Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CIRCO DA NOTíCIA > LEITURAS DO ESTADÃO

Amnésia circunstancial

Por Luiz Egypto em 09/11/2004 na edição 302

O Estado de S.Paulo ficou atrás da concorrência no noticiário sobre a saída do jornalista Ricardo Kotscho da Secretaria de Imprensa da Presidência da República. A primazia do furo foi do colunista Jorge Bastos Moreno, que deu a informação no Globo (sábado, 6/11), e no dia seguinte todo mundo correu atrás.


Na edição de domingo, o Estadão informa que a saída de Kotscho ‘não tem data marcada para ocorrer’ e que ‘seu substituto também não foi definido’, resguardando-se da incerteza ao mencionar que ‘um dos nomes cotados é o do atual subsecretário, Fábio Kerche’. O Globo e a Folha foram mais precisos: cravaram que o substituto será mesmo o cientista político Fábio Kerche. A Folha, aliás, afirmou isso na linha-fina e no lide, e ainda obteve uma declaração de Kotscho: ‘O Fábio conhece o Lula há muito tempo e é mais preparado do que eu’. Ademais, Globo e Folha ofereceram aos leitores um breve perfil do futuro secretário.


Indecisa, a matéria do Estado (‘Kotscho decide deixar assessoria de Lula’, 7/11, pág A9) derrapou feio na contextualização. Num balanço dos quase dois anos de atuação do jornalista à frente da Secretaria de Imprensa, relembrou suas trombadas com repórteres credenciados pela Presidência, sua posição favorável ao Conselho Federal de Jornalismo, e a derrota sofrida no episódio da tentativa de expulsão do correspondente Larry Rohter, do New York Times, em maio passado, quando o Kotscho, contrário à idéia estapafúrdia, foi voto vencido.

A casca de banana apareceu no parágrafo que começa na 75ª linha do texto do Estadão. Ali está dito:


‘Horas depois que a decisão de expulsar Rohter foi anunciada, Kotscho participou de um programa Roda Viva, na TV Cultura. Abatido, lembrou de sua trajetória na imprensa, pediu o controle interno nos jornais para evitar matérias irresponsáveis e disse que depois de o governo tomar uma decisão, assessores e ministros devem cumpri-la.’


Tudo muito bom, tudo muito bem. Ocorre que a manifestação de Kotscho deu-se no programa Observatório da Imprensa, exibido pela rede pública de TV às 22h30 da terça-feira, 11/5/2004. Suas declarações repercutiram nos jornais e telejornais do dia seguinte. E a íntegra do que disse está publicada neste Observatório, edição nº 276, sob o título ‘Foi uma decisão extremada para um caso muito grave’, em (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=276IMQ007).


O Roda Viva é exibido às segundas-feiras; o OI na TV, às terças. Uma checada no calendário mataria a charada.

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