Domingo, 25 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

CADERNO DO LEITOR > MAIS CFJ

Reforço à mídia pública

24/08/2004 na edição 291

Acho que a poeira está baixando e o debate chegando aonde deveria. O projeto de criação do CFJ parece ter como alvo os barões da mídia e sua ‘liberdade’ de imprensa. O correto seria, então, escolher o caminho do fortalecimento da mídia pública. Mas o governo resolveu encaminhar o projeto da Fenaj com algumas modificações. A lógica deles mostrava que o projeto teria o apoio dos jornalistas. Ora, quem melhor que a Federação e a própria categoria para sintetizar a questão? A estratégia estava correta, mas a tática, completamente errada.

O projeto dividiu a categoria em torno de um debate cujo pano de fundo é o imenso poder dos donos da mídia. De repente, os jornalistas se viram entre a ameaça da demissão – pelo desacato à linha editorial – ou a condenação de um futuro conselho. Chegou a hora de darmos um passo atrás nesta história e começar tudo de novo, sem vitoriosos ou derrotados. Não se pode empurrar a categoria para um confronto individual com o patronal escorado num instrumento de fiscalização. Se Estado, categoria e sociedade civil têm interesse nesta questão, então vamos por partes: o Estado precisa fortalecer a mídia pública; a categoria, afastar o governo e o setor privado desta história; e a sociedade civil, articular debates em torno do tema e apresentá-los à categoria e suas entidades. Aí, sim, podemos voltar ao debate em torno do CFJ. Do jeito que está, não vai andar.

Marcello Sudoh, sociólogo



Jornalistas passivos

Gostaria de saber o que ocorre com a imprensa deste país. O governo do Sr. Lula investe contra a liberdade e os jornalistas em sua grande maioria ficam passivos. Até onde isso vai? Acredito que o problema é que a imprensa sempre se autodenominou ‘de esquerda’, e quando temos um governo dito de ‘esquerda’ acontece dessas coisas.

Adauto Dippold Vilar, contador, São Paulo



‘Leitores despreparados’

Será que os participantes das votações estão lendo o noticiário com afinco? E se estiverem, estão compreendendo bem os fatos e fazendo uma análise criteriosa e fria do problema? Se estão, o que justifica esse resultado [enquete da edição 290: ‘O Conselho Federal de Jornalismo é uma proposta autoritária? 56%, 1.518 votos; um estímulo à qualidade? 44%, 1.212] numa urna cujo acesso mostrou-se além do normal [total de votos: 2.730] – e é claro que o assunto excitou o leitor)? Perto de metade dos internautas mostra-se ‘conivente’ com a criação de uma entidade notoriamente ‘soviet’. Se este seleto rol de leitores está claramente despreparado para julgar e votar com justiça, o que podemos esperar do restante da população? Será que já não existe uma mordaça social, na qual, a dificuldade de acesso a meios de comunicação mais cristalinos e críticos vem formando um povo incapaz de contestar e criticamente inútil?

Onde está a possibilidade de comprar boas publicações ou a elas ter acesso? Onde, durante anos, os governos esconderam as boas publicações, substituindo-as por sucatas literárias? E, onde isto não aconteceu, quantos podem conseguir tempo para ler? E, dos poucos que conseguem ler bons textos jornalísticos, quantos entendem? Enfim, que porção ignota do nosso povo atinge a qualificação de leitor, capaz de se transformar em crítico, ainda que amador? Muito pequena, não?

É por isso que vemos hoje esse resultado desolador da urna desta semana. Um nível educacional tão ridículo, mas sustentado por uma classe dominante que apesar de abastada em bens materiais mostra-se paupérrima em valores morais, éticos e humanitários. Classe que, para se proteger, transforma seu eleitorado, numa legião de algemados.

Luiz Henrique Scavone Ferrari, funcionário público estadual, Itatiba, SP



‘Meros leitores’

Acho que Alberto Dines está entre os melhores jornalistas deste país, mas, meus caros, um assunto tão polêmico como a criação do CFJ não pode ser discutido assim… não vamos ser tendenciosos, não é, caros amigos? Penso que a equipe do OI colocou pessoas extremamente cultas e com domínio total das palavras para criticar o CNJ, mas a defesa foi feita por meros leitores. Por favor, não me façam perder a admiração que sempre tive por vocês.

Lucas Azevedo Borges, estudante de Jornalismo, Criciúma, PR

Nota do OI: Prezado Lucas, este Observatório não ‘colocou’ ninguém fazendo isto ou aquilo. Cada um escreveu sobre o que bem quis. E nossos leitores não são ‘meros leitores’. São leitores atentos e com espaço garantido para suas manifestações.



Ainda os ‘dois lados’

Para um site que se diz jornalístico, o Observatório da Imprensa poderia pelo menos tentar observar um dos princípios básicos do jornalismo, que é o de conceder espaço para ambos os lados de uma questão emitirem suas opiniões. Não é o que se vê hoje no que se refere à criação do Conselho Federal de Jornalismo, o que, inclusive, parece ser uma tentativa de influenciar o voto na pesquisa sobre o tema. Por que não há artigos de pessoas favoráveis ao Conselho?

Denise Christians, jornalista, Santa Catarina

Nota do OI: Prezada Denise, o OI não inventa textos para atender ‘aos dois lados’ – e os tais ‘lados’ não são epifanias, são pessoas. A prova é a edição passada, na qual os defensores do CFJ acordaram, manifestaram-se e viraram maioria. Além do que não somos um site jornalístico no sentido de noticioso, e sim analítico.

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