Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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CADERNO DO LEITOR >

História mal contada

24/08/2004 na edição 291

Essa história de Ibsen Pinheiro e Luís Costa Pinto, que transformou Alberto Dines em cabo eleitoral de Ibsen Pinheiro, está muito mal contada. A passividade do ex-deputado, diante da confissão do jornalista, é inexplicável (não vai processar nem a revista nem o jornalista que ‘destruíram’ sua vida). Mais ainda: na entrevista a Luiz Egypto, Ibsen Pinheiro diz que não se recorda se, em maio de 2000, durante a exibição do OI na TV, já tinha ouvido falar ou não sobre a falsidade da notícia, apesar de ter dito, antes, que só havia tomado conhecimento do fato quando Luiz Costa Pinto o revelou.

É estranho ou não uma pessoa não lembrar se tomou conhecimento de um acontecimento tão marcante na vida dela? Ele se lembra, por exemplo, de um jantar com o mesmo jornalista, em novembro de 2000. Acho que essa história deve ser melhor apurada. A Veja diz que fez a correção sobre os valores na edição posterior, então Ibsen Pinheiro não pode ter sido cassado por causa da reportagem. E é muito conveniente para ele, agora que é candidato a vereador, ter a ficha limpa porque a sujou. Apesar disso, gozava da confiança dele. Acho bom também Alberto Dines tomar mais cuidado ao recomendar votos em determinados candidatos.

Rogério Ferraz Alencar, técnico da Receita Federal, Fortaleza

Nota do OI: Prezado leitor, o Observatório da Imprensa insurgiu-se contra o linchamento do cidadão em questão já na época em que ocorreu. Coerência no combate à irresponsabilidade da imprensa independe de eleição – e de opiniões apressadas.



Foi tudo mentira?

Será que foi tudo mentira o que foi levantado na CPI do Orçamento contra tal personagem, que teve seus minutos de fama na cassação do presidente Collor? Não é crível que SÓ 11 anos depois, no prefácio de um livro da suposta vítima, venha a confissão de um jornalista de que divulgou números com zeros a mais. Esse jornalista hoje é assessor da Presidência da Câmara dos Deputados e anteriormente trabalhou com os deputados petistas Aloísio Mercadante, hoje senador, e o saudoso Celso Daniel, outro caso que não quer calar, portanto com larga tradição petista. Coincidência? A confissão vem exatamente no momento em que o governo envia ao Congresso o projeto que cria mais um cartório no Brasil, nos moldes da OAB, entulho do autoritarismo getulista, o Conselho Federal de Jornalismo, para regulamentar e fiscalizar a profissão e punir seus abusos, como se já não houvesse legislação copiosa a respeito.

Será que Ibsen Pinheiro, como o bom cristão, deu a outra face para lhe baterem e ficou calado 11 anos diante de tamanha injustiça? Não estamos falando de um parlamentar qualquer, Ibsen foi presidente da Câmara, naquele momento histórico de cassação de um presidente. E era do PMDB, partido forte. Por que não se defendeu, por que não cobrou defesa, não mostrou com documentos que tinha havido engano tão grosseiro? E por 11 anos calou? Será que nenhum dos seus colegas ficou solidário com ele, por insondáveis razões que só políticos têm? E o Ministério Público, do qual ele foi integrante no Rio Grande do Sul, antes e depois de ser político? E a Justiça? Todos engoliram a ‘mentira’? Que complô digno de peça kafkiana… Estranho, muito estranho!

O título do livro deveria ser O Cristo revivido (se é que já não existe alguma obra com esse nome).

José Paulo Andrade, jornalista, São Paulo



Armadilhas da imprensa

Ainda bem que encontrei nesse site algum jornalista com maior coerência e honestidade para colocar em debate as armadilhas que a própria imprensa cria para si mesma. Este Observatório com certeza deverá ter espaço no Conselho de Jornalismo para manifestar suas críticas e ajudar a construir um instrumento capaz não apenas de permitir espaços para manifestações contra a comunicação abusiva, mas com possíveis meios de punição para equilibrar os limites que hoje parecem não existir nas raias do Quarto Poder. Será que o erro que destruiu a carreira de um político como Ibsen Pinheiro deverá simplesmente passar em branco?

Rodrigo Rocha, publicitário



Revista desesperada

Adorei a confusão que a história do Ibsen Pinheiro gerou, principalmente por ter deixado a formadora de péssima opinião chamada revista Veja desesperada.

Antonio Vinicius Santos, estudante, João Pessoa



Imprensa paga

Não se trata de remorso, é descaradamente uma investida da imprensa paga ou comprometida visando aprovar o CFJ.

Francisco Aldeci, funcionário público, Natal



Certeza da impunidade

A certeza da impunidade, alimentada inclusive pela lentidão da Justiça brasileira, favorece procedimentos desta natureza. Setores da imprensa nunca deveriam abrir mão dos critérios da ética e da verdade na veiculação de qualquer matéria. A imprensa forma e informa. Não tem como esquivar-se destes atributos.

João Carlos M. Lopes, pastor batista, Rio de Janeiro

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