Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CIêNCIA > ASTRONAUTA BRASILEIRO

Menos ufanismo, mais realismo

Por Afonso Caramano em 10/04/2006 na edição 376

O que determina, afinal, o espaço de uma notícia nos meios de comunicação? A relevância? O inusitado? O espetacular? Certamente os especialistas nos cursos de Jornalismo podem oferecer variadas respostas, também os editores guiados pela prática cotidiana e pela linha editorial adotada pela empresa em que trabalham.


Cabem nesse espaço inúmeras interpretações – também o próprio tempo, tão precioso no rádio e na TV. Constrói-se virtualmente a notícia real a partir do fato repercutido nos noticiários. Eis o espaço das notícias – talvez um tanto simplificado nestas considerações – e justamente por essa razão espaço moldável, no qual ideologias se embatem, idéias e ideais se configuram, e onde se delineiam sonhos, inclusive o sonho da conquista do espaço ou o de ser astronauta, comum a tantas crianças.


Daí a mídia dedicar tanto espaço (e mais dedicará nas próximas semanas) ao feito histórico do tenente-coronel Marcos Cesar Pontes, nosso primeiro astronauta – pena muitas vezes desperdiçá-lo com reportagens pouco esclarecedoras, quase nada científicas ou que não vão além de um enfoque ufanista.


Destaque à educação


Se por um lado é emocionante ver a bandeira brasileira alçada a tal altura, numa conquista mais que simbólica, realizada (ou possibilitada) pelo programa espacial brasileiro, na concretização de um sonho pessoal (não sem esforço e muita dedicação) de nosso astronauta, por outro, fica-se com a sensação de que falta muito, muito mesmo para conquistas aparentemente mais simples em nosso difícil país.


Alcançar a excelência em qualquer que seja a área requer muito investimento e planejamento – disseminar (e democratizar) o conhecimento produzido pelo avanço das tecnologias também é de grande importância para a construção de uma sociedade menos desigual, na qual muitas crianças não tenham somente o sonho de ser astronautas, mas sim a possibilidade de realizá-lo – embora se saiba que os sonhos de nossas crianças sejam bem mais modestos.


Com o retorno de nosso astronauta, a mídia eletrônica talvez possa dar sua contribuição ao assunto, dedicando mais espaço a reportagens menos ufanistas e mais realistas, com destaque especial à educação – e como se pode mudar um país (quando se quer) por meio dela.

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Funcionário público municipal, Jaú, SP

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