Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DA CIDADANIA > SEXTA-FEIRA, 16/1

Viúva de jornalista assassinado terá proteção do Estado

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 16/01/2009 na edição 520

Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 16 de janeiro de 2009


 


CASO BARBON
George Aravanis


Viúva de jornalista terá proteção do Estado


‘Kátia Rosa Camargo, 38, viúva do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, foi incluída no programa de proteção a testemunhas do Estado de São Paulo com seus dois filhos, uma garota de 15 anos e um menino de 12. Barbon Filho, que denunciou um esquema de aliciamento de menores que envolvia vereadores de Porto Ferreira (228 km de São Paulo) em 2003, foi assassinado em maio de 2007 num bar da cidade.


Cinco policiais militares e um comerciante são acusados pelo crime, segundo o Ministério Público. Todos estão presos. Kátia é testemunha de acusação no processo.


O pedido de proteção, segundo o advogado de Kátia, Ricardo Ramos, foi feito pela Anistia Internacional e pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa) após a viúva ter declarado que estava sendo ameaçada. Duas testemunhas do crime morreram no ano passado.


Kátia foi retirada de Porto Ferreira na semana passada com os filhos e não tem mais nenhum contato com a família ou com o advogado.


Segundo Ramos, ela vinha sendo ameaçada há quatro meses. ‘Constantemente, carros rondavam a casa dela e uma vez jogaram o carro em cima dela quando ela ia para casa, à noite. É o mesmo que faziam com o marido dela’, disse Ramos.


Julgamento


Em paralelo à inclusão de Kátia no programa de proteção a testemunhas, a juíza que cuida do caso, Milena de Barros Ferreira, encaminhou pedido ao Tribunal de Justiça para que o julgamento dos acusados seja feito fora de Porto Ferreira, em uma cidade com mais de 200 mil habitantes.


Segundo o advogado Ricardo Ramos, a juíza teme que os jurados sejam ameaçados em Porto Ferreira. A Folha tentou falar com a juíza ontem, mas ela estava em audiência.


Segundo a assessoria de imprensa do TJ, a solicitação foi encaminhada para análise do desembargador Roberto Martins de Souza.


Barbon foi assassinado quando estava apurando uma matéria sobre roubo de cargas que envolveria policiais militares, segundo o advogado da família e o Ministério Público.


Testemunhas


O dono do bar onde ocorreu o assassinato, Alcino Antico, 64, morreu após sofrer um infarto e bater o carro num muro em Santa Rita do Passa Quatro (253 km de São Paulo), em setembro de 2008.


Um mês depois, outra testemunha que estava no bar na hora do crime, João Paulo de Souza, 20, foi encontrado enforcado em São Carlos. O caso foi registrado como suicídio.


O promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) de Campinas, Gaspar Pereira Silva Junior, que conduziu o processo, disse que os crimes realmente parecem ter sido acidente e suicídio.


‘Não analisei a fundo, mas parece que foram. O testemunho deles foi importantíssimo para a acusação e acredito que a morte dos dois não prejudicará o caso’, disse.’


 


 


AZIA DE LULA
Fernando Gabeira


Longa vida dos jornais


‘RIO DE JANEIRO – O presidente Lula não gosta de ler jornais. Foi uma decepção para a imprensa, pois através dela foi escolhido um dos homens mais influentes do planeta. Trabalho em jornal desde adolescente. Tempo em que os linotipistas tinham de tomar leite para evitar a intoxicação por chumbo.


Como o meu negócio é tornar os jornais mais atraentes, não brigo com quem não os lê; pergunto sempre como podemos melhorar.


Um dos argumentos mais esgrimidos nessas polêmicas é que a internet está matando os jornais. Na semana em que se discute isso no Brasil, o ‘Los Angeles Times’ anuncia que sua receita na internet superou a do jornal impresso e hoje é a sustentação principal da empresa.


Isso significa, ao contrário, que a internet está salvando os jornais? Também é um exagero. O que a internet vai fazer é obrigar os jornais a grandes mudanças.


