Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CADERNO DA CIDADANIA > IMPRENSA CATARINENSE

Uma omissão histórica

Por Tadeu Santos em 06/02/2007 na edição 419

Não podemos nos calar perante a flagrante, vergonhosa e histórica omissão da mídia regional em relação à poluição ambiental que a atividade carbonífera do sul de Santa Catarina causa à natureza, principalmente agora, com a divulgação da Audiência Pública (AP) ocorrida em 30 de fevereiro de 2007, no auditório do teatro Elias Angeloni, em Criciúma (a ex-capital do carvão).

O evento foi promovido pelo Ministério Público Federal para apresentar o relatório técnico do Termo de Ajuste de Condutas (TAC), firmado com as mineradoras que foram condenadas em 2000, juntamente com a União e o estado de Santa Catarina (pela omissão da Fundação do Meio Ambiente, que injusta e inexplicavelmente conseguiu livrar-se da sentença).

Apenas um jornal (Tribuna do Dia) publicou o release enviado pelo MPF para divulgar o evento, ao mesmo tempo em que publicou uma matéria transparente, informativa e esclarecedora do evento. Isto, sim, que é jornalismo.

O Jornal da Manhã, que não divulgou a AP, publicou no dia seguinte uma matéria parcial e tendenciosa, com as mesmas informações contidas no release emitido pelo MPF, com a citação da presença da Fundação do Meio Ambiente (Fatma) e do representante do Sindicato da Indústria da Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina (Siecesc) – que, mesmo representando as mineradoras condenadas, sentou-se à mesa oficial.

Não deve ter sido falta de percepção da repórter (até porque deve ter estado lá para perceber a dinâmica da AP), mas censura mesmo dos dirigentes do jornal, pois afinal se tratava de uma audiência pública em que mais de 90% do tempo consistiu em debate com o público presente e apenas um defensor da atividade mineradora se manifestou – diga-se, com observações inoportunas e infundadas.

Quem leu o Jornal da Manhã terá será induzido a pensar que as mineradoras responderam às perguntas formuladas pela sociedade civil presente, quando não ocorreu em momento algum essa situação. A matéria não menciona a parte mais importante da audiência pública – os questionamentos, através dos quais se constata se a opinião pública entendeu e aceitou ou não as propostas apresentadas, assim como as críticas e sugestões colocadas.

Perda de credibilidade

É a primeira vez que as tratativas de um ‘ajuste de condutas’ sobre o intenso conflito sócio-ambiental causado pela poluição do carvão são apresentadas publicamente na região carbonífera, portanto um evento único e de extrema importância para a recuperação dos nossos recursos naturais. Afinal, existe uma sentença a ser obrigatoriamente cumprida para que seja revertido o caótico cenário que aponta a região como uma das 14 mais poluídas do Brasil, de acordo com o Decreto Federal nº. 85.206/80. Mas não estavam lá os políticos e governantes da região e novamente apontamos a ausência da mídia escrita, falada e televisionada – que perde assim a oportunidade de registrar momentos históricos na difícil, mas não impossível, recuperação ambiental e uma melhor qualidade para a região sul de Santa Catarina porque comprovadamente o poder econômico e político determina o que é fascinante e o que não é para a mídia regional.

Os mineradores e seus apoiadores passam a ser cúmplices do criminoso dano ambiental que promoveram e continuam a promover no solo, na flora, no ar e na água do organismo vivo terra – que já demonstra sentir as maldades, os exageros e os erros cometidos em seu ‘corpo’. Não só as mineradoras perderam a credibilidade – quando o assunto é recuperação ambiental –, como alguns órgãos da mídia também, já que deixaram de exercer seu papel de informar e esclarecer a opinião pública de forma imparcial, transparente e democrática.

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Integrante da Sócios da Natureza, Araranguá, SC

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