Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CIRCO DA NOTíCIA > MÍDIA & CIÊNCIA

Brincadeira tem hora e lugar

Por Paulo Bento Bandarra em 26/02/2008 na edição 474

O jornalista Júlio Ottoboni, em 19/2/2008, em ‘A imprensa que afaga e apedreja‘, neste Observatório, faz uma crítica à imprensa que teria por sua vez criticado o discurso fora de hora e propósito da ministra Marina Silva no 3º Simpósio sobre Criacionismo e Mídia, promovido pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo. Tenta desculpá-la como se fosse algo sem maior importância. Não concordo com a ministra e acho que só a mesma apenas pensar em voz alta não seja perdoável. Numa sociedade plural, não pode uma idéia ou uma verdade (no caso, absurda) ser imposta para o ensino de crianças de que idade seja como verdade.

Parece pouco para o nosso jornalista o deslize da pessoa pública. Mas não é. Não passa a tentativa de uma religião de se privilegiar na esfera pública introduzindo a sua visão particular arcaica em cima das crianças das demais. E que aqueles que acreditam só o fazem por terem sido ensinados erradamente, como se ciência fosse. A verdade científica em ciências naturais não é democrática. Não se curva à vontade da opinião da maioria, como querem.

Vamos supor que o presidente da República decidisse contratar um astrólogo para assessorá-lo nas próximas decisões econômicas, ou que o ministro da Educação resolvesse contratar Eric von Däniken para elaborar uma cartilha sobre a origem da vida e das civilizações criadas pelos ‘deuses astronautas’. Afinal, para aqueles que crêem nisto, é uma verdade a ser cultivada, tanto como o criacionismo é para o religioso fundamentalista. No entanto, o criacionismo, a astrologia e a hipótese ufológica estão todos no mesmo nível de comprovação e na mesma medida que só sobrevivem na mente das pessoas crédulas, pois as evidências científicas tornam estas coisas completamente absurdas.

O real e o imaginário

Para quem tem formação científica, são coisas dantescamente falsas de serem propostas ou que pessoas que possuem o poder que têm ministros acreditem e cogitem pôr em prática. Não podemos colocar a religião como opção para a ciência, pois evidentemente ela não é. Como a ciência não fornece as ilusões e certezas metafísicas de quem procura na prática religiosa. Motivo da existência de milhares de seitas e religiões, e de ter uma ciência. ‘Todas as religiões são a verdade sagrada para quem tem a fé mas não passam de fantasia para os fiéis das outras religiões’ (Isaac Asimov). Eu diria que não só são fantasias como são vistas como erros grosseiros.

Considerar a terra chata ou redonda, a terra imóvel ou girando em volta do sol, as doenças transmitidas por mau-olhado ou por infecções bacterianas, a chuva cair no solo por gravidade ou atraída por seu igual, sendo tudo uma mera questão de escolha que cabe ao leitor optar por qual ‘opinião’ lhe agrade mais e lhe convenha e a imprensa não denunciar os motivos de tais absurdos por um subjetivo respeito é negar a sua função. Deve ela levar o entendimento do sábio às pessoas, e não o dos tolos. E mostrar claramente a todo o momento por que são absurdos.

Ou os jornalistas estão despreparados para esta função social? Porque, claramente, o criacionismo não se diferencia destas ‘opiniões’ que o crente acredita serem modificáveis pela ‘vontade’ livre dos leitores que a mídia deva respeitar e favorecer. Quão baixo está o nosso ensino fundamental neste país que não se sabe diferenciar o que é real e o que é apenas fruto da imaginação.

