Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CENSURA > Tempos de intolerância

Recuo do Santander = Vitória fascista

Por Rui Martins em 18/09/2017 na edição 958

Exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”. (Foto: Divulgação)

A exposição era de Arte, a mobilização política era fascista e dela tantos participaram sem entender de arte, mas movidos por seus padrões morais religiosos, alimentados por intolerância e preconceito, induzidos pelo Movimento Brasil Livre.

Foi, sem dúvida, uma vitória do MBL que descobriu como mobilizar os moralistas de plantão, os reacionários de todos os credos e, juntar de contrapeso, pelas redes sociais o pessoal humilde mais ligado às igrejas que a exposições. E com essa mistura, da qual também participaram os bolsonaristas, excitados com a idéia de formarem comandos SS de moralização, promoveram um arrastão para nos roubar o direito à livre expressão.

Perigosa vitória porque o recuo do Banco Santander deixou ao MBL a impressão de que, daqui para a frente, poderão impor no Brasil a censura com o barulho das redes sociais. O ovo da serpente eclodiu e ressurge o réptil peçonhento da ditadura, da ditadura das ideias para nos fazer vestir a burca da intolerância, para nos ensinar no que devemos acreditar, que quadros, pinturas, fotografias, livros, espetáculos, filmes, devemos ver.

Agora foi o “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, a exposição censurada em Porto Alegre, amanhã poderá ser um filme, um livro, um show, uma peça de teatro, uma palestra, um grupo de pessoas, um homem ou uma mulher.

Os artistas incomodam por terem um visão diferente e por expressarem de maneira livre seus sentimentos e emoções. Nos regimes autoritários, de direita ou de esquerda, nas teocracias, estão entre os primeiros a serem obrigados a sujeitar suas inspirações aos padrões pré-estabelecidos ou são perseguidos e mesmo eliminados.

Nas democracias, os grupos que se auto proclamam milícias moralizadoras têm métodos diversos de pressão e persuasão matam os redatores do Charlie Hebdo por acharem seus desenhos ofensivos ao Profeta, atacam clínicas que praticam o aborto, espancam e matam homossexuais, agridem prostitutas ou impedem exposições de arte.

O MBL ganhou essa primeira investida em favor da censura, mas mostrou nada ter a ver com um Brasil livre, muito ao contrário, quer um país amordaçado.

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Rui Martins é jornalista.

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