Domingo, 15 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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Spike Lee junta Chicago e Iraque em filme contra o racismo

Por Rui Martins, de Berna em 02/02/2016 na edição 888

Chiraq, o novo filme de Spike Lee tornou-se uma das atrações do Festival Internacional de Cinema em Berlim, depois da decisão do diretor norte-americano de apoiar a iniciativa da atriz Jada Pinkett Smith de boicotar a cerimônia de entrega dos Oscars, em Los Angeles.

Spike Lee / Foto Vibe.com

Spike Lee / Foto Vibe.com

A gota d’água para a decisão de Lee foi  a ausência de nomeados negros na lista das 24 categorias artísticas nos filmes lançados no ano passado, num total  de 120 indicados premiáveis. Uma situação de discriminação racial perdura nos Estados Unidos, há mais de meio século, apesar do reconhecimento legal da igualdade racial que acabou com o apartheid americano e a separação dos negros nas escolas e nos transportes públicos, mas continua mal digerido no meio policial.

Spike Lee se inspirou justamente dessa violência contra os negros para adaptar uma peça teatral grega do irônico e satírico  Aristófanes, que vivia na época da Guerra do Peloponeso, ao clima de violência existente nos bairros negros de Chicago Midwest, onde o número de assassinatos anuais é igual ao de um país em guerra, revivendo a fama dos anos 30, quando a cidade era chamada de « capital do crime ».

O título do filme, primeira produção dos Studios Amazon, é uma contração das palavras Chicago com Iraque, popularizada pelos rapeiros da região, como Chief Keef.

A peça na qual se baseou Spike Lee é a comédia Lisístrata, escrita em 411 AC,  e o filme, uma comédia musical, começa quando as mulheres se organizam contra a violência sob o comando de Lisistrata, depois de uma criança negra ter sido morta por uma bala perdida.

Um total de doze composições rap de autores locais musicam o filme com sua linguagem crua contra as já comuns arbitrariedades policiais contra negros, mesmo crianças, nos Estados Unidos. O anúncio do título do filme, no começo das filmagens no ano passado, provocou protestos de autoridades e organizações locais, por comparar Chicago ao Iraque. O prefeito local quis também fazer pressão contra esse título, alegando ter retirado três milhões de dólares de impostos locais sobre o filme.

Na militância contra a violência, as mulheres da peça Lisístrata declaram uma greve de sexo. No filme Chiraq, elas se organizam para tomar o poder utilizando, para isso, o seu charme e a atração sexual. Na peça, a pressão feminina leva a um acordo de paz entre Atenas e Esparta.

O ator Samuel L. Jackson é o narrador, e a líder das mulheres revoltadas contra os chefes de gangs e policiais é a atriz  Teyonah Parris, no papel de Lisístrata. Outros atores : Nick Cannon, Wesley Snipes, Jennifer Hudson, Angela Bassett e John Cusack.

***

Rui Martins é jornalista, escritor e cobrirá o Festival de Berlim no início de fevereiro.

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