Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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CIRCO DA NOTíCIA > NO LLORES POR MI, ARGENTINA...

Aqui Observatório, lá Ameaçatório

Por Alberto Dines em 15/04/2008 na edição 481

A imprensa argentina é mais velha do que a nossa. Segundo Carlos Rizzini, em O Livro, o Jornal e a Tipografia no Brasil (1ª edição, Rio, 1945), começou em 1801 com um bi-semanário cujo nome parece letra de tango – Telégrafo Mercantil, Rural, Politico-Económico e Historiógrafo del Rio de la Plata – e seu diário mais antigo – La Nación, 1870 – continua como referência nacional.


Em matéria de desprezo por uma imprensa livre, la Presidenta Cristina Fernández de Kirchner, é neófita. Seu colega brasileiro, o presidente Lula, é veterano: na condição de presidente começou a implicar com a imprensa ainda em 2004 com o natimorto Conselho Federal de Jornalismo e até hoje não conseguiu livrar-se das recaídas periódicas. Hugo Chávez veio em seguida.


Cristina Kirchner acreditava piamente no seu poder de enganar a sociedade argentina através da manipulação de dados macroeconômicos, sobretudo os índices de inflação. Para enfrentar o protesto dos produtores rurais e da classe média sem dinheiro para manter o seu padrão alimentar, o governo colocou a tropa de choque peronista nas ruas. E para calar a imprensa, notadamente o grupo que edita o diário Clarín, relançou o Observatório de Discriminación en los Medios, um cala-boca pseudo-acadêmico baseado na intimidação [ver aqui].


Acompanhar e monitorar


O peronismo jamais conseguiu conviver com uma imprensa livre desde o golpe de 1943, que levou os militares fascistas (e com eles Juan Domingo Peron) ao poder. A dupla Kirchner ainda não entendeu o funcionamento de uma democracia autêntica. A melhor prova é este ‘observatório antiobservação’ recém-saído dos laboratórios da Casa Rosada.


Observar é uma atitude democrática, pressupõe uma disposição de não interferir. Este pseudo-observatório portenho é, ao contrário, uma forma ostensiva de intervenção.


A mídia precisa ser examinada e criticada permanentemente – pela sociedade e não pelo aparelho do Estado. A crítica aos meios de comunicação quando entoada pelas autoridades converte-se automaticamente em ameaça. Ameaçar a imprensa, ainda que esta ameaça não se materialize, já configura um limite à liberdade, é infração.


Apesar da nossa vocação para os eufemismos e para as distorções semânticas, a noção de observatório em nosso país continua sendo entendida corretamente como um espaço (ou disposição) para acompanhar e monitorar. Este Observatório da Imprensa é prova disso.


O observatório do oficialismo argentino não passa de um Ameaçatório.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/04/2008 Thiago Conceição

    O grande problema é que não há no Brasil uma noção de verdade. Tudo é ponto de vista, opinião. Logo ninguém se interessa por fatos, mas apenas por versões e tentam ao mesmo tempo desacreditar a ‘versão’ alheia. É assim que funciona a cabeça do Lula e de seus seguidores. Por isso a argumentação contra o trabalho da imprensa é fraquíssimo. Se resume a um ‘apelo a motivos’, tentando desacreditar toda ‘notícia ruim’ como um plano secreto de toda a imprensa, sem negar de fato nenhuma das alegações. Também usam de relativismos, comparações com supostas corrupções do governo anterior, ou negociatas para impedir que as investigações prossigam ou dêem algum resultado adverso. Nessa ladainha anti-imprensa só acredita quem é militante anti-imprensa.

  2. Comentou em 19/04/2008 Thiago Conceição

    O grande problema é que não há no Brasil uma noção de verdade. Tudo é ponto de vista, opinião. Logo ninguém se interessa por fatos, mas apenas por versões e tentam ao mesmo tempo desacreditar a ‘versão’ alheia. É assim que funciona a cabeça do Lula e de seus seguidores. Por isso a argumentação contra o trabalho da imprensa é fraquíssimo. Se resume a um ‘apelo a motivos’, tentando desacreditar toda ‘notícia ruim’ como um plano secreto de toda a imprensa, sem negar de fato nenhuma das alegações. Também usam de relativismos, comparações com supostas corrupções do governo anterior, ou negociatas para impedir que as investigações prossigam ou dêem algum resultado adverso. Nessa ladainha anti-imprensa só acredita quem é militante anti-imprensa.

  3. Comentou em 15/04/2008 Pedro Aladar Tonelli

    A noticia, em si, não me parece certa. O link dado informa que CK se reuniu com autoridades de uma faculdade para analisar o Observatrio de discriminação
    nos meios de comunicação. Isto seria uma parte do Plano Nacional contra a Discriminação que foi feito em 2005. A discriminação de que trata o texto é o racismo, xenofobia e discriminação sexual e este obsertario integraria outros comites ja existentes. No meu entender, nada de observatorio da imprensa,
    e pouco a ver com Crisitina Kirchner. O resto são opiniões do autor que todos podem ter num país livre.

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