Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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CADERNO DO LEITOR >

Desinformação geral

24/08/2004 na edição 291

Tenho acompanhado esta questão do CFJ não só pelo OI, como pelo Ponto Futuro (www.pontofuturo.org/home/), e verifico que existe uma certa desinformação de alguns jornalistas, inclusive alguns pertencentes a este OI. Neste artigo que comento [‘Ameaça que paira no ar’], o autor no segundo parágrafo cita:

‘Pois muito bem, não há e nem deve haver, para o exercício livre do jornalismo e o atendimento do que diz a própria Constituição: ‘É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença’ (artigo 5º, inciso IX).’

A associação do conteúdo à citação do artigo mostra a incapacidade de interpretação da vinculação legal, mas isto não incomoda tanto, pois o autor não tem competência para tal interpretação. Imagine se fosse um juiz de direito investido de tal atribuição. O problema está em que publicou sua interpretação num veículo de comunicação, e imperativamente induziu a leigos, ou simpatizantes, tal interpretação. A coisa complica já no terceiro parágrafo, quando afirma:

‘O tal CFJ seria uma autarquia pública, com finanças fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União’.

E conclui associativamente. Pergunta-se ao autor: onde ele obteve a informação da assertiva? Até agora não consegui tal informação, pois, ao que tudo indica, o CFJ e os CRJs seriam organizações não-governamentais (são .org, e não .gov), cuja receita seria estabelecida pela lei oriunda do projeto de lei, igualzinho aos outros CF/CR que já existem (Confea/Crea, CFM/CRM, OAB e outros). Sob o ponto de vista jornalístico acho que o único parágrafo aceitável seria o último, no qual apresenta seu manifesto de repúdio, mesmo assim considerando a liberdade que ele tem de fazê-lo e parece não enxergar que terá sempre.

Emir Araújo, engenheiro, Florianópolis



Que passividade…

Este conselho é totalitário, e pasmo ao ver a passividade com que setores da mídia, por capitulação ao oba-oba ‘lulista’, vêm aceitando este fato com visível embascamento. Quanto ao ‘denuncismo’ (o termo não está no Aurélio) alegado pelo governo, como professor de Português sempre fiz ver aos alunos que denunciar e ‘dedurar’ são verbos equivalentes, só que o uso de cada um deles depende da posição em que se está politicamente.

Explico-me: quando alguém (no caso, do governo) é acusado de alguma coisa diz que está sendo ‘dedurado’, já que o verbo ‘dedurar’ tem conotações pejorativas e soa a alcagüetar ou a ‘entregar’ alguém a quem de direito. Já quando ele acusa, diz estar denunciando, pois o verbo denunciar tem conotação nobre de levar a conhecimento de outrem irregularidades cometiodas por quem quer que seja. Ou seja, o verbo ‘dedurar’ nunca é conjugado na voz ativa mas apenas na passiva (ninguém diz ‘eu estou dedurando’ mas sim eu estou denunciando ou então estou sendo ‘dedurado’).

Tudo isso não passa de uma cínica manipulação semântica a serviço da politicagem nossa de cada dia. Na oposição o PT denunciava (e nunca chamou isso de ‘denuncismo’!). (…) Moral da história: quem está no poder é sempre o mocinho. Bandidos são… os outros.

Hamilton Cesar Castro Carvalho, advogado, professor de História e Lingüística, Petrópolis, RJ



O problema somos nós

Será que o problema não está também em nossos jornalistas? Aqui em Salvador temos um programa de TV que faz matérias de cunho sensacionalista, cujo apresentador não se preocupa em averiguar a veracidade das informações. Seu programa é pautado em notícias forjadas e na maioria das vezes totalmente deturpadas. A postura do apresentador é de extremo escárnio diante de suas vítimas. (…) É preciso combater esse tipo de jornalismo que vem conquistando um espaço cada vez maior.

Conceição Ferreira de Souza, estudante de Jornalismo, Salvador



Obra do ‘politburo’

Alberto Dines, parabéns pela sua colocação quanto a esse execrável Conselho. Como bem dizia o nosso Millôr, ‘Conselho Superior de Censura?’ – se é de censura não pode ser superior. Esse texto obra do no ‘politburo’ do Planalto, esse tal Conselho Federal de Jornalismo, além de cheirar a naftalina, só fala das ‘obrigações’ dos jornalistas. E quanto aos direitos dos jornalistas, nada? Esses furibundos senhores querem se perpetuar no poder através do nosso silêncio. É isso. Ordem dos Jornalistas é que é, que venha ela, mas nunca orquestrada pelo Dirceu e os seus acólitos nefelibatas.

José Alberto Braga, Lisboa, Portugal



Sobre o próprio rabo

Grande parte dos jornalistas vê o direito (poder) de informar como absoluto, e sob esta ótica comete absurdos, como invasão de privacidade, agressões e muitas outras atitudes e ações que deveriam ser contidas por outros direitos da cidadania. Quando vejo o [Boris] Casoy falar de corporativismo de outras profissões ou corporações lembro-me imediatamente daquela estória do cachorro que, sentado no próprio rabo, falava mal do rabo dos outros cachorros. Há muito corporativismo no meio jornalístico, talvez maior do que em qualquer outro segmento profissional.

Djalma Prado Filho, economista, Belo Horizonte

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