Qualidade do texto | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Sábado, 18 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CADERNO DO LEITOR > TEORIA DO JORNALISMO

Qualidade do texto

24/08/2004 na edição 291

Muito interessantes as observações apontadas pelo colega mineiro Mozahir Salomão. Realmente, narrativas originais, criativas, bem-elaboradas em algumas matérias da TV podem conseguir ‘impactar’, chamar a atenção de algumas instituições estabelecidas, e apontar alternativas e estratégias importantes. Creio que o critério mais relevante do discurso em questão é um tipo de recorte pautado na qualidade do texto, que pode inserir um alento diferenciador, contrário a qualquer tipo de espetacularização, alimento nefasto da imprensa acrítica. Vale exaurir à reflexão a idéia apresentado pelo confrade.

José Aloise Bahia, jornalista, Belo Horizonte

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A narrativa como valor-notícia – Mozahir Salomão



MEMÓRIA DA PROPAGANDA
Eu sou vocês amanhã!

José Carlos, seu artigo é muito legal. Aqui vão algumas sugestões para enriquecer sua relação:

** Você percebe que é velho no negócio da propaganda quando se recorda dos anúncios em mídia impressa criados pela Alcântara Machado para o Fusca;

** Você percebe que é velho no negócio da propaganda quando conta que, um dia, os anúncios eram dirigidos ao público-alvo em português, sem estrangeirismos bobos para parecer moderno ou chique;

** Você percebe que é velho no negócio da propaganda quando assiste aos atuais comerciais de cervejas e se vê comparando com ‘a gente veio aqui para beber ou para conversar?’;

** Você percebe que é velho no negócio da propaganda se um dia tentou estagiar na MPM, na Salles Interamericana ou na Norton;

** Você é velho no negócio da propaganda quando sabe cantar de cor e salteado algum jingle da Varig;

** Você percebe que é velho no negócio da propaganda quando leu os artigos do Arapuã;

** Você percebe que é velho no negócio da propaganda quando sabe o nome da agência que criou o slogan ‘não é nenhuma Brastemp.’

Quando os garotos da agência o olharem como se você acabasse de sair do túnel do tempo da propaganda cada vez que você citar causos de propaganda do passado, diga: ‘Eu sou vocês amanhã!’

Rogerio Barreto Brasiliense, Santos, SP

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‘O tempo passa, o tempo voa…’ – José Carlos Aragão



Memória curta

A notícia é interessante e o comentário mais ainda, mas por que ninguém perguntou ao presidente eufórico: ‘Com que dinheiro, chefe? O país está quebrado, nossos idosos, largados à míngua em eternas greves do INSS; pais de família desesperados e desempregados. Mas nosso eufórico presidente, com as ‘burras fartas’, nos exorta a ir às compras de ‘um carro’.

A mídia parece ter memória curta e não se lembra que o metalúrgico pobre já ficou para trás, desde os tempos de freqüência quase diária do Gallery. (…) Basta procurar notícias de épocas anteriores, e encontrará farto material, não só do atual presidente como de tantos outros que hoje querem nos educar a qualquer custo na cartilha deles. Não sou a favor de FHC, Collor ou Sarney e muito menos do PT, mas cansa ter de sustentá-los e ainda ficar ouvindo esse monte de disparates como esse para nossa mídia abraçar!

Tony Luiz, radialista e publicitário, Ubatuba, SP

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O presidente faz propaganda, a mídia aceita – José Carlos Marão



REFERENDO NA VENEZUELA
Enganam a quem?

Assino embaixo do que escreveu Eduardo Guimarães. Na verdade, o texto é a confirmação do que qualquer pessoa medianamente bem-informada sabe: que a grande imprensa no Brasil é calhorda, venal, corrupta até o fim da alma. São seres desprezíveis que não se envergonham de acobertar mentiras as mais deslavadas. Veja-se, por exemplo, o espaço que o famigerado Globo concedeu ao empresário venezuelano Cisneros, para que este destilasse seu ódio contra o presidente venezuelano. Eduardo, que esteve na Venezuela, pôde comprovar que Chávez é um presidente querido pelo povo. Outras pessoas, que conhecem a realidade daquele país, me dizem o mesmo. A quem a grande imprensa quer enganar?

Alfredo Santos, analista de sistemas, Rio de Janeiro



MÍDIA ESPORTIVA
Estrelas perdidas

O texto ‘Medalhas e medalhadas’ está muito elegante. A Glória Maria e o Galvão são só estrelas perdidas na eterna constelação global; profissionais que congelaram numa fase ótima de suas vidas como jornalistas. O problema é só esse, eles congelaram, qualquer idiota é capaz de adivinhar o que vão dizer, e é uma falta do que dizer, uma mesmice, perderam aquele ritmo de repórter, a sensibilidade de se aproximar, perguntar, ouvir e pensar antes de falar.

