Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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CADERNO DA CIDADANIA >

Valorização dos professores ganha espaço

Por Fernanda Campagnucci em 25/08/2009 na edição 552

A cobertura de educação de 1 a 15 de agosto seguiu a tendência da quinzena anterior e as preocupações em torno da gripe suína continuaram a predominar nos 75 jornais e quatro revistas semanais analisados. Mas as discussões sobre a gratificação a professores em São Paulo e no Rio de Janeiro, além da visita ao Brasil do pesquisador da Universidade de Stanford Martin Carnoy e do subsecretário de Educação de Nova York Chris Cerf, deram espaço também à questão do ofício docente e à valorização dos professores.

O Globo (2 e 4/8) e a Folha de S.Paulo (4/8) destacaram os projetos de seus respectivos estados, que prevêem o reajuste salarial – de até 43%, no caso do Rio. Em editorial, a Folha elogiou a proposta, que ‘tenta compensar 14 anos de mau desempenho tucano na educação’, mas afirmou que a nova sistemática de valorização salarial deve ser acompanhada da avaliação de desempenho dos professores.

Modelos do exterior

A vinda de Martin Carnoy ao Brasil, autor de A vantagem acadêmica de Cuba – Por que seus alunos vão melhor na escola, e um debate com gestores em São Paulo sobre a reforma educacional em Nova York também reacenderam a temática. Mais uma vez, o desempenho dos professores foi explicação central para a má qualidade do ensino, mas pouco se discutiu sobre as condições de trabalho dos docentes. Ao responder à pergunta de O Globo sobre o impacto do elevado número de alunos por sala de aula no Brasil (maior, se comparado ao de Nova York) – o subsecretário de Educação da cidade norte-americana, Chris Cerf, resumiu o tom da cobertura: ‘Falando não apenas como pessoa envolvida na reforma, mas também como pai, creio que seja preferível você ter um filho numa classe com mais alunos, porém com um excelente professor, do que ter seu filho numa classe com menos alunos e um professor não tão eficaz.’

A repórter Ana Aranha, da revista Época, também foi buscar no exterior um modelo para a educação – o caso das escolas charter, em Los Angeles –, mas no âmbito de uma reportagem especial sobre o ensino médio, bem mais completa. A jornalista ouviu vários pontos de vista de jovens e especialistas sobre os problemas e necessidades dessa etapa educacional.

Cadê os recursos?

Duas notas publicadas no período não ganharam o devido destaque. O Diário de Cuiabá e a Gazeta (MT) deram a notícia [13/8] de que alunos indígenas de Rondolândia (a 1.600 km de Cuiabá) estavam há uma semana sem aula por causa da exoneração de professores. Cerca de 60 índios da etnia Zoró acamparam em frente à prefeitura para exigir explicações sobre a distribuição de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), já que as crianças teriam que se deslocar da aldeia até a cidade – sem transporte escolar ou estradas adequadas de acesso – para poder estudar.

A alegação da prefeitura à comunidade – que não se explicou a nenhum dos jornais – é de que a folha de pagamentos está estourada e que os recursos do Fundeb seriam insuficientes para bancar a escola indígena. Questionado, o secretário estadual de Educação disse apenas que o dinheiro do Fundeb é depositado diretamente na conta do município e que poderia eventualmente assumir parte das matrículas.

Os diários perderam a oportunidade de ouvir o sistema de justiça sobre a violação dos direitos educacionais do povo Zoró e a morosidade da implementação da educação escolar indígena no estado.

A população indígena foi citada no relatório ‘Situação da Infância e da Adolescência 2009’, lançado em junho pelo Unicef, como um dos grupos mais excluídos do acesso ao direito à educação, ao lado da população negra. O descaso com as crianças e adolescentes indígenas da cidade de Rondolândia, tanto por parte do poder público quanto da imprensa, é a prova de que pouco se avançou na temática.

Lâmpada mágica dos negócios

No dia 5 de agosto, o Valor Econômico dedicou a reportagem ‘Mercado mira agora sistemas de ensino’ para chamar a atenção dos investidores ao negócio rentável da vez: os sistemas apostilados de ensino. Segundo o jornal, a taxa de crescimento do mercado na rede privada varia de 10 a 35%, mas o grande potencial – 95% dos 25 milhões de alunos de escolas municipais que ainda não usam o sistema – está mesmo é na rede pública.

Nota da IstoÉ Dinheiro também fala do ‘destaque no pregão’ do Sistema Educacional Brasileiro (SEB) e destaca a atuação de seu dono, Chaim Zaher, que teria descoberto a ‘lâmpada mágica dos negócios na educação’. As recentes fusões e aquisições na área devem servir de alerta para os jornalistas, já que, no caso da rede pública, a compra de tais sistemas apostilados envolve transferência de recursos públicos para o setor privado. Também é preciso buscar fontes que avaliem a qualidade dos ‘serviços’ ofertados.

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Da equipe do Observatório da Educação

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