Pessoas para quem a leitura é uma das razões de viver às vezes são impacientes com outras formas de comunicar. Por exemplo: a fotografia ganhou espaço nos jornais brasileiros graças também à competência de nossos fotógrafos. Muitos editores a viam como uma forma secundária.


Agora o desafio é outro. Dezenas de novos programas de visualização disputam espaço. Num mundo complicado, ver mapas e gráficos nos dá a impressão de controlar a realidade. Podemos desenhá-la em camadas que aprofundam o conhecimento do tema.


Um dos criadores desses programas, para ilustrar a diferença genética entre homem e macaco, desenhou, num fundo negro, com minúsculas letras brancas, a cabeça do macaco. Havia raros pontos vermelhos -eram a marca da diferença.


Não se trata mais só de absorver a fotografia. Mas de explorar maneiras de visualização. Evoluir para sobreviver é a tarefa que a indiferença nos provoca.’


 


 


JANEIRO (NADA) LIGHT
José Sarney


Uma rosa amarela


‘SEMPRE O mês de janeiro foi um tempo light. Período de férias, recuperador de forças, esperança e alegria, pernas para o ar que ninguém é de ferro, sol e maresia, mulheres com seu corpo exposto às carícias do sol, liberto das roupas e dos arrependimentos. A mídia sem notícias, recorre-se apenas aos desastres nas rodovias ou aos crimes inusitados. Até os anúncios fogem.


Mas, neste ano, parece diferente.


Como numa incelência que ouvi cantar no Maranhão no meu tempo de infância: ‘A bandeira desse ano trouxe um sinale de guerra / Um é verde, outro encarnado, outro uma rosa amarela’. Os raios rubros começaram com Gaza, sem necessitar mais nada para tingir o céu de sangue.


Ontem, na televisão, vi Shimon Peres, um dos estadistas mais brilhantes que conheci, com uma visão profunda dos destinos do mundo, com os olhos baços, anunciar mil mortos palestinos. Avaliei o que passa pela alma desse homem de cultura e a obrigação do cargo. É um janeiro sem sol. Na aventura do gênero humano que é a vida, a marca fundamental e dominante foi a violência. Darwin -que neste ano completa 200 anos de nascimento- desenvolveu a teoria de que a espécie humana evoluiu por meio da sobrevivência dos mais fortes.


Assim, somos todos os que chegamos até aqui beneficiários dessa brutal disputa na matança dos mais fracos. Mas não desapareceu de nossa alma o amor pelos desvalidos, nossos sentimentos com os mais perseguidos, nossa busca constante pela igualdade. Se um intruso asteróide não houvesse colidido com o planeta, teríamos sido comidos pelos dinossauros e a Terra seria só de gigantes.


Mas o bicho-homem, quis Deus que conhecesse tudo isso e tivesse o poder de criar a força, dominá-la ou ser escravo dela.


É desligando a televisão que posso fugir de pensar na tragédia das crianças ensanguentadas e mortas, ceifadas no despertar da inocência.


Talvez seja a ‘rosa amarela’ da incelência. E o mundo, embrutecido, se comove mais com o cemitério das bonecas de Gaza, com os olhos pintados sempre abertos, sem pupilas, eternamente cegas num simbolismo da gratuidade da violência.


Leio a entrevista de João Lins de Albuquerque com uma atriz que foi um dos encantos da minha geração após-guerra, Esther Williams, no seu vigor de nadadora, sereia dos musicais aquáticos do fim dos anos 50. Ela diz que seus filmes faziam sucesso porque as pessoas, cansadas das cenas tristes da guerra, estavam ávidas de ver ‘filmes alegres, que destacassem o lado bom da vida’. É do que estamos precisando, balés aquáticos em vez do fogo de Gaza. Será que isto virá com a política inteligente de Hillary? É, senhora Clinton, entre o poder duro e o poder fraco, melhor o poder inteligente. Mas o poder é burro…’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


A guerra perdida


‘O ataque ao prédio do canal Al Arabiya e da Reuters em Gaza foi a gota d’água. No meio do dia, a agência destacava que a federação dos jornalistas em Bruxelas abriu investigação da ‘estratégia de intimidação’.


