockholm. Frankel, um jovem repórter de plantão noturno na época, pegou o furo e dois anos depois foi promovido a correspondente em Moscou.

Novas tecnologias

Com o surgimento e aperfeiçoamento das máquinas de fax, internet, iPhones e Blackberries, ao longo das últimas duas décadas, o Recording Room tornou-se praticamente uma peça de museu. No início do próximo ano, ele desaparecerá. Chris Campbell, funcionário do setor desde a década de 80, lembra que a equipe passou de dezenas a apenas três funcionários. Raramente há matérias ditadas pelo telefone – a grande função do setor agora é transcrever longas entrevistas para os repórteres. Ainda assim, quando o furacão Katrina atingiu os EUA, em 2005, com a internet fora do ar, o serviço foi fundamental para os repórteres Joe Treaster e Ralph Blumenthal, que estavam in loco cobrindo a tragédia.

Além das emergências

Mesmo com as novas tecnologias, alguns repórteres continuaram usando o antiquado serviço. Em 1990, Talese estava no Alabama cobrindo o aniversário dos protestos pelos direitos civis e ligou para o Recording Room para transmitir a notícia, do mesmo modo que havia feito há 25 anos. ‘Eu tinha uma máquina de escrever portátil e fiz exatamente da mesma maneira que em 1965’, afirmou. Informações de John Koblin [The New York Observer, 10/12/07].

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