Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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CADERNO DO LEITOR >

Personagem virou rotina

17/08/2004 na edição 290

Achei interessante o comentário sobre a obrigatoriedade da existência de personagens nas narrativas jornalísticas. O que poucos sabem, porém, é que em outras partes do mundo essa prática já é comum e que talvez o Brasil seja um dos últimos a aderir a ela. Aqui nos Estados Unidos, por exemplo, até os jornais impressos não dispensam a existência de um personagem, e em muitos periódicos todas as notícias locais – ou seja, do cotidiano da comunidade – são contadas sob a perspectiva de um personagem, quem nem sempre é a mais atingida pelo fato.

Outras vezes, o próprio repórter é personagem da matéria. Parece loucura! Eu mesma demorei a me acostumar e agora já nem me incomodo tanto. Já nem consigo mais entrar numa discussão sob a legitimidade ou não desse tipo de reportagem, uma vez que isso parece surgir como mais uma ferramenta para driblar a concorrência de TV, rádio e internet, que são bem mais atraentes para o receptor da notícia. Outro dia me deparei com a manchete ‘Barbie se divorcia do Ken’ como título de uma matéria sobre negócios que falava de uma nova fase comercial da vida da boneca que mais fatura no mundo. O que pode ser encarada apenas como uma brincadeira é também um indício dos rumos que o jornalismo tomou para se modernizar e não perder a trilha da audiência.

Vanuza Ramos, jornalista, Flórida, EUA

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A narrativa como valor-notícia – Mozahir Salomão



RUBEM ALVES
Humanidade possível

Este é um texto maravilhoso sobre Rubens Alves. Eu amo Rubens Alves, e principalmente amo a sua não-erudição, a ausência do academicismo imbecilizado defendido pelos teóricos da educação. Agora, quanto àquelas perguntas publicadas na Folha de S. Paulo: só confirmaram que, infelizmente, a Folha ficou medíocre, estúpida e reacionária, contrária ao pensamento inteligente que deve reger o bom jornalismo. Ora, perguntar se a escola prepara os alunos para ver o mundo como se fosse brinquedo é brincadeira! E perguntar se a escola torna os alunos mais alegres é palhaçada! Que alegria, o quê? Que brinquedo? Se as crianças já nascem no inferno, e dependendo de que escola estamos falando, os professores e os alunos tiveram sua humanidade roubada, usurpada pela miséria, pela violência social, pela crise dos valores.

E que papo é esse de ver o mundo como brinquedo, se na verdade o mundo é uma guerra – luta-se para nascer, para conseguir uma vaga na escola, para concluir mal e porcamente os estudos, para passar num vestibular e chegar ao mercado de trabalho com um diploma e ficar desempregado!

Palhaçada! O que Rubens Alves faz é alimentar uma pré-disposição humanitária naqueles que ainda insistem em compartilhar o que sabem, e aí eu estou falando dos professores mestres, e não do funcionário da educação. Estou falando daqueles que não desistiram de acreditar numa humanidade possível, e não naqueles que simplesmente vendem conhecimento quando deveriam transmitir sabedoria. Parabéns pelo texto!

Nívia Maria Mota, jornalista, Santarém, PA

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O escritor R.A. – Gabriel Perissé



MEMÓRIA DA PROPAGANDA
Boas lembranças

Muito interessante e útil. Mas o principal é que em cidades como Ubatuba tudo isso ainda aconteceu por um longo tempo, apesar de ir acabando muito rapidamente em grandes centros. Quantos comerciais montei sentado em frente ao cliente/proprietário e recitava-os na seqüência para aprovação, ou então quantos vieram prontos (escritos) da ‘esposa’ do dono e assim é que deveria ir ‘no ar’… É, acredito que todos os envolvidos nesse ramo, mais rodados ou não, já passaram por algo parecido e hoje se sentiram um pouco mais experientes (e não ‘idosos’!) e felizes como eu: vivi um pouco dessa história e também tenho minhas boas lembranças.

Tony Luiz, radialista e publicitário, Ubatuba, SP

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‘O tempo passa, o tempo voa…’ – José Carlos Aragão



ATENTADO DA TONELERO
Faltou um fecho

Tipo do artigo de quem escreve por obrigação. Uma boa resenha do atentado histórico da Tonelero. Mas, quando chega ao fim, não sabe como dar um fecho decente. Os dois últimos parágrafos são pueris. Evidente que seria dispensável perguntar a Alcino as intenções com que havia atravessado a rua em direção ao grupo Lacerda, com uma arma engatilhada. Nem os motivos pelos quais atirou no guarda municipal Sávio Romero, nem por que fugiu. Mais importante para o fecho do artigo seria pesquisar a autópsia feita no major Rubem Vaz que, ao que parece, levou realmente um tiro de outro calibre pelas costas, e bem assim o tiro que atingiu o pé de Lacerda que, antes de reagir, teve tempo de resguardar seu filho na porta da garagem do prédio.

Guilherme Calmbach, economista, Rio de Janeiro

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