E a ‘Economist’ saiu avaliando que Israel ‘perde a guerra de propaganda’. Usa ‘táticas no front de mídia tão astuciosas’ como no front armado -citando da proibição da entrada dos jornalistas em Gaza, já em novembro, à oferta de um ‘batalhão de porta-vozes’ para disseminar sua versão a ‘jornalistas, editores, colunistas’. Mas Al Jazeera e outros ‘floresceram’ e mostraram ‘o sangue, a aflição e a dor’ que, por fim, teriam virado a guerra de palavras e imagens.


Ontem, registre-se, o ‘Independent’ anunciou que vai passar a reproduzir os vídeos da Al Jazeera.


ATIRANDO À VONTADE


‘New York Times’, UOL etc. deram manchete on-line para o ataque, mas não à imprensa e sim à ONU. E o ‘NYT’ avisou que ‘Obama precisa agir logo ou o mundo árabe vai concluir que é uma continuação de Bush’.


Nos sites israelenses ‘Haaretz’ e ‘Jerusalem Post’, a manchete logo era outra -as supostas mortes do chefe de segurança e do ministro do interior do Hamas, indicando sucesso na guerra. Logo entrou também a notícia de que ‘Israel concorda com um cessar-fogo’, segundo fontes egípcias, e vai a Washington para finalizar o acordo.


BOAS VINDAS


Na capa e em editorial da ‘Economist’, ‘Bush deixou legado funesto, mas Obama pode fazer muito para reparar o dano’. O mundo ainda requer a liderança dos EUA, por exemplo, na ‘nova guerra no Oriente Médio’. E ao mesmo tempo Obama ‘entende que a América não é mais a superpotência inconteste dos anos 90’


NOVAS POTÊNCIAS…


O colunista Roger Cohen analisou no ‘NYT’ a nova política externa de ‘smart power’, poder inteligente, dos EUA. E sugeriu que Obama indique logo os novos ‘parceiros’, com a consciência de que a ‘riqueza migrou para um arquipélago de novas potências, incluindo Brasil, Rússia, Índia e os países do Golfo’.


E de que a ‘tecnologia’ dos EUA foi ‘democratizada’, inclusive no Oriente Médio que hoje segue a Al Jazeera.


E A LIDERANÇA


Já o ministro britânico Peter Mandelson escreveu no ‘Wall Street Journal’ o texto ‘Obama deve tornar a Rodada Doha prioridade’. Admite que já é grande ‘o peso das expectativas’ sobre o presidente eleito, mas insiste que a negociação comercial com Europa, China, Índia e Brasil esteja no topo da agenda.


Argumenta que um acordo é mais necessário do que nunca e ‘a liderança dos EUA é o único meio de alcançá-lo’.


ENTRE EUA E A CHINA


O ‘Washington Post’ deu ontem que Obama postergou a presença do embaixador em Brasília, Clifford Sobel, ele que é ‘particularmente próximo de Bush’. O motivo seria ‘suavizar as relações com aquele país’, o Brasil.


Enquanto isso, está para chegar a Brasília o chanceler da China, Yang Jiechi, em turnê para aprofundar relações com países africanos e o Brasil, diz o ‘China Daily’.


TERRORISTA, ASPAS


Agências e sites no exterior noticiam a concessão do status de refugiado a Cesare Battisti, no Brasil, dizendo tratar-se de ‘fugitivo’, na Associated Press e na BBC, ou de ‘terrorista’ entre aspas, na France Presse, indicando ser assim que é identificado pelo governo italiano.


Na agência italiana Ansa e em jornais como o ‘Corriere della Sera’, ontem na capa, e o ‘Il Tempo’, é ‘terrorista’ sem aspas. Na melhor hipótese, um ‘ex-terrorista’.


SEM DINHEIRO


Ocupando quase toda a capa, o ‘Miami Herald’ publicou especial sobre o Haiti, que depois de dois furacões enfrenta agora uma ‘fadiga’ dos países que vinham dando ajuda financeira. ‘A comunidade mundial cansou do Haiti.’ Já o Banco Mundial avalia que o país pode estar, na verdade, prestes a reagir


O FILÓSOFO E O EXÉRCITO


A ‘Economist’ destaca que, no Brasil, ‘Um filósofo redesenha um exército’. Diz que Roberto Mangabeira Unger trocou Harvard por ‘um pequeno ministério para pensar o futuro’. Mas já propôs uma regulamentação de terras na Amazônia; ‘tem um grande esquema para redesenhar a economia mundial (com ajuda de seu pupilo Obama)’; e lançou a Estratégia de Defesa Nacional.


