Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CADERNO DA CIDADANIA > INQUÉRITO LEVESON

Vítimas de grampos começam a ser ouvidas em novembro

27/10/2011 na edição 665

Tradução e edição: Leticia Nunes

O juiz Brian Leveson, que lidera o inquérito aberto para analisar os padrões da mídia britânica, deverá levar pelo menos três meses para entrevistar testemunhas. Este mês, foram realizados seminários com temas como regulação e responsabilidade da imprensa para que pudessem ser observados diferentes pontos de vista da indústria jornalística e da sociedade. O início dos trabalhos do inquérito está marcado para 14/11, e o depoimento das primeiras testemunhas deve ocorrer uma semana depois, em 21/11.

As primeiras pessoas a falar para a equipe do chamado Inquérito Leveson serão vítimas de grampos telefônicos ilegais feitos pela imprensa. Em julho, o tabloide britânico News of the World foi fechado, após 168 anos de história, por conta de um escândalo envolvendo a invasão da caixa postal de uma adolescente assassinada em 2002. Descobriu-se que o jornal teria grampeado cerca de quatro mil pessoas ao longo dos anos em busca de informações para suas matérias sensacionalistas. Depois das vítimas, editores e repórteres de jornais, entre outros, passarão a ser ouvidos.

Processos

Em uma audiência esta semana, os membros do inquérito disseram ser provável que as testemunhas sejam ouvidas até fevereiro de 2012. Mais de 60 pessoas estão processando a News International, empresa que publicava o News of the World, por supostamente terem sido grampeadas. Entre as vítimas de grampos pelo jornal estão os pais da menina Milly Dowler, que teve as mensagens de seu celular invadidas e apagadas enquanto estava desaparecida, o que atrapalhou a investigação policial – Milly foi encontrada morta meses depois. Na semana passada, Bob e Sally Dowler receberam indenização de 2 milhões de libras (5,5 milhões de reais) da News International e uma doação de 1 milhão de libras (2,8 milhões de reais) do magnata Rupert Murdoch para seis instituições de caridade escolhidas por eles.

Outras pessoas envolvidas em casos de invasão de privacidade pela mídia também serão ouvidas. Entre elas estão a atriz Sienna Miller, que no início do ano recebeu 100 mil libras e um pedido de desculpas da News International; a escritora JK Rowling, autora da série Harry Potter; e os pais da menina Madeleine McCann, desaparecida em 2007 em Portugal. Eles estão entre as cerca de 50 pessoas que se inscreveram para participar do processo de análise, colaborando com seus depoimentos e ganhando acesso a documentos produzidos durante o inquérito.

No total, o inquérito Leveson, que foi aberto a pedido do primeiro-ministro David Cameron, deve demorar um ano para chegar ao fim. A equipe é formada por sete pessoas, incluindo dois jornalistas. Com informações de James Robinson [Guardian, 26/10/11].

 

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