Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CINEMA > Filmes brasileiros em baixa

Filme de animação abre o Festival de Cinema de Berlim

Por Rui Martins em 15/02/2018 na edição 974

Muitos cachorros de todas as raças, na abertura do 68º Festival Internacional de Cinema de Berlim. Estão reunidos na Ilha dos Cachorros, depois de retirados de seus donos e expulsos da cidade por ordem do prefeito. Essa história de perseguição aos cães, nada tem a ver com os dálmatas ameaçados por Cruela, mas é um filme de animação do diretor americano Wes Anderson, tipo fábula alegórica, ao que parece relacionado com refugiados. Um outro filme de Wes Anderson escolhido para abrir o Festival. há dois anos, foi o Grande Hotel Budapeste.

As atrações internacionais são o novo filme de Steven Soderbergh, Unsane, anunciado como thriller ou filme de horror; Gus van Sant traz Don´t Worry, We Won´t Get Far on Foot; o francês Benoît Jacquod aparece com seu filme Eva, vivida por Isabelle Huppert; Utóia 22 de Julho,  do norueguês Erik Poppe, conta o massacre de jovens noruegueses por um fanático de extrema-direita; Museu, do mexicano  Afonso Ruizpalacios, conta um ousado roubo num importante Museu de Antropologia, tendo com ator principal Gael Garcia Bernal; e um documentário do veterano diretor argentino Fernando Solanas, Viaje a los Pueblos Fumigados, denuncia o uso de agrotóxicos nas plantações.

Sem esquecermos o filme do diretor filipino Lav Diaz, contando os anos de chumbo da época do ditador Ferdinand Marcos, Season of the Devil.  Há também a história do poeta dissidente Dovlatov, na época de Bresnev, na União Soviética, cujos livros não eram publicados, contada pelo realizador Alexey German Jr. O filme Revolução Silenciosa, do alemão Lars Kraume, sobre  a classe de estudantes secundários punida pelo governo da Alemanha Comunista, depois de terem apoiado a revolta húngara de 1956. Há mesmo um filme aparentemente religioso de Cédric Kahn, A Oração, na contracorrente dos filmes anticlericais exibidos nos últimos anos.

Filmes brasileiros em baixa

Este ano, não há nenhum filme brasileiro na competição internacional – o Brasil apenas participou da produção do filme As Herdeiras, de Marcelo Martinessi, que assinala a estreia do cinema paraguaio no Festival. Outra participação indireta é a do diretor brasileiro José Padilha, já premiado com o Urso de Ouro, que preferiu fazer cinema em Hollywood. “Fazer cinema no Brasil é um inferno”, disse ele numa recente entrevista ao jornal Folha de S.Paulo . Ele dirige, com destaque especial mas fora de concurso (poderia ganhar outra vez o Urso?), o filme 7 Dias em Entebbe, programado a partir do domingo.

O cinema brasileiro concorre ao Urso de Ouro, na mostra de Curtas-Metragens. Ali estão Alma Bandida, de Marco Antônio Pereira; Terremoto Santo, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca; e o diretor Ricardo Alves participa com o realizador português João Salaviza, do curta Russa, filmado em Portugal.

A seleção dos longa-metragens brasileiros na Berlinale, como também é conhecido o Festival, já parece ter sido definida nos últimos anos – vão para a mostra paralela Fórum, onde como o nome indica, se prestam a debates. Ou para a mostra Panorama.

Este ano, só há uma produção brasileira no Fórum, com dupla direção de Gabraz Sanna e Anne Santos, Eu sou o Rio, cujo título foi mal traduzido para o inglês como I am the River. O tradutor não percebeu se tratar da cidade do Rio de Janeiro e não de uma corrente de água. I am the Rio tem como personagem principal o pintor e músico de São Gonçalo, Tantão.

Na mostra Panorama há cinco filmes: Tinta Bruta, de Márcio Reolon e Felipe Matzembacher, mais quatro documentários. Um rodado por Karim Ainouz, no Aeroporto Central de Tempelhof, desativado há muitos anos e seus hangares servindo agora para acolher dois mil refugiados, vindos da Síria e do Iraque.

Os outros documentários são: Bixa Travesty, documentário de Kiko Goifman e Cláudia Priscilla; Ex-Pajé, documentário de Luiz Bolognesi; O Processo é um documentário de Maria augusta Ramos sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

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Rui Martins é jornalista e  está em Berlim, convidado pelo Festival Internacional de Cinema.

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