Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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A aventura interpretativa

Por Mauro Malin em 07/03/2013 na edição 736

A Folha de S. Paulo (6/3) publicou bons textos de interpretação sobre o significado político e histórico da morte de Hugo Chávez, especialmente os de Flavia Marreiro, Claudia Antunes e Julia Sweig. Podia ter se contentado em dar na primeira página os fatos e remeter o leitor para análises no caderno especial que publicou.

Mas não. Resolveu sintetizar tudo numa manchete. Como sempre, repetindo o que todo mundo já sabia desde a tarde anterior. Olhando para trás. Com excesso de palavras: “Câncer mata Hugo Chávez, 58, líder populista da Venezuela.”

Estão sobrando: “câncer”,  “Hugo”, “58”, “líder” e “Venezuela”. Ou não?

Medite-se sobre o adjetivo “populista”. Do alto de sua infinita sabedoria, a Folha simplificou um tema que poderá ocupar analistas ao longo de décadas vindouras. Está resolvido: populista. Tão esclarecedor como “polêmico”, palavra-embuste usada na capa do caderno especial.

Claudia Antunes usa os seguintes – e menos vagos – qualificativos: centralizador, nacionalista, regionalista, anti-imperialista, jacobino. Juliz Sweig não adjetiva o líder. Flavia Marreiro usa o impreciso “esquerdista”.

Outros jornais evitaram a armadilha da interpretação “a quente”. O Estado de S. Paulo: “Morre Chávez, vice assume e convocará eleição em 30 dias”: pura informação. Valor: “Morte de Chávez abre corrida política”: informação + perspectiva imediata. O Globo: “Encruzilhada venezuelana” (este não quer dizer rigorosamente nada, tem sabor de editorial, mas não tem pretensões interpretativas).

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