Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CADERNO DA CIDADANIA > EDITORA ABRIL

Vanessa Adachi

05/05/2006 na edição 379

‘O grupo Abril, que edita a revista ‘Veja’, está próximo de fechar a venda de 30% do seu capital para o grupo de mídia sul-africano Naspers Limited. A operação é estimada em cerca de US$ 500 milhões, apurou o Valor. Com isso, a esperada oferta pública inicial de ações do grupo brasileiro de mídia não deve acontecer. Procurada, a empresa não quis comentar o assunto. O valor atribuído na operação à Abril S.A., a holding do grupo que controla a Editora Abril, foi pouco superior a US$ 2 bilhões, incluindo a sua dívida, que estaria em torno de R$ 900 milhões.


De acordo com pessoas familiarizadas com a negociação, esse preço aproximou-se bastante do valor de mercado que a empresa esperava alcançar com a abertura de capital e, por essa razão, a venda a um sócio estratégico tornou-se viável. Nos últimos dois anos, por conta dos altos preços pagos no mercado de ações brasileiro, operações de venda para sócios estratégicos têm sido preteridas.


O Naspers, que fatura mais de US$ 2 bilhões e tem negócios de mídia impressa, internet e TV paga, fará o pagamento à vista e em dinheiro. Do total, cerca de US$ 150 milhões serão usados para comprar os 14% de ações que hoje pertencem ao fundo de private equity americano Capital International. O Capital entrou na Abril em julho de 2004 pagando R$ 150 milhões, quando o dólar estava a R$ 3. Ou seja, em dólar, a valorização do investimento do fundo foi de 200% em menos de dois anos.


A família Civita, controladora da Abril, também venderá uma pequena fatia de suas ações na transação. A maior parte do investimento feito pelo grupo sul-africano entrará como aumento de capital. Mas o dinheiro não deverá ficar na empresa por muito tempo, porque parte dele será usado para abater a dívida da Abril com bancos. Isso deverá trazer um grande alívio ao caixa do grupo, hoje bastante comprometido com o pagamento dos débitos.


Há pouco mais de um ano, o grupo fechou o alongamento até 2008 de um débito de R$ 525 milhões com os bancos Unibanco, Bradesco, JP Morgan, Banco do Brasil e Safra. O acordo estabeleceu algumas restrições à Abril, entre elas, que parte do dinheiro da venda de ações ou ativos do grupo deveria ser usado para quitar antecipadamente parcela da dívida.


A participação de 30% que o Naspers terá no grupo Abril é o máximo permitido pela legislação brasileira para estrangeiros. A Abril foi o primeiro grupo de mídia brasileiro a admitir um sócio estrangeiro, em 2004, logo após a modificação da lei que permitiu esse ingresso.


Apesar da fatia representativa, pessoas familiarizadas com a transação disseram que o grupo sul-africano terá menos poderes do que o Capital dentro da Abril. Indicará alguns membros do conselho de administração, mas não terá nenhum representante na diretoria executiva, por exemplo. O Capital tinha o direito de indicar o principal executivo financeiro, cargo hoje ocupado por Eliane Lustosa.


A aproximação entre os dois grupos começou no fim do ano passado. No início deste ano, os controladores da Abril viajaram à África do Sul e à Ásia para conhecer as operações do Naspers. Executivos da empresa sul-africana estiveram diversas vezes no país desde então e hoje o executivo-chefe (CEO) do grupo, Koos Bekker, é esperado no país para negociações finais. A Abril foi assessorada pelo banco JP Morgan e o Naspers, pelo Citigroup.


O grupo brasileiro já havia dado a partida em seus planos de oferta pública de ações, sob a coordenação do banco UBS, quando as negociações com o Naspers engrenaram para valer. A oferta pública permaneceu como alternativa até agora e, na próxima semana, a Comissão de Valores Mobiliários deveria conceder o registro da operação.


A Naspers Limited é uma holding que controla diversas outras empresas e tem ações listadas na bolsa sul-africana e também na americana Nasdaq.


A maior parte dos negócios do grupo ainda está na África do Sul, de onde saem mais de 70% das receitas. Mas a estratégia declarada é ingressar em mercados em crescimento. Uma das principais apostas tem sido a China, com operações de internet. O Naspers foi fundado em 1915, em Joanesburgo, como editora de jornais e revistas. Até hoje é a maior editora de revistas da África. Nas duas últimas décadas houve a diversificação nos segmentos de TV e internet pagas.’

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