Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

CADERNO DO LEITOR > SIM AO CONSELHO

O papel do assessor

17/08/2004 na edição 290

Discordo em vários pontos desse artigo, carregado de ideologia. Mas gostaria de comentar o ponto em que Dines fala da função do assessor de imprensa. Numa sociedade que deseja se democratizar, pois estamos longe da plenitude, o papel do assessor de imprensa, principalmente os que trabalham em órgãos públicos, está ligado diretamente à comunicação pública e ao direito à informação. Assessores e assessorias de órgãos públicos têm e estão cumprindo esse papel importante de disponibilizarem informações. E me espanta o Dines, com a experiência que tem, dizer que o jornalista é que é um comunicador imparcial. Onde ele encontra essa ‘imparcialidade’?

Termino citando fala recente de José Saramago, na Espanha, durante o seminário ‘A imprensa questionada. Uma análise da aventura informativa’: ‘O jornalista é como um camaleão que tem que disfarçar o que pensa pela cor do meio onde trabalha. De fato ele gostaria de não ter opinião nenhuma, que seria menos doloroso que ter que mudar suas idéias pelas dos outros’. Um artigo é um artigo, mas o de Dines demonstra o que é parcialidade.

Lúcio Pérez, jornalista, Belo Horizonte



Questão de sobrevivência

Muito me angustia o nível de desinformação que paira sobre a importância da criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). Precisamos parar de reproduzir o discurso das grandes empresas de comunicação e começar a lutar efetivamente por conquistas, avanços, como é o caso do CFJ. Quem se preocupa em estudar ou ler sobre a história do jornalismo no Brasil sabe que não é de hoje que buscamos instrumentos legais para fortalecer a nossa profissão e livrá-la dos ataques daqueles que não querem ver a categoria organizada. Ao contrário do afirma o artigo ‘Por que não uma OAB de jornalistas?’, o assunto foi, sim, debatido em diversos congressos estaduais e nacionais. Mas, infelizmente, tem gente que acha que é perda de tempo participar das discussões sobre a nossa profissão e acaba falando o que não sabe. Defender o CFJ é uma questão de sobrevivência.

Claudia Melo, jornalista, Belém



Na ala dos comunistas

Ao ler esta matéria recordei-me do tempo em que falar em reforma agrária era pertencer à ala dos comunistas. Pois bem, quem é contra a criação do CFJ é porque faz parte da velha ala dos maus jornalistas que não sabem diferenciar liberdade de expressão, ética, liberdade de imprensa e do pensamento, que deve servir ao povo, e não para difamar, caluniar sob o pretexto da tal liberdade de imprensa. Por que as outras profissões têm conselhos, como os médicos advogados e outros? Acho mesmo que a velha oligarquia e os senhores feudais estão aí de roupa nova, nos porões da observância e se indignando em ter que ser governados por um homem que cruza o mundo e debate com todos… sim um torneiro mecânico.

Maria Francisca da Silva Santos, jornalista de imagem, Goiânia



Exemplo clássico

Sou a favor de que seja criada ou uma ordem ou um conselho de jornalismo. O jornalista, assim como as outras profissões, deve ter algum órgão a quem responder pelos seus atos; esse papo de ser contra é puro corporativismo. O jornalista não pode falar o que quiser com a certeza de que é intocável. Esse papo de que jornalista é imparcial é muito bonito na teoria, mas, na prática, todos que têm um pouco de informação sobre o tema sabem que isso é pura conversa. A Globo faz jornalismo imparcial? E o famoso debate entre Lula e Collor, teve uma edição imparcial? Esse é um exemplo clássico do que acontece diariamente em nossos meios de comunicação. Sou completamente a favor de que se crie uma ordem ou uma federação que fiscalize e puna o jornalismo irresponsável.

Essa história de que a CUT controla o jornalismo no Brasil é pura conversa de tucano; quem realmente controla não só o jornalismo (impondo um padrão) mas as notícias é a Globo, e ela não pode ser intocável como é.

Edgard Corrêa, estudante de Jornalismo, Vitória



Eleições diretas

O texto do projeto do CFJ é claro ao estabelecer eleições diretas para a diretoria tanto do conselho federal quanto para os regionais. E mais: torna o voto obrigatório para todos os profissionais, o que evita que, por meio de quórum baixo em decorrência de desinteresse, a diretoria que venha a ser eleita não tenha representatividade. Portanto, é no mínimo desonesta, merecendo um bom artigo do Observatório da Imprensa, a alegação de que a Fenaj controlará o novo conselho federal: ‘Art. 52. A eleição dos membros de todos os órgãos dos Conselhos Federal e Regionais realizar-se-á ao final de cada mandato, no mesmo dia fixado pelo Conselho Federal, mediante cédula única e votação direta e secreta dos jornalistas regularmente inscritos e quites com suas obrigações financeiras. (…) § 1º – É obrigatório o voto de todos os jornalistas inscritos no CFJ, na forma e segundo critérios estabelecidos no Regulamento Geral.’

Merecem leitura também os artigos 46 e 51 do projeto, que reafirmam a necessidade de eleição dos diretores – sendo que o artigo 51 deixa claro, além disso, que questões relativas à ética profissional serão julgadas pelo Tribunal de Ética e Disciplina (cuja composição será diferente da do CFJ e dos CRJ e terá a participação da sociedade civil não-vinculada diretamente ao jornalismo – o que é benéfico, pois ajuda a prevenir julgamentos corporativistas, como ocorrem com freqüência nos CRM, que não costumam cassar registros de médico).

André Bueno, jornalista, São Paulo

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