Tá certo que na TV não dá muito tempo para pensar. Mas a impressão que tenho é que depois de anos nessa mídia deveríamos justamente ter desenvolvido elasticidade mental antes de soltar a verborrice, os chavões, aquele ar petulante de quem sabe mais do assunto do que o entrevistado. Putz, a Glória Maria era uma repórter ótima, virou uma perua chata, congelou, uma espécie de celebridade do jornalismo; parou na contramão do espelho, na imagem de mulher linda e bem-sucedida. Se virar Marília Gabriela talvez se realize, porque está mais para atriz, cantante, dançante, do que para jornalista.

O Galvão não chegou aonde está de graça (nem a GM), mas eles ficaram assim, descobriram uma receitita e tome-lhe a tal paçoca dia e noite, nenhuma criatividade, nenhuma irreverência, zero de humanismo e 100% de pieguice disfarçada de humanismo. Eles sofrem da dor de muitas estrelas e nós ficamos aplaudindo feito macacos de auditório, ninguém se anima a falar mal porque são renomados. Eles fazem um serviço ruim e são vaidosos, ficam se exibindo para os telespectadores e tiram o tempo da gente, o tempo da informação.

O Trajano está bacana, a ESPN merece os parabéns, com deslizes compreensíveis, arriscando, ousando e sempre com muita sensibilidade e curiosidade. Mas ainda seria possível silenciar um pouco mais em televisão, fazer pausas, entrar no clima do telespectador, cujo ouvido não deve jamais ser confundido com penico. Nossa profissão a priori não nos permite virar estrelas, deveríamos prezar a humildade como um primeiro passo para evitar erros medonhos. Mesmo bem velhinhos e muito experientes não deveríamos virar estrelas. Não sei por que cargas d’água os jornalistas atualmente agem como se fossem mais importantes do que os entrevistados, roubam a cena da vez e traem os consumidores de notícia, compreensivelmente cada vez mais arredios. É muita pena e pouca carne.

Cláudia Rodrigues, jornalista, Florianópolis



Estressado por natureza

Eu adoro a TV Bandeirantes fazendo cobertura de esporte, mas pelo amor de Deus, o Sr. Datena é um estressado por natureza, faz com que uma boa parte de seus ouvintes não goste de seus comentários. Não teria um diretor ouvindo a transmissão? Parabéns, Sr. Silvio Luiz, narra sem querer aparecer mais do que os atletas.

Dionisio Geraldo, desempregado, São Bernardo do Campo, SP




VEJA vs. ISTO É

Ensaio sobre a cegueira


Em extensa reportagem publicada no último fim de semana, a revista Veja ataca violentamente o jornalista Hélio Campos Mello, diretor de redação da revista Istoé . No texto, intitulado ‘Uma farsa chamada IstoÉ‘, destempero e preconceito são empregados em uma tentativa inócua de desqualificar Hélio. O motivo, o desabafo feito pelo também jornalista Luís Costa Pinto sobre sua atuação no processo sofrido em 1993 pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro, publicado anteriormente por IstoÉ.


Por três vezes Veja refere-se ironicamente a Hélio como fotógrafo, buscando dar um sentido subalterno à esta profissão. Hélio começou no jornalismo como repórter-fotográfico, tornou-se um dos maiores do país e ascendeu na carreira, chegando a diretor de IstoÉ depois de passar por várias das mais importantes redações e de trabalhar com grandes nomes da imprensa brasileira.


Ser fotógrafo é algo menor? Não, pequeno é o espírito do autor daquelas ‘mil palavras’, que não valem nenhuma das belas fotografias já feitas por Hélio. A arrogância de Veja nos revela o prisma pelo qual a revista enxerga o Brasil: uma nação onde ela certamente se acredita superior. Superior a quem, cára-pálida? Fotografar é um trabalho decente e honesto como tantos outros, os quais o bom jornalismo, a decência e a ética tratam com igual respeito. Tomada pela soberba, Veja não consegue enxergar isso, busca ofender toda uma classe e acaba desrespeitando seus leitores, fotógrafos ou não.


A Hélio Campos Mello, profissional de gabarito, companheiro de todas as horas, o nosso total apoio.


Juca Rodrigues, jornalista, repórter-fotográfico, gerente de conteúdo da IstoÉ Online


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