Domingo, 21 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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CADERNO DA CIDADANIA >

Um Brasil a educar

Por Gabriel Perissé em 23/09/2008 na edição 504

A Editora Abril acaba de lançar o projeto ‘Educar para Crescer‘. Tal iniciativa, difundindo em primeiro plano uma concepção vejiana de educação, fortalece a idéia de que a pauta educacional está e estará cada vez mais presente nas discussões sobre o futuro do país.


De fato, temos todo um Brasil a educar. São carências de todo tipo, situações desoladoras muitas vezes, velhos problemas e distorções novas, dificuldades crônicas e urgências escandalosas. Certamente há também avanços e esperanças. Nem tudo é calamidade. Mas o quadro geral preocupa, e muito.


O analfabetismo, para começar. São ainda 14,1 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais de idade (Pnad 2007). Analfabetismo puro e simples que não deve ser confundido com o analfabetismo funcional. A mesma Pnad detectou quase 26 milhões de pessoas (com 15 anos ou mais) sem condições de utilizar a leitura e a escrita como formas de aperfeiçoamento humano e profissional. Somando-se uma multidão a outra, cerca de 40 milhões de pessoas protagonizando diariamente ensaios sobre a cegueira.


Soluções estão aqui


No outro extremo, no ensino superior, 76% dos universitários brasileiros encontram-se na rede particular, o que indica progressos e ilusões. Progressos porque, tendo o ensino universitário público perdido espaço nas últimas décadas, essas pessoas, mal ou bem, continuaram ou voltaram a ter contato com professores, livros, uma chance de estudar. Ilusões, por outro lado, porque, como atesta o MEC, muitas faculdades e universidades deixam a desejar.


Vejamos, a título de exemplo, os cursos de Odontologia, para os quais é necessário apresentar boa estrutura e professores atualizados. Dos 173 existentes, 35 são insatisfatórios (Enade 2007). No estado de São Paulo, existem seis deles, todos em instituições privadas.


E no meio do caminho, um ensino médio abaixo da média. O jovem estudante encara esse período de três anos como um limbo. Desse limbo, um número reduzido de escolhidos irá para o céu de uma boa faculdade. A maioria cairá no purgatório de uma faculdade sofrível ou no inferno de um mercado de trabalho para o qual não se preparou adequadamente.


Tantos outros problemas existem. As soluções estão aqui mesmo, no Brasil. Não precisamos importar modelos. Contamos com nomes antigos (Anísio Teixeira, Ítalo Bologna, Paulo Freire e outros) e novos (Cristovam Buarque, Pedro Demo, Gaudêncio Frigotto, Dermeval Saviani e outros) para nos orientar, experiências positivas com que aprender, professores dispostos a acertar.

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Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

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