Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CIRCO DA NOTíCIA > IMPRENSA PARAENSE

Imprensa dividida

Por Lúcio Flávio Pinto em 16/03/2015 na edição 842
Reproduzido do blog do autor, 8/3/2015

Por força do acordo entre PMDB e PT, o Diário do Pará se tornou um órgão oficioso do governo federal. Com a ascensão de Helder Barbalho ao ministério de Dilma Rousseff no segundo mandato, ocupando a pasta da pesca, o jornal da família Barbalho se tornou ainda mais comedido – para usar uma expressão diplomática – em tudo que se refere a Brasília. Mas está exagerando.

A edição de hoje [domingo, 8/3] jogou para uma página interna, com o menor destaque possível, a denúncia de Dalton Avancini de que a Construtora Camargo Correa, da qual é o presidente, pagou propina para ter o seu contrato na construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, a maior obra em andamento no país.

A Camargo teria reservado 1% dos 5,3 bilhões de reais do valor contratual para o PT e o PMDB, cada um deles levando os seus R$ 51 milhões (R$ 102 milhões no total) “por fora”, direto para o caixa 2 e para alguns bolsos, segundo o testemunho do executivo da empreiteira. Avancini foi um dos que fez acordo de delação premiada depois de ser preso pela Operação Lava-Jato, em Curitiba, no Paraná. Vai continuar depondo pelos próximos dias.

O Liberal de hoje [8/3] dá a matéria com destaque na primeira página, o mesmo tratamento da véspera. A matéria de sábado é praticamente a mesma repetida no domingo, ligeiramente reescrita. O editor deve ter percebido que precisava render o assunto no dia de maior vendagem do jornal dos Maioranas, agora críticos ferozes do governo Dilma em função do acerto da presidente com os Barbalhos.

A matéria diz que os 5,3 bilhões que a Camargo conseguiu representam 16% do valor de toda a hidrelétrica. Cometem um erro porque partem do orçamento de R$ 19 bilhões da obra, que já está, na subestimada planilha oficial, em R$ 28 bilhões, prometendo ir além até a sua conclusão. O que pode ter elevado o valor da propina paga aos dois principais partidos de situacionistas (no caso do PMDB, ma non troppo).

******

Lúcio Flávio Pinto é jornalista, editor do Jornal Pessoal (Belém, PA)

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem