Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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CADERNO DA CIDADANIA > ENTREVISTA / PABLO RAMOS

‘Temos pouco apoio e desconhecemos nossas próprias ações’

13/04/2004 na edição 272

Pablo Ramos é coordenador-geral da Red El Universo Audiovisual Del Niño Latino-Americano (Unial), organização que congrega representantes e instituições de países latino-americanos na realização de projetos voltados para a formação crítica do público infanto-juvenil e para o debate em torno da qualidade de mídia para crianças e adolescentes.

Integrante do Comitê Internacional da 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes (4ª CMMCA), Pablo Ramos afirma que o número de produções latino-americanas voltado para o público infantil é muito pequeno, embora a região seja rica em histórias e culturas. ‘O problema é que temos pouco apoio e fomento. Precisamos reverter este quadro’.

A realização da 4ª Cúpula Mundial, na sua avaliação, será a oportunidade de iniciar este processo, beneficiando todos os países participantes. ‘Produtores, fomentadores, diretores, pesquisadores e estudantes que trabalham ou que tenham interesse nesta área não podem deixar de comparecer ao encontro’, destaca.

***

Como surgiu a Red Unial e qual é o seu objetivo?

Pablo Ramos – Em 1988, um grupo de pesquisadores e diretores de diversas regiões da América Latina resolveu promover um debate sobre a produção cinematográfica latino-americana voltada para crianças e adolescentes. Nascia o primeiro encontro El Universo Audiovisual del Niño Latino-Americano (Unial) que seria, a partir de então, realizado anualmente. Em 1993 surgiu a proposta de formar a Rede El Universo Audiovisual del Niño Latino-Americano (Red Unial) – união voluntária de pessoas e instituições ibero-americanas que, sem fins lucrativos, teria o objetivo de desenvolver projetos voltados para a formação de crianças e adolescentes mais ativos, críticos e participativos diante dos produtos da mídia. União que possibilitasse ainda a cooperação entre os países participantes, a troca de conhecimentos e experiências. Hoje esta Rede conta com representantes da Venezuela, do Peru, do México, da Argentina, da Bolívia, da Espanha, do Equador e do Brasil, por meio da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP).

Quais são as constatações das pesquisas e dos projetos da Rede Unial sobre a relação entre a mídia, as crianças e os adolescentes?

P.R.
– A Rede Unial vem constatando que o número de produções latino-americanas voltado para crianças e adolescentes é muito pequeno. Levantamentos revelam também que o público infanto-juvenil é audiência cativa dos programas dirigidos aos adultos. Um ótimo exemplo são as telenovelas brasileiras. Nossas pesquisas ainda mostram que crianças e adolescentes são tratados apenas como receptores passivos da mídia. E o que não é verdade. Na realidade, eles são receptores ativos e têm muito a dizer. Por conta disto, a Rede Unial vem investindo não apenas em projetos que incitem a visão crítica da mídia, mas também em iniciativas que dêem, efetivamente, vez e voz aos adolescentes na produção de mídia.

A América Latina é uma região rica em produções audiovisuais. No entanto, muitas vezes, estes produtos não chegam a todos. Por quê?

P.R. – Sem dúvida nenhuma a América Latina é uma grande produtora de mídia de qualidade para crianças e adolescentes, seja na TV, no cinema, no rádio, nas publicações ou até mesmo nos computadores. Muitas vezes, ela desenvolve inclusive iniciativas pioneiras a favor da educação para a comunicação. O problema é que temos pouco apoio e desconhecemos nossas próprias ações. Na realidade, promovemos muitas ações isoladas. Ações brilhantes, mas que acabam não sendo conhecidas e intercambiadas. É preciso reverter este quadro. É preciso unir, cada vez mais, a América Latina neste ponto tão especial.

A realização da 4ª CMMCA na América Latina é, portanto, oportuna?

P.R. – A 4ª CMMCA abre a possibilidade de todos conhecerem as experiências do nosso continente e dos demais, possibilitando o planejamento de projetos para o futuro. Produtores, fomentadores, diretores, pesquisadores, distribuidores e estudantes que trabalham ou que tenham interesse nesta área não podem deixar de comparecer à 4ª Cúpula Mundial de Mídia. É a oportunidade de trocar experiências, conhecimentos, erros e acertos a favor de uma mídia de qualidade.

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