O exemplo de Médici | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Domingo, 19 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CADERNO DO LEITOR > DENÚNCIA & DENUNCISMO

O exemplo de Médici

10/08/2004 na edição 289

Que a democracia é o melhor caminho para uma nação trilhar, concordamos todos. Na visão do cidadão comum, confundem as comparações do tratamento que ele recebe do Estado hoje e fatos como este, aludido na matéria [‘A ditadura tinha mais vergonha’, remissão abaixo], ou outros como aquele em que o Médici, no cargo de presidente, fez venderem cabeças de gado pertencentes à família de sua esposa, antes de aprovada uma lei que o beneficiaria, se vendidos depois da aprovação da tal lei.

Qual presidente, governador, prefeito, senador, deputado, vereador, presidente de Banco Central, do Banco do Brasil, teriam atitudes semelhantes, hoje? Será que hoje o cidadão comum, mesmo votando, vive realmente numa democracia? Quando o cidadão comum obtiver em troca dos seus esforços a devolução pelo Estado de escolas de bom nível, bem-estar e respeito pelos direitos, por enquanto uma ficção, teremos então uma democracia.

Voto, escolas e imprensa responsável e livre de patrulhas ideológicas fazem parte do processo. ‘Mas bocas malditas’? ‘Bocas malditas’ também ajudam a eleger quem apresenta seu currículo eleitoral, apenas o fato de ‘ser filho do rattus norvegicus‘ (no diminutivo).

Luiz Alberto Mezzomo, administrador, Curitiba



Pornografia explícita

Quando ouvimos declarações de cunho político de atores, atrizes, cantores, enfim, cidadãos e cidadãs do mundo artístico deste país e, portanto, da mídia, e que o fazem em prol da parcela da sociedade mais necessitada e contrária aos interesses dos homens públicos, tem-se a sensação de que algo de bom pode vir a ocorrer, pois sua influência e carisma sobre a massa é inquestionável, em virtude de sua arte. É lógico que todos democraticamente têm o direito de apoiar ou não, concordar ou discordar e criticar ou elogiar qualquer partido político e qualquer um de seus representantes, tanto em palanques de campanha quanto depois, quando já estejam no poder.

(…) Ninguém ignora que os artistas subiram no palanque do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, o que é seu direito, mas agora vir querer ‘cobrar uma fatura’ altíssima e de um órgão público, sob a administração de seu preferido político é, no mínimo, imoral, incoerente e uma pornografia explícita, de vez que o dinheiro que lá está não é do presidente nem do PT, mas da sociedade. (…)

Lúcio Reis, aposentado, Belém

Leia também

A ditadura tinha mais vergonha – Deonísio da Silva



Melhor correr o risco

Bem, talvez eu precise entender melhor como se deve tratar a publicação de uma denúncia. Contudo, se há investigação por parte das autoridades governamentais, os veículos que tiverem acesso devem publicar as denúncias. Mesmo dentro das leis, há a corrupção. Por isso, publicar uma matéria de grampo, que desrespeite a privacidade incluída no artigo 5º da Constituição, mas que resulte na informação de um malefício causado à sociedade, é preciso. Não digo que a imprensa esteja acima da lei e por isso possa contrariar o que nossos códigos determinam. O jornalismo deve se basear nas fontes. Se essas fontes utilizaram de meios ilegais, é preciso pesar o que será noticiado. Esse ‘o que’ diz respeito ao convívio da sociedade e influencia a vida das pessoas, então é preciso correr o risco.

Rodolfo Sousa, estudante de Jornalismo, Franca, SP

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