A revista não gostou, diz que ecoa a ‘paranoia com a Amazônia’, e elogiou a estratégia anterior, que levou o país ao comando da missão no Haiti, ‘um grande êxito em meio a fracassos da ONU no Congo e na Somália’.’


 


 


GERALDO BLOTA (1925-2009)
Estêvão Bertoni


A bola estava com Pelé; o microfone, com GB


‘O trambolho de 8 kg que o radialista Geraldo Blota carregou para dentro do gol do Maracanã naquela noite de 19 de novembro de 1969 nada mais era do que um microfone. Meteu-o na boca de Pelé, que acabara de fazer o milésimo gol da carreira.


‘Ele se orgulhava de ter sido o primeiro a botar o Pelé no ar depois daquele gol’, conta a filha Dagmar. E o que o rei, com a bola nas mãos, disse? ‘Puta que pariu’, revela, aos risos. Na bagunça após o gol, GB, como era chamado, quebrou por acidente a antena de seu equipamento nas costas do jogador.


Natural de Ribeirão Bonito (SP), teve influência do irmão, o radialista e apresentador de TV Blota Júnior.


‘Ele foi radialista por causa do irmão e entrou na política por causa do irmão’, diz a filha. Do início da carreira, como sonoplasta, até 1992, quando se aposentou, GB passou pelas rádios Jovem Pan, Capital, Tupi e pelas TVs Record e Gazeta.


Foi também vereador em São Paulo. ‘O partido dele não era a Arena nem o PDS, o partido dele era Paulo Maluf’, diz a filha, que classifica o político como uma das pessoas mais leais à família.


‘Meu pai tinha um coração enorme e era o maior chato da paróquia’, brinca, sobre o perfeccionismo de GB. Quando algo o chateava, dizia: ‘Mas justamente hoje?’.


Morreu na noite de anteontem, aos 83, em SP, em consequência de um câncer de reto. Teve seis filhos, cinco netos e dois bisnetos.’


 


 


FUNCIONALISMO
Folha de S. Paulo


Serra veta projeto que acaba com a ‘lei da mordaça’


‘O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), encaminhou à Assembleia projeto de lei que põe fim à ‘lei da mordaça’, um dispositivo do estatuto dos Servidores Públicos Civis, criado durante o regime militar, que impede funcionários de dar declarações públicas que envolvam o governo, sob pena de punições disciplinares.


Serra enviou a proposta após ter vetado projeto de igual teor, do deputado Roberto Felício (PT), aprovado em dezembro.


O veto ocorreu, alega o governo, porque a competência para legislar sobre mudanças no regime jurídico do funcionalismo cabe somente ao Executivo.


No texto, Serra diz que o estatuto ‘contém mandamento em desarmonia com o princípio do Estado Democrático de Direito, por se tratar de norma restritiva à liberdade de informação e expressão’.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


‘A Favorita’ tem ‘CPI’ e estresse no final


‘Apesar da alta no Ibope, foram muito tensos os bastidores nas duas últimas semanas de ‘A Favorita’. O ‘ponto alto’ foi o vazamento do final da novela, antecipado na semana passada pelo jornal ‘O Dia’, do Rio.


A Globo praticamente instalou uma ‘CPI’ para apurar quem vazou o último capítulo. Até a cúpula da área artística se envolveu na investigação.


Para reduzir riscos, pouco mais de uma dezena de profissionais, entre atores e produtores, teve acesso ao último capítulo. Anteontem, a lista de suspeitos pelo vazamento já tinha sido reduzida a três nomes. Se conseguir provar a autoria, a Globo ameaça com demissão.


O vazamento acabou tirando a novela da capa de uma revista semanal. Irritado, o autor João Emanuel Carneiro prometeu mudar pelo menos uma parte do final. Pela nova versão, não será mais Lara (Mariana Ximenes) quem atira em Flora (Patrícia Pillar), que não morre.


