Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CIêNCIA > JORNALISMO CIENTÍFICO

Sobre a fetichização da ciência

Por Daniel Patire em 13/02/2007 na edição 420

Os temas científicos, quando transformados em matérias jornalísticas, passam por mecanismos editoriais que, em muitas ocasiões, causam no leitor comum a sensação de que a ciência é algo mágico. Essa forma de divulgação da ciência e seus efeitos para o conhecimento científico é examinada pela mestranda em sociologia Verena Fornetti em sua dissertação ‘Divulgação científica fetichizada: análise comparativa das revistas Superinteressante, suas edições especiais, e National Geographic Magazine‘.

A pesquisa, orientada pela socióloga Fátima Cabral, do Departamento de Sociologia e Antropologia da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), campus de Marília, foi submetido a uma banca para Exame de Qualificação de Mestrado no último dia 30/01, em São Paulo.

A banca foi composta por Wilson da Costa Bueno, jornalista científico e professor de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo, e pela professora aposentada Isabel Maria Frederico Rodrigues Loureiro, da FFC.

Misticismo e ciência

‘Nosso objetivo é entender o que ocorre com a ciência quando esta é transformada em mercadoria e submetida, na mídia, aos padrões do jornalismo em revista: sensação, sucesso e relaxamento’, disse Verena.

Segundo a mestranda, nesse processo de ‘fetichização’ da ciência, em algumas reportagens o conhecimento científico se iguala ao conhecimento místico. Embora a perspectiva cética também seja abordada nas reportagens sobre temas místicos, não há uma afirmação categórica da perspectiva científica e pode parecer que tanto o misticismo, quanto a ciência, são armas igualmente válidas para entender o mundo. ‘Essa é uma maneira complicada de abordar a ciência. Se a revista borra a fronteira entre religião e ciência, isso pode confundir o leitor’, explicou Verena.

Escola de Frankfurt

Isabel e Bueno enfatizaram que a principal crítica de Verena ao jornalismo cientifico, sobretudo da revista brasileira, está no fato dele apresentar a ciência como um simples entretenimento, uma curiosidade. ‘No trabalho há uma idéia reguladora de que a ciência é uma ferramenta crítica para reflexão e a divulgação científica não é página de literatura ou de relaxamento’, destacou Isabel, professora de Filosofia.

Em suas análises, Verena utiliza um arcabouço teórico construído pelos principais filósofos e sociólogos da chamada Escola de Frankfurt – Adorno, Horkheimer e Habermas – para avaliar como a divulgação científica é tratada nos veículos de comunicação de massa.

Seus estudos abrangem as edições publicadas em 2005 das revistas científicas com altos índices de venda. Sob este critério, destacam a Superinteressante, a mais vendida no Brasil, e a National Geographic, a mais comercializada no mundo.

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Da Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp

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