Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

CIêNCIA > CIB & GAZETA MERCANTIL

Domínio completo do ciclo da notícia

Por David Hathaway em 01/03/2005 na edição 318

O CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia), financiado pelas gigantes Monsanto, Dupont do Brasil, Syngenta Seeds e Dow Agrosciences, bancou o livro que cantou o amor à transgenia, bancou a presença no lançamento em Curitiba do repórter da Gazeta Mercantil e reproduziu a ‘notícia’ resultante em seu próprio site [abaixo].

Quem pode, pode.

Curiosidade: como o site marqueteiro do CIB parece não contar com tecnologia para reproduzir aspas (e nem sequer para separar parágrafos, serviço realizado pelo autor desta mensagem), o leitor dificilmente consegue ter certeza quanto a quem está falando em certos momentos – se é o repórter da Gazeta ou o entrevistado do CIB. [ver em (www.cib.org.br/midia.php?ID=11003&data=20050224)]

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Após 10 anos, sai cartilha sobre OGMs

(Gazeta Mercantil, 24/2/2005)

Depois de quase dez anos cultivando soja transgênica, o Brasil finalmente terá um guia que explicará para o consumidor final o que são e para que servem os organismos geneticamente modificados (OGMs). Ontem, em Curitiba (PR), o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) lançou o primeiro guia sobre transgênicos, com objetivo de esclarecer e organizar em um único material os principais temas sobre o assunto. Até agora, a entidade havia se concentrado apenas em publicações mais técnicas, direcionadas a especialistas no tema. Quando o CIB começou efetivamente a funcionar no Brasil, em 2002, o foco da entidade era falar para médicos, advogados, cientistas e nutricionistas.

A partir deste ano, decidimos direcionar as informações para o consumidor final e produtores finais para esclarecer qualquer dúvida e desmistificar idéias erradas que possam existir sobre o assunto transgenia, afirma Antonio Celso Villari, gerente de comunicação da entidade. A partir de sexta-feira, os primeiros 300 mil exemplares do guia começam a ser distribuídos para os consumidores, encartados nos principais jornais do País. O primeiro alvo, e não por acaso, será o estado do Paraná, principal foco de resistência ao plantio de transgênicos no Brasil.

A partir da próxima semana, o CIB passará a distribuir o guia em São Paulo, Mato Grosso e outros estados. Ainda estamos estruturando a estratégia logística de distribuição. Além dos consumidores, iremos encaminhar o material para médicos.

Esse é o primeiro guia que reúne tudo o que existe sobre transgênicos, com apoio e aval de cientistas, afirma Vinícius Carvalho, gerente técnico de biotecnologia do CIB. A estratégia da entidade é tentar não cometer o erro que a multinacional americana Monsanto teve ao imaginar que os transgênicos seriam discutidos apenas nos cenários acadêmico e agronômico. A própria empresa já reconheceu o erro e iniciou no ano passado uma campanha de marketing nos principais veículos de comunicação do Brasil, direcionada a consumidores, relacionando a imagem dos OGMs a um mundo ecologicamente melhor.

A Federação da Agricultura do Paraná (Faep), tem se mostrado favorável ao cultivo dos transgênicos no estado. Defendemos a posição de deixar o agricultor decidir o que ele julga ser mais interessante para ele. O que queremos, é levar a ele a informação mais precisa sobre o assunto, diz Livaldo Gemin, diretor-secretário da Faep.

No Paraná, dos 100 mil produtores rurais existentes, apenas 2,2 mil assinaram o termo de responsabilidade pelo cultivo de soja transgênica na atual safra. O número é duas vezes maior do que o registrado no ano anterior, mas permanece pequeno, segundo a Faep, pelo medo que os produtores têm de represálias do governo estadual.

Do ponto de vista legal, o estado não pode proibir que seus agricultores cultivem lavouras transgênicas, diz Patrícia Fukuma, advogada especialista em relações de consumo do CIB. Em sua opinião, existe uma lei federal que libera o cultivo da soja transgênica e uma medida estadual não pode desacatar uma lei federal. O Brasil é uma república federativa e os estados não podem ter suas próprias leis, diz a advogada.

Do ponto de vista econômico, os representantes dos agricultores que estiveram presentes no lançamento do guia, questionaram os especialistas sobre a viabilidade econômica da soja transgênica. Se o produtor está em uma região em que não há incidência de lagartas, por exemplo, não há necessidade de se pagar mais por uma semente de milho transgênica. Essa seria uma estratégia errada, afirma José Maria da Silveira, do Núcleo de Estudos Agrícolas (NEA), da Universidade de Campinas (Unicamp). (Alexandre Inacio – O repórter viajou a convite do Conselho de Informações sobre Biotecnologia – CIB)

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Economista, especialista em agricultura alternativa

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