O novo final seria gravado ontem. O diretor-geral da novela proibiu a própria emissora de fotografar as cenas.


Sobrou estresse até para o bem-intencionado departamento de chamadas. A área foi repreendida por veicular, logo após o capítulo de terça, uma chamada que acabava com todo o suspense da ação daquele dia, mostrando que Donatela (Cláudia Raia) não morreu e que Flora, enfim, confessou seus crimes em um teatro, o que só iria ao ar na quarta.


MUTAÇÃO 1


Por muito pouco a Record não cancelou a terceira temporada de ‘Os Mutantes’. Nesta semana, o bispo Honorilton Gonçalves, número um do artístico da emissora, convocou uma reunião e comunicou que a novela, em baixa no Ibope, acabaria em março.


MUTAÇÃO 2


Tiago Santiago, autor da história, lançou um discurso sentimental e convenceu Gonçalves a voltar atrás. Mas ‘Mutantes 3’ será curta. Acaba em julho.


MUTAÇÃO 3


A história será outra. Sai de São Paulo e vai para o Rio. Troca o realismo fantástico pelo realismo. O elenco muda, com Renata Domingues como protagonista. O título também: ‘Promessas de Amor’. Dos mutantes, só sobram os jovens.


MODELO


Mais ou menos nos moldes da Globo, a Band passará a ter um comitê ‘para recomendar e criticar a programação’, de acordo com o vice-presidente Marcelo Meira. O ‘órgão’ reunirá executivos do artístico, comercial e programação.


PODEROSA


Meira nega que Elisabetta Zanatti tenha perdido prestígio com a nomeação de Hélio Vargas diretor de programação, área antes sob o guarda-chuva da executiva, que agora fica ‘só’ com artístico e produção. ‘A Elisabetta está bem. É uma comandante competente’, diz.


MUDANÇA


A MTV vai transmitir na madrugada de quarta o evento ‘Be the Change: Live from the Inaugural’, show comemorativo da posse de Barack Obama.’


 


 


Mônica Bergamo


Nem Nós


‘Baixou o ‘Big Brother’ no ‘Fala que Eu Te Escuto’, da Record, na quarta. Com imagens da atração global tiradas da internet, o programa discutiu se os participantes de reality shows ‘o fazem por fama, ganância ou diversão’.


Por telefone, telespectadores reclamavam da falta de conteúdo cristão na TV, quando um dos pastores-apresentadores disparou: ‘Mas se colocar um reality show cristão no ar, nem os cristãos vão assistir’.’


 


 


Fernanda Ezabella


‘Como Funciona’ estreia com cerveja


‘Cervejeiros de plantão, atenção, a cerveja pode acabar num futuro não muito distante. Pelo menos é o que diz o episódio de estreia da série ‘Como Funciona’, que o canal pago The History Channel leva ao ar a partir de hoje.


Apresentados pelo engenheiro de robótica e autor de livros Daniel H. Wilson, os programas vão se debruçar também sobre ferramentas elétricas e robôs, além de inusitadas sapatilhas e tatuagens. No primeiro capítulo, Wilson analisa a história da cerveja, discorre sobre seus tipos e conta como é fabricada e comercializada nos dias de hoje. Entre curiosidades, diz que a primeira receita de cerveja inventada pelo homem foi escrita, em pedra, há 10 mil anos.


O programa também afirma que a bebida vende mais que refrigerante e vinho. E que, por ano, são consumidos no mundo todo cerca de 150 bilhões de litros, o equivalente a 60 mil piscinas olímpicas. Na próxima sexta, o tema é o aço e seus 3.500 gêneros. Material leve e econômico, está em edifícios, armas, obras de arte e até em nosso corpo.


Já sobre as ferramentas, diz que os primeiros artefatos mecânicos foram criados pelos egípcios e que hoje há aparelhos capazes de cortar uma montanha no meio.


