Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

CADERNO DO LEITOR > NÃO AO CONSELHO

Contra as barbaridades

17/08/2004 na edição 290

Considero essencial e oportuno o debate que abriu em torno desse famigerado conselho. Sou uma assessora de imprensa que fez jornalismo nas muitas vezes em que ocupou esse cargo. Respeitei meus colegas e jamais quis que olhassem os fatos sob o prisma da conveniência dos que servi profissionalmente; e para esses sempre ofereci uma visão sobre o jornalismo que os fizesse entender, respeitar e considerar essencial nosso trabalho. Convenci-me de que o governo lançou o CFJ para desviar a atenção dos verdadeiros jornalistas dos desmandos praticados pelo aparelho do PT dentro da máquina administrativa, deixado assim o campo livre para que eles pratiquem as barbaridades que a imprensa vem denunciando. Ou seja, obriga-nos ao debate de assuntos de interesse da classe como se fossemos perder o foco do que está acontecendo no País dos Não-Genoínos.

Desconfio que querem atenuar também a postura dos jornalistas que protestam contra a corrupção que assalta o país (assalta, sim, é o melhor verbo). Engana-se Ghedini quando afirma que a maioria dos jornalistas aprova o conselho. Com certeza isso é coisa da CUT, que não me representa, como não concordo que a federação seja atrelada a ela nem a nenhum aparelho partidário. Tenho 32 anos de profissão e precisei conhecer o PT no governo para sofrer na pele uma das mais inomináveis perseguições. A Embratur manobrou para retirar-me do cenário do jornalismo de turismo simplesmente porque tive a ousadia de questionar a maquiagem dos resultados e as mentiras propaladas no setor, como sinalizei para os desmandos administrativos que estavam adotando em diversas ocasiões. E optou por calar a minha voz. Definitivamente, não ao Conselho. Quem sabe uma ordem? Grande abraço e toda a minha admiração, que é antiga: entrei no JB em 1973, portanto, fui foca e sua pupila a distância.

Ritamaria Pereira Lira, jornalista, Brasília



Para que serve?

A Fenaj é filiada à CUT e, portanto, no meu modo de ver, estaria interessada em promover o tal conselho, justamente para obrigar que os profissionais lhe sejam filiados e portanto, aumente as contribuições s seus cofres. Diante da falta de competência da Fenaj e de outros órgãos destinados à representação do operador de imprensa, buscam agora uma fórmula de obrigá-los a custear a incompetência ali reinante. A questão é: para que serve um Conselho Federal de Jornalistas, se nem mesmo os sindicatos e a Fenaj trazem qualquer benefício a um mercado diariamente inundado por ‘profissionais’ cada vez mais desqualificados?

Barboza Jr., jornalista, Jaboticabal, SP



Autoritarismo inequívoco

A opção do jornalista Dines parece ser a melhor alternativa. Lamenta-se que o governo tome a iniciativa dessas medidas, que têm um fundo inequívoco de autoritarismo.

Victor Gabriel Rodriguez, advogado, São Paulo



Algo de 1984

Há algo neste contexto que não sei explicar… Lembra-me 1984, de George Orwell. Por que será?

Elizabeth Gentili, São Paulo



Seleção natural

A criação de um Conselho Federal de Jornalismo é um paradoxo tremendo. Com o processo de abertura política, conseguido a duras penas, com uma imprensa livre, pretende-se a volta da ditadura, da fiscalização! Um verdadeiro absurdo! Temos de levar em conta que o mercado faz a seleção natural dos bons e maus veículos, dos bons e maus profissionais. Acho essa medida absurda, autoritária, arbitrária e movida pela questão das revelações dos escândalos atuais envolvendo o PT. Na verdade, o governo está querendo imitar Cuba e instalar um governo autoritário.

Devemos tomar muito cuidado pois, ‘água mole em pedra dura, tanto bate até que fura’, ou seja, de pouquinho em pouquinho, vão nos cerceando a liberdade de comunicação. Além disso, a criação desta entidade só visa garantir emprego de sindicalistas envolvidos até o pescoço com o governo!

Alberto M. Danon

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