Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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Ato falho ou boca torta?

Por Gilson Caroni Filho em 10/06/2008 na edição 489

Diz a psicanálise que é através do ato falho que o inconsciente realiza seus desejos. Como Freud não admitia espaço para o acaso, nenhum gesto, palavra ou pensamento acontece acidentalmente. Em tudo há uma intencionalidade, oculta ou não.


O que ocorreu com a edição de domingo (8/6) do Jornal do Brasil? Ao tratar do escândalo que atinge o governo de Yeda Crusius (PSDB-RS), os editores não hesitaram em caprichar no significativo título: ‘Corrupção abala governo do PT’. Ao leitor mais desatento foi isso que ficou marcado na retina.




‘Um escândalo de corrupção pode forçar a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), a promover alterações no primeiro escalão de sua administração. Na pior crise política de seu governo, Yeda vê seus auxiliares mais próximos sendo envolvidos por gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal e até pelo vice-governador Paulo Feijó (DEM).’


Freud diria que o ‘equívoco’ é a evidência de como certos sintomas revelam formação de compromisso entre a intenção consciente do sujeito e o recalcado. Quando sabemos o poderoso instrumento que é um título de jornal, nos damos conta da extensão do ‘recalque’. 



Para o jargão jornalístico, no entanto, trata-se apenas de que alguém ‘comeu mosca’. Não identificou um erro que saltava à vista. Uma falha que pode ser corrigida com uma errata. E fica o dito pelo não dito, ou melhor, o escrito pelo não escrito.


Mas para quem conhece a linha editorial da contrafação daquele que já foi um dos mais importantes jornais de expressão nacional, o erro do JB cabe na máxima popular: ‘O uso do cachimbo faz a boca torta’. Talvez seja o caso de lembrar ao atual proprietário, Nélson Tanure, que normas de segurança em estaleiros não são mecanicamente aplicáveis a redações. Nestas últimas, os procedimentos mais importantes devem conter prudência e uma boa dose de ética.


A curva padronizada para ambientes com material combustível recomenda que o uso do cachimbo seja precedido por todas as precauções possíveis.

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Professor titular de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), Rio de Janeiro, RJ

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