COMO FUNCIONA


Quando: hoje, às 23h


Onde: The History Channel


Classificação: não informada’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 16 de janeiro de 2009


 


CRISE
Ana Paula Lacerda


Demissões chegam também ao Google


‘Mesmo sendo considerada, segundo a revista Fortune, a melhor empresa para se trabalhar nos EUA, o Google acaba se comportando como um empregador comum nos momentos de crise. É hora de fazer ajustes de orçamento… e cortes.


A empresa anunciou ontem a demissão de 100 pessoas do setor de recrutamento e seleção em todo o mundo. Mas não informou se esses cortes afetam o Brasil. ‘O Google reconhece o desconforto que isso causará para os profissionais afetados, mas espera que muitos deles encontrem novas possibilidades em outras áreas dentro da companhia’, escreveu no blog oficial da empresa (googleblog.blogspot.com) o vice-presidente de operações de pessoal do Google, Laszlo Bock.


Ao anunciar os resultados do terceiro trimestre, no ano passado, a empresa já havia anunciado a intenção de reduzir o ritmo de contratações. O presidente da empresa, Eric Schmidt, já havia dito que a empresa manteria os olhos atentos aos custos.


Após esse anúncio, os contratos com empresas de recrutamento foram renegociados, e o pessoal do Google que lidava com essas empresas acabou perdendo espaço. ‘Dada a situação atual da economia, reconhecemos que precisávamos de menos pessoas focadas em recrutamento’, afirmou Bock. ‘Tentamos eliminar quase todos os nossos contratos terceirizados, e é com grande tristeza que reconhecemos precisar ir além disso e demitir.’


A empresa anunciou também o fechamento de três escritórios: em Austin (EUA), em Trondheim (Noruega) e Lulea (Suécia). A empresa afirmou que tentará realocar os 70 funcionários desses três escritórios em outras localidades. Porém, ‘admite com dores no coração que talvez não seja capaz de aproveitar 100% desses funcionários excepcionais’, nas palavras do vice-presidente de engenharia e pesquisa do Google, Alan Eustace. Em setembro, a empresa já havia encerrado as atividades na cidade americana de Phoenix.


Muitos dos escritórios restantes viram suas cafeterias gratuitas serem fechadas. E o presente de fim de ano da empresa, que em geral era algo ao redor de US$ 1 mil, foi trocado por um celular de US$ 400.


PROJETOS CANCELADOS


Apesar de o total de dispensados ser pequeno em comparação ao total de funcionários da empresa (cerca de 20 mil ao redor do globo), o momento atual é um dos mais duros para o Google desde sua criação. As ações da empresa caíram de US$ 741 em novembro de 2007 para menos da metade desse valor. Na manhã de ontem, eram negociadas a US$ 290.


Alguns projetos em desenvolvimento pela empresa foram cancelados ou terão suas operações reduzidas. O Google Video, por exemplo, já era considerado um projeto excedente desde a aquisição do Youtube, em 2006, e será completamente fechado em alguns meses. O mesmo acontecerá com o Dodgeball (um programa que permitia aos usuários informar sua localização por SMS), Mashup Editor e Catalog Search.


O Google Notebooks não aceitará novos usuários . Continuará funcionando, porém sem futuras atualizações para quem já o utiliza. E o desenvolvimento do Jaiku, um recurso para produção de microblogs (nos moldes do Twitter), não avançará. O Jaiku será oferecido como um projeto de código aberto no Google Code.


Outros serviços que não alcançaram boa audiência, como o SearchMash, um serviço de busca em que a empresa testava novas fórmulas, e o Lively, uma espécie de Second Life, já haviam sido encerrados no ano passado.


PROJETOS DELETADOS


Jaiku: Plataforma para a criação de microblogs, como o Twitter. Será oferecido como código aberto no Google Code


Dodgeball: Serviço que permitia os usuários, por meio de mensagem de celular, informar sua localização exata. Será cancelado nos próximos meses


Mashup Editor: Editor de código online – sem interface gráfica – que aceita HTML, CSS e JavaScript. Foi cancelado


Google Notebook: Permite armazenar links, imagens e textos na web, podendo ser lidos de qualquer computador conectado à rede. Não aceitará novos usuários


