Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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CADERNO DA CIDADANIA >

Vício de conivência

Por Luis Carlos Brito Lopes da Silva em 19/05/2009 na edição 538

De todas as histórias envolvendo atitudes e posturas corporativas dos políticos, a que envolve Edmar Moreira é a mais absurda, sem critério e que revela o grau de contaminação da Câmara pela prática da falta de decoro como regra, com a conivência e cumplicidade da mídia.

Vejamos: o presidente da Câmara, Michel Temer, afirmou recentemente a sua falta de vontade para punir. A falta de vontade de punir é sinônimo de vontade de manter a impunidade, que já havia sido expressa há cerca de dois meses por ACM Neto e José Carlos Araújo, que, ao assumir a presidência do Conselho de Ética, de imediato deixou claro a que vinha, com total apoio do corregedor: ‘Eu acho que sim [deveriam ter recebido penas mais brandas]. Alguns dos que foram cassados [durante o escândalo do ‘mensalão’, poderiam ter recebido penas mais leves. Isso vale para todos [para os que foram absolvidos também]’, disse Araújo, eleito hoje com 12 dos 13 votos dos titulares presentes – houve um voto em branco.

Segundo Araújo, a cassação é a pena mais rigorosa que pode ser imposta. Na sua opinião, antes de o deputado denunciado ser cassado, ele pode ser submetido à advertência verbal ou escrita, suspensão temporária de até seis meses do mandato.

‘Eu topo’

Para pôr em prática essa proposta das penas brandas, deve ser elaborado e aprovado um projeto de resolução no plenário da Câmara. De acordo com Araújo, a idéia conta com o apoio do presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP) (Folha de S.Paulo e Folha Online, 25/3/2009).

Depois da falta de decoro verbal do relator e da farsa da indignação com as palavras e com a atitude do relator de tomar partido a favor de Edmar antes de relatar o processo, ofendidos de todos os lados exigiram a substituição do relator. Agora vejam essas duas pérolas extraídas da coluna ‘Painel’ da grande Folha de S.Paulo (12/5):

‘Telhado de Vidro

O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR BA), ouve uma resposta padrão nas consultas para achar um novo relator para o processo contra Edmar Moreira: `Eu dei passagens´. Pelo menos sete dos 14 integrantes já foram identificados como doadores de bilhetes para parentes.’

E a seguir, continuando o mesmo assunto:

‘Eu topo’

‘No momento, o único nome disposto a herdar a relatoria, com o compromisso de não pedir a cassação do deputado do castelo, mas apenas a suspensão do mandato até o final do ano, é Nazareno Fonteles (PT-PI). Recentemente, uma assessora de seu gabinete admitiu ter vendido passagens aéreas da cota do deputado.’

Por que a alegação?

Há dois entendimentos e os dois muito graves: o recrutamento do novo relator está sendo feito exigindo do herdeiro da relatoria o compromisso que Sergio Moraes explicitou com orgulho e menosprezo pela mídia e pela opinião pública? Ou o deputado Nazareno Fonteles, ao aceitar assumir a relatoria, deixa logo claro para tranqüilizar os colegas a conduta que vai adotar?

Por que Edmar Moreira tem tanto poder na casa? Renan, todos sabemos, é alagoano da gema, político de DNA que não aceitaria ‘traição’, alardeou e ameaçou seus pares com tudo o que sabia e não só manteve, como mesmo abrindo mão da presidência, aumentou o seu poder na casa. Edmar é mineiro, trabalha em silêncio, mas obtém adesões explícitas e apaixonadas pela sua causa. A farra das passagens faz dele uma vítima da falta de regras sobre o que não é justo e sobre o que não é proibido se fazer com o dinheiro público.

E só uma última pergunta: se, de verdade, eles acham que como não haviam regras proibindo o turismo nacional nem internacional às custas do erário, se são inocentes e não cometeram nenhum crime, por que alegam ‘Eu dei passagens’ como argumento junto ao presidente do Conselho de Ética para não aceitar a relatoria do caso Edmar?

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