Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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CADERNO DA CIDADANIA >

Uma guerra de imagens e percepções

15/08/2006 na edição 394

A ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, discutiu em sua coluna de domingo [13/8/06] a reação dos leitores a fotos da guerra entre o Líbano e Israel. Segundo ela, diversos leitores escreveram para criticar e questionar as fotos de dor e sofrimento publicadas na capa do Post. ‘Quando vocês se cansarão de serem manipulados pela propaganda árabe?’, questionou o leitor Jonathan Javitt. Outros leitores quiseram saber se as fotos eram encenadas. A ombudsman revela que o Post recebe duas mil fotos por dia das agências Associated Press, Reuters e Getty Images.

Manipulação

Depois de a agência de notícias Reuters ter admitido que um fotógrafo freelancer havia alterado duas fotos – nenhuma delas publicadas no Post -, os leitores ficaram desconfiados sobre a veracidade das fotografias. A agência informou que o fotógrafo Adnan Hajj foi despedido.

Com fotógrafos trabalhando nas áreas de conflito, os editores de fotografias do Post geralmente vêem as imagens e as checam através de jornais e sítios de todo o mundo. Deborah alega que os editores de fotografias do Post são cautelosos sobre as fotos do Oriente Médio. ‘Alguns fotógrafos freelancers não têm treinamento jornalístico. Eles não estão trabalhando sob os mesmos padrões que outros fotógrafos em todo o mundo’, disse Joe Elbert, editor assistente de fotografia.

Os editores também avaliam se houve manipulação. ‘Nós avaliamos isto o tempo todo. O modo como as fotografias da Reuters foram alteradas foi ‘mais do que estúpido’’, afirmou ele. A política do Post proíbe alterações nas fotos. ‘Não usamos ferramentas para alterar a realidade’.

Encenação

Muitos leitores quiseram saber se a foto publicada no dia 31/7 de mortos em Qana havia sido encenada. O fotógrafo Michael Robinson-Chavez estava lá e nega. ‘Todos estavam mortos, muitos deles eram crianças. Nada foi armado. Não houve maneira das fotos terem sido alteradas com diversos fotógrafos no local’, alegou ele. Deborah fez uma revisão das fotos publicadas no Post – junto com Elbert e seu substituto Keith Jenkins – e não encontrou nenhuma manipulação óbvia. Apenas uma foto, que não foi publicada, parecia encenada: a de um membro da equipe de resgate segurando uma criança morta para a câmera – ela havia sido tirada por Adnan Hajj.

Segundo Deborah, 17 fotos publicadas na primeira página vieram do Líbano e 11 de Israel. A maior parte das fotos do Líbano mostrava a destruição do local, enquanto as de Israel eram de militares em ação. A maioria das fotos impressas na capa era da Associated Press, que está com seis fotógrafos trabalhando nos dois países, conforme informou Santiago Lyon, diretor de fotografia da AP.

O fotógrafo do Post Robinson-Chavez estava em Gaza, Israel e Líbano por cinco semanas. Segundo ele, os leitores não vêem fotos de guerrilhas do Hezbollah porque os guerrilheiros não querem ser fotografados e, quando fotógrafos estão por perto, eles não ficam armados.

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