Catalog Search: Serviço de busca em catálogos disponíveis online. Foi cancelado


Google Videos: Plataforma para publicar e exibir vídeos na web. Obsoleto desde a compra do YouTube, em 2006, foi cancelado’


 


 


TELES
Gerusa Marques


Anatel processa Oi e Telefônica por banda larga


‘A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu processo contra a Telefônica e a Oi por descumprirem a meta de levar internet em alta velocidade a escolas públicas. As duas empresas só atingiram 70% da meta prevista para 2008, em compromisso assumido com o governo em abril passado. A Oi também responderá a processo administrativo na Anatel por ter deixado de instalar infraestrutura de banda larga em metade dos municípios que deveriam ter sido atendidos por ela.


Pelo acordo feito com o governo, a Telefônica deveria ter levado o serviço gratuito de internet banda larga a 3.665 escolas no Estado de São Paulo até 31 de dezembro de 2008. Mas 1.117 escolas ficaram de fora. A Oi, que opera em 16 Estados, tinha meta de beneficiar 12.680 escolas, mas deixou 3.856 de fora do programa. A Sercomtel, da região de Londrina, cumpriu apenas 86,7% da meta. Já a Brasil Telecom e a CTBC atenderam a todas as escolas previstas.


No total, as empresas deveriam ter levado banda larga a 22.693 escolas, mas 5.134 ficaram sem o serviço. O gerente geral de Serviços Privados de Telecomunicações da agência, Dirceu Baraviera, disse que Oi e a Telefônica terão até abril para atualizar o programa. Além disso, elas terão de cumprir as metas previstas para 2009, que prevê mais 22 mil escolas.


Segundo Baraviera, as empresas disseram à Anatel, em reunião realizada ontem, que tiveram problemas na implantação do programa e apresentaram como uma das justificativas o fato de que as escolas estiveram fechadas em boa parte do mês de dezembro. Ele revelou, no entanto que as empresas deixaram muitas escolas para o último momento. A multa às empresas poderá chegar a R$ 25 milhões no caso das escolas e a até R$ 50 milhões no caso da infraestrutura.


Apesar dos problemas, o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, disse que o número de escolas atendidas – de 17.861 – é positivo. ‘Não posso dizer que é um número que não nos agradou’, afirmou.’


 


 


TELEVISÃO
Patrícia Villalba


Autor muda final


‘Mais uma vez alvo de competentes bisbilhoteiros, o autor João Emanuel Carneiro admite que teve de mudar o capítulo da sua A Favorita, que vai ao ar hoje na Globo. ‘Mudei mais ou menos, e fiquei muito chateado com isso’, disse ele ao Estado ontem. ‘A sucessão de acontecimentos estava na minha cabeça há muito tempo. Minhas novelas são bastante planejadas.’


João Emanuel é o tipo de autor que gosta de surpreender o público com reviravoltas e A Favorita era trama certa para isso. Por isso, sofreu com a especulação durante os sete meses em que ficou no ar. Lá pelo meio da trama, inclusive, um ator veterano chegou a plantar informações falsas nos bastidores, afim de desmascarar o provável espião.


No desfecho, Flora (Patrícia Pillar) receberá um tiro. No original, este tiro era dado pela própria filha dela, Lara (Mariana Ximenes). Agora, a vilã pode ser atingida por qualquer outro dos seus desafetos – e, olhe, não são poucos. Com boca de siri, obviamente, Carneiro não conta se Flora vai morrer ou não. Mas as informações dos bastidores são de que o autor, apesar do tiro, pretende punir a maldita com cadeia mesmo, não com a morte.’


 


 


Patrícia Villalba


‘Bem que tentei defender o Bôscoli, mas não deu’


‘O controverso papel do jornalista, compositor, produtor e galã Ronaldo Bôscoli na minissérie Maysa – Quando Fala o Coração, da Globo, passou pelas mãos de Rodrigo Santoro e Ricardo Lombardi antes de cair nas mãos de Mateus Solano que, pouco conhecido do grande público, acabou se tornando sensação da temporada. E por feliz coincidência, ao mesmo tempo em que o último capítulo de Maysa vai ao ar hoje, o ator sobe pela primeira vez ao palco como Horácio, na reestreia do Hamlet de Wagner Moura, substituindo o ator Caio Junqueira.


