Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

CADERNO DO LEITOR > LEITURAS DA VIOLÊNCIA

Para não entender

03/08/2004 na edição 288

Este é o típico texto escrito para ser lido sem ser entendido. Interessante como as pessoas que adotam (ou às quais se atribui) o epíteto de ‘filósofo(a)’ apresentam uma dificuldade imensa de se expressar de uma forma compreensível para reles mortais.

Roberto Veiga, Uberlândia, MG

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Observatório moleque

Não direi que é inacreditável porque, como disse uma amiga para quem já havia relatado os precedentes, foi uma ‘sacanagem previsível’. Quando enviei o texto ‘O outro lado sou eu’ a este Observatório, a senhora Marinilda Carvalho respondeu minha mensagem dizendo que o que escrevi não servia para publicação por falta de argumentos da crítica feita à matéria do Globo sobre as ‘Pitgirls’. Trocamos alguns e-mails e, no fim das contas, o real motivo para a não-publicação, declaradamente, era que o Observatório tinha uma tradição humanista de não-incitação à violência.

Este embate virtual com a senhora Marinilda foi para mim bem revelador a respeito daquilo que já foi chamado de ‘esquerda punitiva’. Mas isso não vem ao caso. Importa é que a disposição inicial de Marinilda de não publicar o texto era por pura e simples discordância quanto aos argumentos. Esta senhora entendeu, agora sim, inacreditavelmente, que meu texto fazia apologia da violência, no melhor e estúpido estilo dos que acusam e apontam o dedo para os ‘defensores de bandidos’.

Mas, pior do que não ser publicado, o texto saiu com a rubrica ‘Direitos do pitpeople’. Uma rubrica que não apenas nada tem a ver com o texto, como uma leitura deste desautoriza completamente este ‘enquadramento’ idiota. No que só posso concluir que não passou de molecagem, má-fé ou simplesmente uma descarada e inconseqüente ridicularização por parte desta senhora, entusiasta do prefixo ‘pit’. Marinilda disse que por ela o texto não sairia mas, como abomina censura, submeteria o texto ao seu chefe. Abomina censura, claro, mas não se faz de rogada em utilizar artifícios podres para tentar desqualificar um texto que rejeitou e não teve coragem de censurar.

Ademais, a nefasta rubrica indica também que seu autor não sabe que direitos não se referem a um grupo específico, mas à coletividade. Insinuar que direitos devam ser, digamos, esquecidos quando se trata de uma conduta desaprovada, ou criminalizada, dá conta da idéia de democracia sujacente a esta molecagem.

Registro assim minha revolta com o fato desta casa fazer uso de um artifício tão mesquinho, e decepção porque justamente é quem, no mínimo, deveria ser mais cuidadoso para não ceder às tentações do cerceamento. Peço que alguém tenha a bondade de encaminhar esta mensagem ao Sr. Alberto Dines. Não sei ao certo se ele tem conhecimento deste tipo de desrespeito aos colaboradores ilustres desconhecidos. Sim, porque duvido que aconteça com quem tenha nome suficiente para ameaçar com telefonemas o emprego de editores-assistentes.

Peço também que a senhora Marinilda tenha a dignidade de publicar esta mensagem na próxima edição, de preferência não escondida no ‘Canal do Leitor’.

Hugo Rangel de Castro e Souza, jornalista, Rio de Janeiro



Marinilda Carvalho responde

Nem em sonho pretendi fazer ‘contrabando’ com o chapéu – que, modestamente, creio, sintetiza a idéia do texto. Ter as ações analisadas, e não criminalizadas, não seria um direito? Quanto ao debate, creio também que a imprensa estava na porta da boate cumprindo (raridade!) seu papel – fosse de esquerda ou direita, punitiva ou repressora, do agrado ou não de defensores ou detratores deste ou daquele discurso acadêmico. Cães e indivíduos agressivos merecem, sim, um olhar atento e, por que não?, reprovador da mídia. Já as ofensas do estimado Hugo, embora magoem, não revelam um pitleitor, apenas maus modos mesmo. Por fim, quanto a ‘esconder’ a mensagem no Canal do Leitor: em que seção recomenda o amigo que a editora-assistente, para ser ‘digna’, publique cartas? (M.C.)



Luiz Egypto responde

O responsável final pela edição deste Observatório não acatou a recomendação pela não-publicação do artigo em questão, embora reconheça o direito (e às vezes o dever) de uma pessoa da equipe fazer esse tipo de sugestão. Debates como esse não são incomuns aos nossos procedimentos internos. O missivista teve seu texto afinal publicado e, portanto, sua reclamação circunscreve-se ao chapéu utilizado na edição, ‘Direitos do pitpeople’. Prerrogativa dele. Inadmissível, porém, o insultoso qualificativo de ‘moleque’ atribuído ao Observatório. Aqui não há moleques. Aqui há diferenças de opinião, como em qualquer espaço democrático. (L.E.)

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