Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CADERNO DA CIDADANIA > CORRUPÇÃO ELEITORAL

Um panorama da compra de votos

Por Afonso Caramano em 13/02/2007 na edição 420

Assoprar brasas reaviva as chamas, reacende a fogueira e reaquece as discussões, que muito podem render a se levar em conta os resultados apresentados no Jornal Nacional, na quarta-feira (7/2), da pesquisa do Ibope, encomendada pela Transparência Brasil e pela União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle sobre a compra de votos nas eleições de 2006. [Ver aqui a íntegra do relatório.]

Para aqueles que chegaram a delinear um mapa da divisão do país entre vermelhos (petistas) e azuis (tucanos) com base na propensão assistencialista (Bolsa Família) do voto em Lula, os números da pesquisa parecem apontar para outra direção – ao menos demonstram que as coisas são mais complexas do que supõem (ou querem) os articulistas (e/ou opinionistas). Admite-se que ‘foram mais de 8,3 milhões de casos [de oferta de vantagens em troca do voto] – 5% nas regiões Norte e Centro-Oeste, 10% no Nordeste, 6% no Sudeste e 12% no Sul’.

Dados ‘provocadores’

Parece que todos votam mesmo por algum ‘interesse’ – assistencialista, no caso dos menos afortunados, ou particular, para aqueles que aceitam trocar o seu voto por alguma vantagem. E a pesquisa ‘derruba mitos’, já que assinala que ‘a maioria dos que recebem oferta de compra de votos não é pobre: ganha entre dois e dez salários mínimos (33%) e estudou entre a quinta série e o ensino superior (30%)’. Além do mais, o Sul do país registrou o maior número de casos de oferta de dinheiro vivo: 4% do eleitorado nacional.

Os dados da pesquisa estão aí – provocadores e disponíveis para novas análises (menos reducionistas). Resta saber se tal discussão ficará apenas no âmbito dos sítios da internet ou se a mídia vai aceitar a ‘provocação’ e debruçar-se sobre a questão, reavaliando suas posições e aprofundando o assunto. Mais que uma divisão sócio-eleitoral nos parâmetros propostos, o país sofre de muitas outras fraturas.

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Funcionário Público, Jaú, SP

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/02/2007 pedrito avila

    Olha vejo, muitas pesquisas que no seus resultados chegam bem perto do real, mais esta pesquisa referente a compra de voto, e bem longe do real, pois sabemos que isto não é real, se no dia da eleição vc. pega numa cidade do interior sei lá quantos ‘cabo eleitoral boca de urna’, (sabemos que esta ação não é legal), exigindo dele o voto dele e o dá família ainda pega número do título deles, não seria isto compra de voto? se muitos tivesse cometido este ato ilegal não poderia ser considerado uma compra de voto? talvez esta pesquisa sendo feita de uma outra forma menos comprometedora o seu resultado seria diferente. Se questionamento fosse outro, por exemplo: Voce teve alguma oferta de trabalho nesta eleição? sim ou não. você foi fiel no compromisso de voto por este trabalho? sim ou não, Você trabalhou no dia da eleição?. sim ou não
    E por ai afora, poís muitos querem nos passar que corrupção do nosso País começou agora, mas creio que corrupção maior não é em troca de uma bolsa escola, são beneficios políticos muito maior, são desvios de receitas para prevelegiar alguns, que muito pouco é divulgado. e gostaria de encerrar como uma pergunta, corrupto é que compra o voto ou quem vota só se tiver algum benefício? é muito fácil jogar a bola para frente.

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