Com apenas 27 anos, Solano começou a carreira no teatro há 12. Desde então, esteve em cerca de 30 peças – seis delas só no ano passado. O Bôscoli cafajeste, que deixou a audiência doida da vida ao lançar um ‘gorda! cafona!’ na cara de Maysa em capítulo exibido na semana passada é o seu primeiro papel de destaque na TV. Mais ou menos isso. Ao ver o moço todo charmoso nos anos 60 da minissérie, poucos devem ter se dado conta de que ele vive o personagem ‘O Ligador’ de uma série de comerciais de uma operadora de celulares. Sobre essa carreira singular, que vai da publicidade a Shakespeare, o ator conversou com o Estado por telefone, um dia antes de chegar a São Paulo para o ensaio-geral de Hamlet.


Como apareceu o convite para integrar o elenco de Hamlet? Desde quando você está ensaiando?


Desde o ano passado. Desde que soube que entraria no elenco, tenho repassado o texto. Conheci o Wagner (Moura) nas gravações da minissérie JK (de 2006, na qual viveu o médico Julio Soares, na primeira fase da história), planejamos trabalhar juntos no teatro um dia. Muito tempo depois, fui ver a peça e fiquei muito entusiasmado. Um dia, encontrei com o Wagner na rua. Ele me contou que o Caio Junqueira ia sair do elenco e me chamou.


É o seu primeiro Hamlet?


Sim, primeiro Hamlet e primeiro Shakespeare. Eu já fiz mais de 30 peças – só no ano passado foram seis -, mas sempre de autores contemporâneos.


Você não é, então, o tipo de ator que tem fetiche pelo Hamlet?


Não, não. Você tem razão, tem mesmo atores que perseguem Shakespeare. Acho que é um texto maravilhoso e estou feliz de poder participar dessa montagem agora, mas Shakespeare não era uma tara minha, não.


Falando de Maysa, o que você buscou do Ronaldo Bôscoli real para compor o Bôscoli da TV?


Não quis procurar parentes ou pessoas que conviveram com ele para não alimentar expectativas. O que eu fiz logo de cara foi ler a autobiografia dele, que já me deu uma noção muito clara sobre como ele era. Só a maneira de ele escrever já diz muito sobre quem ele foi, com aquele jeito bem carioca, charmoso.


Se Maysa fosse uma novela, uma ficção simplesmente, o seu Ronaldo Bôscoli seria o cafajeste do pedaço, que aparece para tirar a mocinha do prumo. Não teve algum receio de viver um personagem assim, sendo ele uma pessoa real e, ainda por cima, contemporânea?


Tive uma preocupação, sim, mas nesse sentido mesmo que você falou, por ele estar representado como um cafajeste e ser uma pessoa real, que ainda estaria na memória de muita gente. Mas, aos poucos, fui deixando isso de lado, porque muita gente que conheceu o Bôscoli me diz que ele era daquele jeito mesmo, bastante mulherengo. Como ator, eu até tentei defender o personagem, mas nesse caso não deu (risos).


De repente, ele até gostava dessa fama…


Acho que gostava, sim! Mas ao mesmo tempo em que ele era daquele jeito, namorador, escrevia coisas como ‘Dia de luz/festa de sol/ e um barquinho a deslizar/ no macio azul do mar’. Era um poeta maravilhoso.


Quer dizer que você é O Ligador dos comerciais? É muito reconhecido por causa papel?


Não. Aquela caracterização, com barba e óculos, me protege. É como o disfarce do Clark Kent. Ele é um cara sem jeito, meio jeca, e ficou muito diferente das outras coisas que eu faço no teatro e, agora, na televisão.


Entrei numa fila para entrevistar você. Que tal ser o ator sensação do verão?


Sensação do verão, eu? Não… Sensação do verão é esse sol do Rio de Janeiro…


Serviço


Hamlet. 170 min (c/ intervalo). 14 anos. Teatro Faap (500 lug.). R. Alagoas, 903, 3662-7233. 6.ª e sáb., 20 h; dom., 18 h. R$ 80. Até 15/2′


 


 


 


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