Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CIRCO DA NOTíCIA > RENAN & TAÍS

A ficção e o respeito à verdade

Por Alberto Dines em 01/10/2007 na edição 452

Quantos telespectadores assistiram na sexta-feira (28/9) ao final de Paraíso Tropical – sessenta, setenta, oitenta milhões? E quantos assistiram à reprise no sábado – outro tanto, um pouco menos?


Pergunta-se: adiantou agredir a democracia e esconder o julgamento do senador Renan Calheiros no Senado há poucas semanas? É evidente que a telenovela de Gilberto Braga não reproduz os fatos, está longe, muito longe, de ser uma reconstituição histórica, mas justamente porque se trata de ficção, os enredos ficam mais claros, mais evidentes e palpitantes.


Goste-se ou não deste gênero de dramaturgia, a verdade é que numa sociedade aberta é impossível esconder os fatos. Se apenas uma elite tem condições e paciência para acompanhar os desdobramentos políticos tal como são mostrados através dos veículos jornalísticos, os mesmos episódios devidamente dramatizados podem produzir impactos federais.


Não adianta manipular ou controlar a cobertura de acontecimentos: o público acaba sabendo deles através de telenovelas, sátiras, caricaturas ou histórias em quadrinhos.


O final de Paraíso Tropical serviu para lembrar que na Era do Espetáculo, a melhor saída – talvez a única saída – é respeitar a verdade.

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/10/2007 Marcio Peralta

    Caro Bandarra. Refletir é preciso assim como navegar. Todos os vilões de hoje ou do passado merecem o contraditório. Tua alusão a serem FHC e Cacciola’ irmãos de sangue’ não merece guarida ,embora o banqueiro mantivesse ligações viscerais com o governo do PSDB/PFL, descritas nos autos. Existe uma sentença judicial condenatória para o banqueiro, olvidastes?

    Após uma investigação séria da Receita , da PF e de um possivel processo judicial saberemos quais os períodos mais fecundos para as finanças do senador pois no momento não passam de fofocas midiáticas e processos políticos. Não seria eu a te explicar algo.

    Minha mulher me deu uma aula sobre o último capítulo da novela que tu e o Dines assistiram embevecidos e rí muito ao descobrir quem era a tal Babel. Maldade tua achar que as mães dos filhos extraconjugais de Renan e de FHC podem ser comparadas com a prostituta da ficção. Nada a ver…

  2. Comentou em 01/10/2007 Paulo Fernandes da Silva Fernandes

    Alberto Dines. Você foi brilhante quando pergunta: Quantos telespectadores assistiram na sexta-feira (28/9) ao final de Paraíso Tropical – sessenta, setenta, oitenta milhões? E quantos assistiram à reprise no sábado – outro tanto, um pouco menos?

    O número que você estima e muito grande. E esse mesmo número que assistiu atentamente ao resultado final da Telenovela, são os mesmo que fazem com que a corrupição impere em nosso pais. Temos que nos levantar, temos que mostrar que somos maioria e ele a menoria, que tentam nos subornar através de programas que não passam de jogos politico. Temos que tirar esses corrupitos do poder, e por caras novas estam enteressados em ajudar a população.
    vamos dá um basta em quanto é tempo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Temos é que assistir de perto e resolver esta telenovela, que passa todos os dias no Senado e Camara.

  3. Comentou em 01/10/2007 Davi José Corrêa da Silva

    A maior vidraça deste país quer se passar por estilingue agora? Ela que beija a mão dos políticos quando lhe interessa, e quando ao contrário, usa da sátira para ficar por cima da onda. Parafraseando Boris Casoy: ISSO É UMA VERGONHA.

  4. Comentou em 01/10/2007 Migueldo Rosário

    È Dines, as novelas da Globo sempre se caracterizaram por um nível de conscientização política extraordinário. O episódio que você citou mostra bem isso. O Observador da Imprensa festeja a teledramaturgia global, que é, naturalmente, isenta de interesses e morais. A novela da Globo nos mostrou a verdade sobre Renan Calheiros! Agora só falta nos mostrar a verdade sobre o mensalão, não é? O mensalão petista, claro, porque o mensalão tucano não tem graça. Os senadores tucanos investigados pelo Supremo também não são assunto de novela, não é? Os senadores do DEM e PSDB que tentam obstruir o trabalho anti-escravo do governo federal, dos mesmos partidos que tentam derrubar Renan, também não são cobrados ou investigados pela mídia, não é?

    E fiquei muito aborrecido com o Luiz Weis ter vetado comentários. Em sua caixa de comentários havia sempre uma quantidade de informação interessante, com textos articulados, educados e críticos. Fiquei ainda mais chateado pela generalização grosseira que ele fez de todos os seus comentaristas, colocando-os todos num mesmo saco, desrespeitando. O que ficou claro é que ele não estava conseguindo suportar um peso crítico bastante consistente em seu blog. Um blog político sem comentários é ridículo. Muito feio, Weis, muito covarde, porque os leitores não poderão discutir com você de igual para igual. Voce se colocou sobre um pedestal anti-democrático.

  5. Comentou em 01/10/2007 José Paulo Badaro

    Depois de utilizar o poderio de informação até as tampas, de mobilizar comentaristas políticos, apresentadores e artistas globais sem êxito, a “cansada”, inconformada e aborrecida Vênus Platinada e seus acólitos, dentre os quais o prezado articulista, imaginam que o final da novela irá fazer o estrago que 6 meses de um bombardeio, de dar inveja a qualquer iraquiano, não conseguiu, isto é, apear o senador da presidência do Senado na marra, transformando a imprensa em tribunal de exceção, condenando-o sumariamente perante a opinião pública, sem o devido processo legal.

    Simplesmente inaceitável, para não dizer trágico, que alguém dê apoio a essa barbárie e ainda encontre virtude no escracho da novela, onde se estabelece, ademais, um insólito paralelo entre uma prostituta de rua e a jornalista Mônica Veloso . Se eu fosse o senador (graças a Deus não é o caso, pois também gostaria de vê-lo pelas costas, mas rigorosamente dentro da lei), agora é que me agarrava de vez na presidência do Senado. Se fosse advogado da jornalista, que se viu injustamente comparada a uma meretriz vulgar, começaria processando a Globo, utilizando matérias e repercussões públicas como essa, do Observatório, como elemento de prova.

  6. Comentou em 01/10/2007 Nilton Andrade Bergamini

    Deixe-me ver se entendi.
    Você acabou de dizer que, a verdade é o ponto de vista de um diretor de novela subetido a opinião de uma multinacional que detém a maior fatia do mercado e se sente ameaçada pela situação ?

    Sinceramente…
    Tudo tem limite Dines.

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