|
MÍDIA & PUBLICIDADE
Cabelo em casca de ovo
Que jornalista não gosta de publicitário e de publicidade descobri já na primeira semana de faculdade. Alguns jornalistas consideram a atividade publicitária nociva ao bom desenvolvimento da sociedade; é uma visão caolha que considera que ela apenas induz o cidadão ao consumismo desenfreado. Esquecem-se estes cultos senhores que sem publicidade nenhum, nenhum veículo de comunicação sobrevive, é o departamento comercial que paga o salário da rapaziada da redação.
O artigo de Chico Bruno "O marketing e o estado de desânimo" vai nesta mesma toada, uma série de achismos e um total desconhecimento sobre marketing e propaganda. A despeito de ser uma empresa de economia mista, de deter o monopólio de exploração de petróleo no Brasil e liderar amplamente o mercado de distribuição de seus derivados, a Petrobrás tem a obrigação de utilizar-se das ferramentas mercadológicas como toda organização de seu porte o faz em todo o mundo: tem que se manter lucrativa para satisfazer seus acionistas e a sociedade brasileira.
A campanha institucional dos 50 anos da Petrobrás, por sinal muito bem produzida, não tem nada de megalomania, é um tanto ufanista, justificada pelos fatos que culminaram com sua criação e a posição que ocupa em seus segmento de mercado. Ao misturar o relacionamento do atual governo com a imprensa e a campanha institucional de uma estatal o articulista quis encontrar cabelo em casca de ovo e ficou completamente perdido em seus argumentos. Chico Bruno precisa urgentemente conseguir um amigo que lhe explique o que vem a ser os 4Ps.
Rogério Barreto Brasiliense, jornalista, Santos, SP
Leia também
Marketing e o "estado de desânimo" – Chico Bruno
Chico Bruno responde
Meu caro Rogério Brasiliense, li atentamente suas considerações. Você começa afirmando que descobriu há muito tempo que jornalista não gosta de publicitário. Acho um exagero a afirmação, principalmente porque fui durante um bom tempo de minha vida publicitário como você. Portanto, devo conhecer pelo menos um pouco dessa bela profissão. Duvido muito que jornalistas achem nociva a propaganda feita com ética, razão e comedimento. Não me preocupo muito em saber quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha, pois jornalistas e publicitários se somam na manutenção da imprensa. Em relação às empresas públicas, o que coloquei no artigo foi a intenção de se misturar alhos com bugalhos. Afinal, os governos passam, a República continua. Abraços. (C.B.)
Juro extorsivo e falência
O artigo de Dydimo Borges é perfeito. Só acho que os avisos nos rótulos de bebidas, principalmente de cachaça, uísque e vodca, deveriam ser bem mais contundentes, como nos maços de cigarros. "Beber em demasia causa cirrose", por exemplo. E por que o Conar não ataca as empresas financeiras e agiotas que proliferam em nossa TV? Apresentadores e cantores sertanejos e de pagode estão faturando alto, em nome da enganação, de promessas de empréstimos a juros estratosféricos. A população continua sendo ludibriada e esfolada. Não faz sentido que o Faustão gaste uma hora de seu já horrível programa com propaganda particular de uma financeira (e tira de cena até o Lulu Santos), e no dia seguinte Fátima Bernardes e Bonner, na mesma emissora, convoquem economistas e professores para aconselhar o telespectador a fugir dos juros e do cheque especial como o diabo da cruz.
Um aviso bom seria: "O empréstimo de dinheiro a juros extorsivos causa falência e quebradeira".
Luiz Antonio de S. da Silveira, Rio de Janeiro
Leia também
Conar propõe medidas pífias – Didymo Borges
|