Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CADERNO DA CIDADANIA > PAZ AGORA

Um clube de imprensa israelense-palestino

Por Greer Fay Cashman em 29/03/2005 na edição 322

Até esta semana, jornalistas israelenses e palestinos que desejassem se encontrar sob algum tipo de guarda-chuva formal optavam pela Associação de Jornalistas Estrangeiros.

Desde terça-feira (22/3), esses jornalistas que querem trocar idéias e cooperar entre si quando cobrem histórias nos territórios dos outros têm uma nova opção – o Mideast Press Club (Clube de Imprensa do Oriente Médio).

Fundado por Felice Friedson, presidente da The Media Line Ltd., uma agência americana multimídia não-lucrativa de notícias que cobre o Oriente Médio, o Mideast Press Club foi lançado no American Colony Hotel, em Jerusalém Oriental, que por décadas tem hospedado jornalistas de todo o mundo e servido como campo neutro para intercâmbio entre israelenses e palestinos.

Embora Friedson e David Harris, o chefe de expediente do The Media Line, tenham tentado manter o evento como apolítico, jornalistas de Gaza foram impedidos de passar pelo posto de controle militar (checkpoint) na maior parte da manhã e foram intensamente revistados antes que conseguissem prosseguir.

Mas o objetivo era reunir jornalistas dos dois lados do conflito israelense-palestino para conversar sobre o desafio de cobrir o outro lado. ‘Ainda é uma zona de guerra’, dizia Harris. ‘Nosso trabalho é ser rápidos, chegar primeiro e ainda fazer o maior número de reportagens que conseguirmos.’

Os dois principais assuntos mencionados eram o acesso limitado dos jornalistas ao outro lado e o temor pela segurança pessoal.

Radwan Abu Ayyash, presidente da Corporação Palestina de Radiodifusão, sublinhou os problemas das equipes palestinas de televisão que procuram cobrir eventos em Israel. Após obter uma permissão, atravessar bloqueios de estradas e postos de controle militar e levar seus equipamentos a Israel, os jornalistas ainda tem que tentar produzir uma reportagem objetiva.

Esperança em lugar do desespero

Abu Ayyash disse que a objetividade é algo difícil para pessoas que vivem sob ocupação. Apesar disso, comentou: ‘Nós estamos mudando a tela o tanto quanto podemos para transmitir a mensagem da paz. Jornalistas nos dois lados podem fazer muito, e nós estamos aqui para trabalhar juntos’.

Alguns outros jornalistas palestinos disseram que estavam em Jerusalém pela primeira vez em quatro anos. ‘quanto eu passo por um checkpoint, eles nunca acreditam que sou um jornalista. Eles me vêem como um palestino’, disse Abu Ayyash.

Motti Sklar, diretor da Segunda Autoridade de Rádio e TV de Israel, disse que era difícil ter um quadro equilibrado ao cobrir ambos os lados do conflito, porque a tendência era focalizar os aspectos mais extremos do outro lado. ‘Precisamos de um clima diferente. Precisamos de um período de calma de forma que cada um aprenda a entender o outro’, disse.

Sklar também enfatizou a importância da introspecção e da autocrítica: ‘Como pode alguém pedir à mídia palestina para ser objetiva enquanto nossos direitos estão sendo negados pela ocupação?’, perguntou uma jornalista palestina.

Uma repórter militar israelense contestou: ‘Mesmo quando vamos lá como gente da imprensa, eles nos agridem. Nós somos apenas jornalistas. Não temos o poder de acabar com a ocupação. Não é de nossa alçada’.

Mas ela concordou que era muito mais fácil para os repórteres israelenses obter respostas das autoridades palestinas do que era para os jornalistas palestinos obtê-las do governo israelense. E também falou de uma enorme mudança na mídia palestina nas últimas semanas.

O veterano jornalista israelense Yaacov Ahimeir, que trabalha para o Canal 1, disse: ‘Não podemos ser objetivos. Eu, como israelense, não posso ser objetivo com relação a qualquer outra nação – e especialmente com uma nação que seja hostil a nós’.

Abu Ayyash perguntou: ‘Somos suficientemente profissionais para respeitar nossa profissão? Nós podemos tentar ser honestos e respeitar uns aos outros e trabalhar com esperança no lugar do desespero. Nós precisamos encontrar formas de cooperar uns com os outros na cobertura dos fatos’.

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