Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1024
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Mais grandeza do que natureza

Por Alexandre Pimentel Cabral de Medeiros em 16/03/2004 na edição 268

Muito oportuno e esclarecedor o artigo ‘Juramento hipocrático’, de Antonio Oliveira dos Santos, publicado na Folha de S.Paulo de 7/3/2004.

Gostaria de destacar o seguinte fragmento:

‘Um embrião possui apenas o potencial para o livre-arbítrio, de realização incerta, e portanto foge da definição do ser humano e da proteção do Estado.’

De acordo. Mas, no contexto da clonagem, acho que a definição do que é um ser humano é mais uma questão de grandeza do que de natureza.

Se aceitamos este critério podemos concluir que tamanho é documento e o que os olhos não vêem o coração não sente. Estes clichês às avessas nunca foram tão duros de engolir quanto nestes dias de biorreligião, digo, bioética, e leis de biorrepressão, digo, biossegurança.

Quando é que nossos excelentíssimos deputados e senadores – pressionados pelo lobby evangélico e católico – vão se dar conta de que um embrião de meia dúzia de células NÃO É um ser humano tal como aquele com 10 trilhões de células, dos quais 100 bilhões são neurônios de um cérebro que pensa, sente, ama e sofre – inclusive por doenças genéticas que poderiam estar sendo tratadas?!

É na grandeza deste cérebro que reside verdadeiramente a natureza do homem, e não num punhado de células não-diferenciadas.

Contudo, tendo em vista que embriões congelados têm prazo de validade, fazem vista grossa aos que são descartados todos os anos em clínicas de fertilização in vitro. Quer dizer que jogar no lixo pode, usar para pesquisas que podem salvar vidas, não?

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Advogado

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