Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

CINEMA BRASILEIRO > Festival Internacional de Cinema

Os 10 filmes brasileiros na Berlinale

Por Rui Martins em 20/01/2017 na edição 931

Dentro de três semanas, do 9 ao 19 de fevereiro, começará o 67. Festival Internacional de Cinema, do qual participarão dez filmes brasileiros, um recorde de participação nas diversas mostras da Berlinale.

Cena de "Joaquim"

Cena de “Joaquim”

Na competição internacional de longas-metragens, que distribui Ursos de Ouro e de Prata, estará “Joaquim”, de Marcelo Gomes, revivendo a figura de Joaquim José da Silva Xavier, num misto de ficção e história do líder da Inconfidência Mineira. A primeira manifestação da consciência brasileira por sua independência.

Na competição internacional de curtas-metragens, cujo premio é o Urso de Ouro, foi selecionado filme “Estás Vendo Coisas”, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca. O curta, que participou da 32. Bienal de São Paulo tem como foco o mau gosto das músicas bregas que dominam hoje o cenário musical brasileiro, filmado numa discoteca pernambucana.

Na  mostra Panorama, dois longa-metragens escolhidos pelos organizadores do festival foram: “Vazante”, dirigido por Daniela Thomas, e “Pendular”, dirigido por Júlia Murat.

Cena do filme "Pendular"

Cena do filme “Pendular”

“Vazante” revive a época do trabalho escravo dos negros na extração de pedras preciosas em Minas Gerais, fonte da riqueza do Brasil colonial. Na apresentação de “Vazante”, o Festival assinala a falta de memória brasileira, pois até hoje o Brasil não procurou se resgatar das atrocidades dessa época.

“Pendular” mostra as relações entre uma dançarina e um escultor e o significado de suas diferenças artísticas. Um tratamento filosófico de gênero, original, de jovens boêmios à beira da meia-idade.

Na mostra Fórum, está o filme “Rifle”, do cineasta Davi Pretto, uma espécie de western gaúcho, mostrando uma luta pela propriedade da terra, de um grande fazendeiro contra um pequeno agricultor´.

Na mostra Fórum encontra-se ainda o filme de João Moreia Salles, “No Intenso Agora, um documentário reunindo cenas da revolta estudantil de maio 68 na França, da invasão da Checoslováquia e cenas na China e no Brasil dessa mesma época.

Cena do filme "Rifle"

Cena do filme “Rifle”

Na mostra Geração, dedicada ao cinema jovem, estão três filmes longas-metragens: “As Duas Irenes“, do cineasta Fábio Meira, contando a história de duas meio-irmãs com o mesmo nome e mesma idade, filhas do mesmo pai com mães e níveis sociais diferentes.

Mulher do Pai“,
de Cristiane Oliveira, já premiado no Festival do Rio. O filme acompanha o relacionamento entre uma menina de 16 anos e seu pai cego, por quem a garota fica responsável após a morte da avó. A distante convivência do homem com a jovem é conturbada pela presença de uma professora.

Não Devore o meu Coração“,
de Felipe Bragança, que narra uma história de paixão “amour fou” entre adolescentes de 13 anos, ela índia guarani, tendo como pano de fundo a questão da própria identidade e as disputas por terras na fronteira do Brasil com o Paraguai.

Cena do filme " A mulher do pai"

Cena do filme ” A mulher do pai”

E ainda na mostra Geração, o curta-metragem “Em Busca da Terra sem Males“, de Anna Azevedo.  Na mitologia Guarani, Terra sem males é o lugar onde os índios, enfim, encontram a paz. Nos arredores da cidade do Rio de Janeiro, um grupo indígena sem terra ergue uma pequena aldeia chamada Ka ́aguy hovy Porã, Mata Verde Bonita. Ali, crianças crescem entre as antigas tradições.

Na mostra Talentos, dedicada a jovens, foi selecionado o filme “Medusa”, ainda em produção,  de Ana Rocha da Silveira, incluído na categoria horror e sobrenatural. .

***
Rui Martins é jornalista e estará na Berlinale 2017 como convidado dos organizadores do evento.

 

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