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MÍDIA & BNDES
Fiscalização utópica
Quais seriam as ferramentas que a sociedade utilizaria para essa utópica fiscalização? Acho que uma pergunta dessas [Pergunta da Urn@, "O financiamento oficial compromete a isenção da mídia?"] fica no vácuo, ou seja, só serve para impressionar e mais nada; nunca a palavra sociedade foi tão abstratamente empregada. Eu pergunto: a Lei de Imprensa, a nossa Constituição prevêem limites éticos? Se a resposta for sim, não deveríamos ter medo de aplicá-los; se a resposta for não, então, qual é o problema, né?
Egberto Reynaldo, Limeira, SP
Agir, e não falar
Nós jornalistas falamos muito em ética, colocamos a ética como ícone de nossos ideais e juramos lealdade eterna a essa pequena palavra com significado de importante valor. Porém, eu pergunto, o que é a ética? Como exercê-la? Quem a exerce corretamente? Observando certos fatos recentes, percebo que a ética é momentânea. Ela é parte de um conjunto de situações que nos levam a crer que determinado fato é ou não correto.
Será que a ética de um jornalista que está defendendo seu veículo de comunicação é a mesma que a de um jornalista desempregado? Certamente que não. Isso porque não nos damos conta da maneira irracional de agir perante um assunto inédito, ou mesmo diante de uma oportunidade que levará o concorrente à falência. Precisamos parar de ser oportunistas, levar mais a sério o jornalismo nas faculdades, parar de mendigar um emprego abaixo do piso, estas sim seriam medidas éticas. Todo trabalho bem feito é fruto de muito estudo e aplicação. Com a nossa profissão não devemos fazer diferente. Então sejamos éticos, vamos parar de falar em ética.
Samuel Prisco, Ribeirão Preto, SP
Dependência e compromisso
O problema e a solução estão no ser humano – no jornalista. Li e reli o texto do mestre Alberto Dines, e concordo com toda a argumentação sobre a sepultura aberta em detrimento do jornalismo. A parceria com banqueiros e governos é uma atrocidade para quem acredita numa imprensa investigativa, livre. É comprovado que qualquer junção com os donos de bancos tem saldo positivo para um lado – o da instituição financeira. Os nossos ancestrais diziam que "o banco nunca perde". Quanto ao governo, seja em qualquer uma das esferas, é uma armadilha sem volta, independente da linha sem linha dos proponentes.
Na conjunção do processo socioeducacional, existe nas entrelinhas uma formatação alienada nos dogmas do poder. Apesar da criação das teorias do jornalismo, a prática requer um entendimento mais aprofundado. Os autodidatas da comunicação se entregaram ao lúdico processo ilusório do aprender e ensinar sob regras rígidas, pré-concebidas, teóricas, muitas vezes ultrapassadas e vividas, literalmente no mundo da lua, e se esqueceram de mostrar aos estudantes que a prática, o exemplo, a ética, a moral e a decência são conquistadas no dia-a-dia. Em síntese – muitos profissionais fingiram que aprenderam e muitos ultrajaram o ensinar. Dessa junção surgiu um punhado de pessoas que se preocuparam mais em garantir o pão deles de cada dia, em vez da essência do jornalista. Apesar da menção ao passado, a narrativa é inequívoca ao presente.
Ser jornalista é estar comprometido com o social, uma espécie de assistente social disfarçado, com o poder das lentes, e, principalmente, do cérebro, da alma. Com coragem, desprendimento de grupos políticos financeiros é que se poderá mudar alguma coisa. Antes de iniciar o longo caminho nas carteiras escolares de uma IES é necessário que se faça um pré-levantamento do que está se objetivando, e não arredar pé nos primeiros senões. É de necessidade galopante o fim da passividade das nossas classes organizadas em deixar o comodismo de lado, arregaçar as mangas e colocar o bloco, de novo, nas ruas – ser jornalista é se preocupar com um daqui a pouco, com a pauta do amanhã, sem se esquecer a de ontem e a de hoje. Seguindo nesse monitoramento financeiro e governamental, voltaremos à escola ditatorial ou à do modelo soviético – em vez das atrocidades físicas, os dedos estarão lacrimejando em retratos falsos como os de Gugu e companhia.
Como escreveu com propriedade a colega Silvia Sibalde: "Ficar quieto é abdicar da própria cidadania". Vivemos um momento grave, sim, afinal de contas, programas alternativos estão sendo extintos, como é o caso do esportivo da TV Cultura. As saídas parecem que nos levarão ao retorno dos nanicos e a uma educação fundamentada no compromisso jornalístico.
Odair Batista Franco, estudante de Jornalismo da Fasul, Toledo, PR
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Useira em se alugar
Quem paga por um serviço quer receber a contrapartida muito bem-elaborada, e a mídia é useira em se vender, ou "se alugar", até por tempo determinado, aos mais diversos interesses. O povaléu, ignorante, assimila qualquer trabalho para cooptação coletiva, mesmo mediocremente elaborado. E... viva o Rasilb!
José Rodrigues
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