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DOMINGO ILEGAL
Grau de cidadania
Obrigada a Eugênia Augusta Gonzaga Fávero pelo texto claríssimo. Um dos critérios para se medir o grau de cidadania de um povo é seu conhecimento dos direitos e deveres daquela sociedade. Infelizmente, um dos grandes males causados pela ditadura militar que nos assolou foi a desconfiança da legalidade e da legislação. Se não nos assenhorearmos da Constituição e do Estado, colocando-os ao serviço da sociedade civil, e não de grupos de elite eternamente beneficiados, nunca teremos uma esfera pública nesse país e, conseqüentemente, nunca teremos uma democracia efetiva.
Carmen Dulce Diniz Vieira, coordenadora do curso de Comunicação Social da UFMG
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Censura ou punição? – Eugênia Augusta Gonzaga Fávero
Figuras divinas?
O título "Eles querem controlar a imprensa" é emblemático e leva-nos a uma séria reflexão: quem são "eles"? Os mortais comuns, o resto da população? E quem são os "eus"? Figuras divinas representantes da livre expressão? Vivemos em dois mundos, o dos que escrevem e se expressam (com títulos universitários que os possibilita a isso) e o mundo dos que ouvem e lêem, e que devem manter-se nessa condição? As pessoas confundem liberdade com independência e acham que para serem consideradas livres podem emitir opiniões com independência. Entenda-se essa independência como algo descompromissado, cujas conseqüências de sua expressão não são consideradas. E arvoram-se, esses doutores da liberdade/independência, como intocáveis, acima do bem e do mal, não sujeitos às regras de convívio social. Já informaram a essas pessoas que a liberdade termina quando começa a do outro?
Aristóteles disse uma vez que somos animais políticos. Entenda-se política como a ciência do relacionamento. Para vivermos em sociedade, exercendo a política, o relacionamento uns com os outros, é necessário nos submetermos a essas normas de convívio. Parece-nos, infelizmente, que os jornalistas não pensam assim. Acham-se superiores no que tange o exercício da democracia; comportam-se como proprietários da livre expressão e não admitem se submeter às regras de conduta social.
A cada manifestação da sociedade contra "abusos" da mídia chovem réplicas em jornais, televisões, revistas e rádios e, "legislando em causa própria", descem o sarrafo em quem os contesta. Usando, ainda por cima, o espaço que é deles.
A frase mais terrível que um jornalista emite é: "Eu respeito a opinião do leitor (ou do telespectador, ou do ouvinte)", como se dissesse: "A opinião é dele, mas a verdade é minha". Ora, senhores e senhoras, que se acham donos da informação, convenhamos. Desçam do pedestal. A democracia não foi construída para isso. Já há muito deixamos de viver em tribos.
Alexandre Carlos Aguiar, Florianópolis
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Eles querem controlar a imprensa – Luciano Martins Costa
Luciano Martins Costa responde
Senhor, jornalistas não são seres divinos. São mortais comuns que historicamente têm resistido – eventualmente, com a vida sob risco – para que pessoas como o senhor tenham o direito de viver numa sociedade minimamente aceitável. Vivemos em dois mundos, sim, mas o dos que escrevem e lêem e o dos excluídos. O senhor revela não conhecer o funcionamento da imprensa, e o que é a luta diária para manter um mínimo de dignidade nessa mediação entre os fatos e o público. Alguns, habilitados, têm essa função social. São jornalistas. Os demais, são, sim, fonte de informação e parte do "público", embora tenham outras funções sociais, e todas são relevantes. Senhor, não cabemos todos nas páginas dos jornais. Numa sociedade desigual como a nossa, em que os poderes se desequilibram, sempre que a imprensa põe a lente sobre um setor privilegiado surgem as ameaças de controle. Em nome da democracia, tenta-se podar um dos fundamentos da convivência democrática, que é a imprensa livre. Contra mais uma tentativa dessas foi que me manifestei. Os jornalistas não estão acima do bem e do mal, nem se pretendem intocáveis. Pelo contrário: veja a lista dos assassinados em todas as ditaduras. E nos últimos anos desta democracia remendada. Mas queremos mostrar que também não são intocáveis esses senhores cujos interesses têm sido contrariados pela corajosa denúncia de privilégios que tanto custam à sociedade, principalmente aos que não podem, como o senhor, expressar sua opinião. Entre as "regras da conduta social" não se inclui a censura prévia à imprensa, como desejam os que foram citados no artigo. Ah, sim, senhor, vivemos em tribos. E a liberdade de um não termina quando começa a do outro. Ela enriquece e se fortalece quando convive com a liberdade do outro. (L.M.C.)
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