Domingo, 17 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Prudência e cuidado com o ‘sensacionalismo’

Por Williams Pinto Marques Ferreira em 03/04/2007 na edição 427

Em tempos de mudanças climáticas, as famosas ‘notícias sensacionalistas’ são a garantia de venda dos veículos de comunicação, desde os grandes e experientes até aqueles pequenos e populares.

O sensacionalismo tem uma ação muito forte no meio jornalístico, principalmente sobre os chefes de equipes jornalísticas. De forma peculiar, a televisão mantém um olho na câmera e outro no monitor, com os pontos do Ibope ou índices de audiência. O resultado desse jogo de interesses é principalmente garantir audiência, não obstante produzir benefícios à população.

Saúde do planeta em dúvida

Um exemplo disso é o famoso filme do Al Gore, Uma Verdade Inconveniente, lançado em 2006 e que trouxe ao público leigo uma realidade já observada pelos cientistas há anos.

Na verdade, a comunidade científica tem acompanhado essas mudanças pelo menos durante os últimos trinta anos. É certo que no, chamado primeiro mundo, esses estudos sempre foram discutidos dentro das academias de ciência. Porém, entre os países menos desenvolvidos, a troca de informações entre os cientistas sempre foi um fator limitativo. A única certeza era de que estávamos diante de um problema que afeta toda a humanidade e colocando a saúde do planeta – e, conseqüentemente, o nosso futuro – em dúvida.

Histeria coletiva

Se antes a comunidade científica buscava identificar o problema, hoje buscamos a solução para o problema. Mas como agir diante de um problema em que a solução exige necessariamente a participação de todos? Como a comunidade científica pode conscientizar os governantes e a população mundial sobre a realidade sombria que assola o nosso tempo?

Foi então que a imprensa deu uma força. O famoso Al Gore, talvez motivado por questões políticas, por questões humanitárias ou simplesmente por questões pessoais, voltou o foco da mídia para sua figura usando uma realidade até então discutida somente no meio científico. Não se pode negar que, com isso, prestou um grande favor à humanidade. Afinal, estamos diante das mudanças climáticas. Mas devemos ressaltar que nem tudo é como a imprensa costuma publicar, principalmente quando a informação sobre o clima vem de cientistas de áreas muito distantes daquelas ligadas ao clima, ou seja, vem de alguns ‘Al Gore’s da vida’ simpáticos à causa.

Hoje sabemos que está havendo mudanças no comportamento de algumas variáveis climáticas. Porém, o grau, por assim dizer, dessas mudanças ainda é objeto de estudo. A conta das mudanças é muito fácil de fazer – afinal, vimos explorando há séculos as reservas naturais de nosso planeta e não poderíamos esperar outra coisa senão mudanças no equilíbrio natural da Terra. Os reflexos no clima são o que hoje temos de mais imediato, mas não podemos esquecer da biodiversidade, da água potável disponível no planeta e das reservas de combustíveis fósseis que sempre foram explorados, principalmente pelos chamados países desenvolvidos, para atender a um desenvolvimento da humanidade baseado em uma economia mundial predadora do meio ambiente.

Enfim: diante da realidade, todo cuidado é pouco. É certo que estamos diante de mudanças climáticas, mas devemos sempre analisar as origens das notícias e, acima de tudo, cuidar para que o dito ‘sensacionalismo jornalístico’ não conduza a uma histeria coletiva de toda a população mundial.

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Pesquisador da Embrapa – Milho e Sorgo, Sete Lagoas, MG

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