Quinta-feira, 24 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CADERNO DO LEITOR > SIM AO CONSELHO

Quem mais tem medo

17/08/2004 na edição 290

A mídia precisa ser fiscalizada pela sociedade? Respostas: Sim, 668, 91,0%; Não, 66, 9,0%. Esta é uma pesquisa feita por vocês, que demonstra claramente o que o povo pensa a respeito da mídia, e com certeza é a favor da criação do CFJ. Só gostaria de entender uma coisa: os médicos têm o CRM para regulamentar o setor, e digo mais, sem ele muitos médicos, como aquele cirurgião-plástico que mutilou mulheres, estaria exercendo a profissão; os advogados têm a OAB. Por que os jornalistas não querem ser regulamentados? Isto é imprescindível, visto que há muitos jornalistas que agem de má fé e fabricam notícias.

Quem mais critica é quem mais tem medo, porque deve ser uma mau jornalista. O que vocês falariam aos donos daquela escola em São Paulo que foram acusados pela imprensa de abuso de menores, tendo a escola fechada e as vidas acabadas por causa de denúncias de abuso sexual de crianças que nunca foram comprovadas (e se descobriu mais tarde serem falsas)? É aí que entra o CFJ, para defender estas pessoas contra estes maus jornalistas que deveriam ter seus diplomas cassados.

Cristiano Carvalho, Japão



O exemplo do Conar

Pela primeira vez, depois de tantas manifestações românticas em defesa da liberdade de expressão, li um texto bem argumentado a favor de um órgão que regulamente a profissão. Concordo que a atividade precisa sim de algum tipo de regulamentação e que ela deva surgir da própria classe. Temos como exemplo o sucesso do Conar, órgão de nossos vizinhos publicitários, criado a partir da mesma necessidade, e antes que tal atividade fosse realizada por leigos e pessoas não envolvidas na profissão. O Conar é aprovado pela maioria dos profissionais, mesmo já tendo proibido a veiculação de determinadas peças que causaram muita polêmica.

É importante, porém, que a criação do conselho para jornalistas seja absolutamente clara e democrática. Que as eleições se estendam também aos não-sindicalizados, com o objetivo de atender à vontade da maioria de verdade. Se existe um código de ética e disciplina, que ele seja respeitado! E quem não concorda com ele, que encontre espaço no próprio conselho para discuti-lo e até sugerir mudanças. Portanto, o conselho precisa ser encarado como benéfico para os próprios jornalistas, e estes devem sentir-se à vontade para atuar sobre suas decisões e até mesmo sua criação.

Flávia Afonso Lima, estudante de Jornalismo, Rio de Janeiro



Voz dissonante

Finalmente uma voz dissonante da ‘unanimidade’. Parabéns ao Luiz Weis pelo artigo. É isso mesmo. Os que são contrários o são por diversos fatores, que vão da desinformação pura e simples até o caminho tortuoso do discurso fácil dos empresários de comunicação, que não querem ver o seu poder fiscalizado e querem, na verdade, pagar qualquer coisa aos profissionais, de preferência que sejam dóceis e façam os ‘furos’, para beneficiá-los, econômica e politicamente.

Antonio Pereira, jornalista, Maceió



Deus da verdade?

Podemos perguntar se jornalista é para ser considerado o Deus da verdade, como os maus profissionais se erguem, apoiados e induzidos pelos detentores dos meios de divulgação, na maioria políticos que se aproveitaram e ainda se aproveitam do poder do Estado para controlar a mídia com seus jornais, rádios, televisões e até a Internet. Isto é o que chamo de ‘fato’, e fatos não podem ser mudados, podem, sim, as más opiniões. Daí surge a pergunta: como coibir a proliferação das más opiniões? Para mim, este alguém deve ser aquele que permitiu que tudo acontecesse, no caso o Estado. Ele é o que pode, inicialmente, estancar as estações irradiadoras que acoitou e permitiu instalar, chegando ao ponto atual. Os maus profissionais estão proliferando pela facilidade e o acobertamento dos detentores destes veículos e para controlá-los (veículos e profissionais) necessita-se de muita energia, até serem formadas novas opiniões que fortifiquem a ética e a moral, não só do ‘jornalista’ mas também do povo.

João Vancarder, representante comercial, Fortaleza



Ou semideuses?

Todas as profissões sérias têm conselhos que fiscalizam e regulamentam suas atividades profissionais. Será que os jornalistas se sentem como semideuses acima de qualquer suspeita?

Geraldino Miguel Pereira, corretor de imóveis, Embu, SP



Ao deus dará

Ao escreverem sobre o Conselho Federal de Jornalismo, mesmo em artigos opinativos, os jornalistas deveriam ter em mente os mesmos princípios da prática jornalística: respeito à verdade e aos fatos. Entretanto, quando lemos o artigo de Alberto Dines sobre o CFJ, encontramos muito barulho e poucas informações. Li o artigo dele e, em seguida, entrei no site da Fenaj para ler o projeto de lei sobre o CFJ. Sinceramente, não li ali 5% do que falou o prestigiado jornalista. Não vi tentativa de censura nem li cerceamento da liberdade de trabalho do jornalista.

Vi no projeto de lei uma tentativa, ainda que imperfeita, de regulamentar-se uma profissão que há décadas vive ao deus dará. Essa proposta, devidamente debatida e aperfeiçoada pelo Congresso Nacional, pode ser um alento à profissão jornalística, acossada pela má qualificação profissional, pelas demissões e pelo binômio denuncismo x bajulação (vide casos recentes envolvendo IstoÉ etc.). Quem acha que o mercado jornalístico brasileiro não precisa de regulamentação é porque está muito distante da realidade profissional do país.

Roberto Seabra, jornalista e professor, Brasília

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