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Sábado, 18 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CADERNO DO LEITOR > SIM AO CONSELHO

Bronca na categoria

17/08/2004 na edição 290

Dizer que o governo é autoritário e que há uma escalada no país em direção ao autoritarismo é forçar demais a barra. O governo propôs o projeto, que foi discutido por sindicatos e associações de jornalistas. Se existe gente insatisfeita com qualquer parte do projeto (é só um projeto) que se manifeste. Os jornalistas já deveriam ter se manifestado. A impressão que passam os jornalistas é que ninguém sabia da proposta da criação do conselho, e que foram pegos de surpresa, quando a proposta existe desde a Constituinte. Atacar o projeto da maneira como atacam mostra a nós, platéia, que os jornalistas são os últimos a saber do que acontece com a própria categoria. Ou são burros ou mal informados.

Outra observação que faço é com relação ao decantado bom relacionamento dos jornalões com o governo. Se falassem isto no tempo do FHC eu concordaria. Acho até que a grande imprensa e seus jornalistas mais destacados têm grande responsabilidade na situação de crise que passa o país, especialmente nos últimos 10 anos. Se tivessem dado uma grita parecida com esta que dão agora em relação ao CFJ na política econômica daquela época o país não estaria nesta eme. Mas é só fazer uma pesquisa nas manchetes dos jornais de 94 para cá que verão a enorme disparidade de tratamento que recebeu FHC e o que está recebendo Lula. Até o ombudsman da Folha reconheceu isto. Ou seja, os jornalistas ou são burros ou são mal informados ou mal intencionados.

João Carlos Luz, engenheiro, Campinas, SP



Abuso de poder

Em relação à criação do Conselho Federal de Imprensa, gostaria, como cidadão comum, manifestar-me favorável a sua criação, pois há um abuso do poder da mídia. Por vezes sinto que muitos jornalistas evocam a liberdade de imprensa do mesmo jeito que alguns parlamentares evocavam a imunidade parlamentar para encobrir crimes comuns. Lembro-me que no período Collor era comum publicar boato, sem falar na Escola Base. Não acredito que haja liberdade de imprensa, e sim uma ditadura, pois se lermos os principais jornais do Rio de Janeiro veremos que o enfoque da notícia é o mesmo, com exceção de algumas colunas.

Cláudio Guilherme Martins



Autoritarismo da imprensa

Autoritarismo. A principal crítica que a Veja faz ao projeto encampado pelo governo federal e elaborado por uma associação de jornalistas. Me perdoem, mas, em momento algum da reportagem eu li questões específicas no que se refere ao citado projeto. Contudo, autoritarismo não é só o do governo, mas também o da imprensa que sequer aceita discutir a questão na ‘casa do povo’, ou seja, o Congresso. Será que as pessoas comuns que não dependem da imprensa para estar em evidência assim pensam também?

Em sua reportagem, Veja cita os casos de Eduardo Jorge, que até deu depoimento contrário ao projeto, do ex-ministro Alceni Guerra e do ex-deputado Ibsen Pinheiro. Por que não entrevistaram algum dos acusados no caso Escola Base? Ou um dos acusados no caso Bar Bodega? Será que eles, pessoas comuns, que tiveram suas vidas dilaceradas pela imprensa mais séria e responsável deste país concordariam com estas posições?

O controle não pode ser pensado para os famosos, que prestaram depoimento a Veja, e que dependem da mídia para estar em evidência. Deve ser feito para as possíveis vítimas de novos Escolas Base e Bares Bodega. A Justiça é apenas para a indenização, mas profissionais irresponsáveis como os que efetivaram aquelas reportagens, e não tiveram a hombridade (ou humanidade) de se redimirem publicamente como atacaram publicamente, devem ser punidos administrativamente, e até impedidos de exercer a profissão, como acontece com advogados (sou advogado e conselheiro da OAB em minha subseção, onde diversos profissionais já foram suspensos ou cassados, estando impossibilitados ou totalmente impedidos de exercer sua profissão, por atitudes antiéticas), médicos (o cirurgião-plástico que mutilou várias mulheres é apenas um caso), juízes, promotores, policiais e políticos.

Por que não os jornalistas? Eles estão acima da lei? Dos códigos de ética? Por que todas as outras organizações devem ter códigos de ética que regulam sua profissão e os jornalistas não? Qual o seu receio? Ou será que no meio não há maus profissionais como em todas as outras classes? Hoje, cerca de 10 anos após os casos da Escola Base e Bar Bodega, não vi, ou li, nenhum dos órgãos de imprensa que destruíram publicamente aquelas pessoas se desculparem por estes atos. Talvez tenham o mesmo medo (ou vergonha) que acompanharam os Estados Unidos após o Vietnã, somente exorcizado com filmes.

Apesar da reportagem, não aceitar a discussão que está sendo proposta sobre a ética e o controle necessário de todas as atividades profissionais é permitir o autoritarismo da imprensa, que tudo pode e tudo faz, sem controle algum da sociedade ou de seus pares. Sou advogado e faço parte do controle de meus pares, tendo sido eleito para esta função. Se vivemos num estado democrático de direito, os jornalistas também devem seguir um Código de Ética, elaborado e fiscalizado por sua classe, para que, aí sim, quando ocorrerem novos casos como os absurdos acima, os irresponsáveis sejam punidos e responsabilizados.

Wilson Marcos Santos, advogado, Pouso Alegre, MG

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