|
Edição de Marinilda Carvalho
Nas últimas semanas a mídia tem saído muito mal na foto. Nesta edição, o tema em destaque é o pedido de financiamento ao BNDES de três entidades representativas das empresas de comunicação.
Um leitor acha até que não importa de onde venham os recursos de auxílio: a mídia nada mais teria a perder.
Que o leitor esteja errado...
***
Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. E se reserva o direito de solicitar ao remetente o número de seu telefone para eventuais checagens de informação. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
***
MÍDIA & BNDES
Leitor, esse otário
A imprensa, com raras exceções, já é subserviente aos governos fazendo matérias parciais e que pouco informam. Não trabalha para o esclarecimento do leitor, mas sim para vender espaço aos governos e à publicidade privada; o leitor que se dane: é o otário que justifica a farsa engolindo, e pagando 2/3 de propaganda e 1/3 de inutilidades.
Silvia Levy
Como garantia, as dívidas
Enquanto os políticos brasileiros não deixarem de usar o Estado como sua privada e continuarmos a premiar a ineficiência empresarial não sairemos deste atoleiro. Os banqueiros estão mal? Coitadinhos... Não podemos esquecer que eles também colaboraram com nossa campanha. Precisamos ajudá-los. Sai um Proer aí, gente. E lá se vão alguns bilhões de reais para salvar alguns bancos. Ou melhor, para reparar os buracos deliberadamente feitos por alguns administradores que gastaram ou embolsaram os lucros e agora pretendem dar bananas aos correntistas às custas dos contribuintes.
Os empresários do setor da comunicação podem quebrar? Que pena... Fizeram nossa propaganda. Até ganhamos uma faixa presidencial, um Palácio no Planalto, um carro oficial e inúmeras passagens de avião. Ajudá-los é nosso dever cívico maior. O BNDES precisa socorrê-los... Sai um financiamentozinho aí, gente. E lá se vão outros bilhões para custear empresários que gostam de socializar os prejuízos com os contribuintes enquanto saem na foto ao lado dos presidentes que elegeram.
E os contribuintes... Bem, estes que se danem. Já criamos o Fome Zero mesmo. Quem tiver fome que recolha seu prato e cale a boca. Porque se vierem com o pires na mão não teremos nada a oferecer além de migalhas e microcréditos. Sabe o que me deixa realmente irritado? É saber que no Brasil o capitalismo sem risco é uma realidade sem que eu também possa ser um capitalista bem-sucedido, porque não tenho políticos na minha algibeira. É ir ao banco e descobrir que não tenho crédito porque também estou com dívidas, mas não tinha um banco para financiar a campanha do presidente. É passar o maior aperto e não ter a mesma credibilidade que uma rede de TV, porque não elegi a maioria dos senadores. É saber que o dinheiro dos meus impostos vai encher o saco de algum empresário que esvaziou o meu saco durante anos para financiar as eleições dos seus apaniguados.
Lula está no caminho certo. Segue os mesmos passos dos outros ocupantes do Palácio do Planalto. Decepciona os contribuintes enquanto se torna um semideus para seus amigos. Quem são seus amigos? Os empresários que pretendem financiamentos públicos e só podem dar em garantia suas dívidas. Infelizmente, não estou entre eles.
Fábio de Oliveira
Nada mais a perder
Não há problema algum quanto ao empréstimo do BNDES, pois a nossa imprensa já perdeu sua legitimidade há muito tempo, e não existe mais nada a perder. De Fernando Henrique para cá, centenas foram os momentos de omissão e enganação. Fatos escondidos e deturpados. O que ocorre com a mídia hoje, é simples, "o cachorro mordeu o próprio rabo". Acobertou todas as merdas do governo passado e continua acobertando as desse. Não é combativa nos problemas que mais afligem nosso país. Não cobra o mínimo de cidadania. Com o poder que tem, deveria ser a voz do povo, o que com certeza muito de ruim que ocorre agora no país poderia ter sido evitado. Menospreza a inteligência do leitor, do telespectador etc. Qualquer homem com um pouco de conhecimento e cultura chega a sentir certa repugnância de ler um jornal.
Enfim, ajudou a dizimar seus próprios anunciantes, e ficou subserviente às verbas governamentais, perdendo também a credibilidade de seu público. Não sou profeta, mas há exatos quatro anos venho escrevendo isso aos jornais, e apesar de várias cartas publicadas esse sempre foi um dos assuntos censurados. Aliás, desde 98, venho denunciando que o Brasil, caso não mudasse sua política econômica, se defrontar com tudo isso que aí está, e vai piorar ainda mais, se o sistema financeiro continuar com essa total independência. Há hoje um massacre silencioso e escandaloso da sociedade. Homens que sempre lutaram e pagaram dignamente seus impostos e empréstimos estão sendo espoliados por esse sistema. É nefasto o poder do sistema financeiro. A imprensa nunca tapou tanto o sol com a peneira, e isso vai inviabilizar o país como nação.
Ronald Facury Wigg
|