Ditadores saem de cena mortos

Como dizia Isaac Asimov (A Relatividade do Errado), é certo que o conhecimento científico evoluiu da terra plana, da terra esférica, da terra levemente achatada para hoje em dia chegar a terra com uma leve forma de pêra. Mas voltar a opinar que a mesma seja plana conforme o juízo e a conveniência do momento como certa é um equívoco enorme. As pessoas precisam aprender o que é sujeito a opinião, valores pessoais, gostos e preferências daquilo que é científico e real. Não adianta acreditar que não vai bater correndo de carro sem cuidado porque vai se arrebentar. Não está na crença achar que ser pode beber o quanto quer porque não é pecado porque o álcool tóxico vai provocar dano. Não é possível descartar a gravidade como um mero preconceito científico porque ela não vai desaparecer pela nossa aspiração. Os fatos científicos não são modificáveis pela nossa opinião. Apenas podemos usar o conhecimento deles para tentar atingir nossos objetivos pessoais ou coletivos, quanto estão corretos (um meio indireto de perceber os acertos). Para isto que a ciência se torna vital. Não pode se conseguir atingir estes desígnios sem o conhecimento o mais próximo do real possível. Não são os nossos desejos pessoais, os mais sedutores possíveis, que proporcionam isto.

Pessoas hoje em dia ainda acreditam, pela facilidade das pessoas públicas, nem sempre de melhores qualificações morais, e muito menos escolares, de criar mistificação ao não serem contraditadas, como foi a posição fora de local da sra. ministra, que a Terra é redonda apenas porque seja uma ‘opinião’ mais popular no momento. Ainda crêem ser possível existirem ogros, gnomos, duendes. Afinal, opiniões que se devam ponderar devem ser aquelas emitidas por pessoas dedicadas ao conhecimento.

A queixa da esquerda que não obtém sucesso devido à imprensa é falsa, pois nos lugares em que tanto o socialismo nacionalista como o internacionalista assumiram o poder, o que menos se teve foi imprensa – apenas propaganda, tentando criar nas pessoas um mundo que não existia na verdade fora da fantasia fabricada em redações. Bilhões viveram sob este regime e não se pode dizer que a mídia tenha sido responsável pelos seus estrondosos insucessos em todos os locais tentados. Não teve a ciência melhor liberdade pela falta da mídia. Fidel não fracassou redondamente por causa da mídia. Provavelmente fracassou por falta de uma mídia livre para criticar e denunciar. Pois fora disto, o governante não precisa fazer nenhuma reavaliação e exame de consciência. Motivo pelo qual ditadores apenas saem de cena mortos.

Lógica errada

O que pode nos tirar do rumo ao retorno à Idade Média é este espírito combativo que estamos deixando para trás constrangidos pelos fanáticos que não medem esforços no sentindo contrário. Quem diria, há cinqüenta anos, que novas Cruzadas ou novas Jihads seriam travadas no século 21? Que por causa de charges, em revistas na Dinamarca, a insânia daria volta ao mundo, ou que a fúria islâmica tentasse humilhar o papa? Que pessoas são mortas friamente não porque não crêem apenas, mas porque apenas divergem de detalhes.

Ou possuímos convicção do porquê as coisas são, ou estaremos no mesmo estágio medieval. Apenas a diferença que naquela época se desconhecia as coisas, mas hoje em dia, a causa é que levamos as informações apenas como opiniões, sem levarmos o entendimento do porquê elas são de determinada maneira, e não podem ser de outra, ao bel prazer.

A surpreendente declaração de Lula que desgostou o jornalista Júlio Ottoboni – ‘Não somos daqueles que defendem a Amazônia como um santuário da humanidade’ (Estado de S. Paulo (13/2/2008) –, ao contrário da posição da ministra, pode ser politicamente errada, mas não é por certo uma verdade científica atacada. Uma lógica política errada.

Lixo e trigo

Ou as pessoas se propõem a defender o que se está extinguindo, o Estado laico, o direito de todos, a liberdade de opinião, a liberdade de expressão, ou voltaremos ao passado. Liberdade de expressão e de opinião, é claro, de tê-las. Não de não ser contraditado e de ser demonstrado os erros. Pois fora disto nada de útil se teria ao espalhar boatos, mistificações, mentiras, explorações da fé e da credulidade das pessoas. Daqueles que vivem do estelionato vendendo o Maracanã ou uma vida após a morte sem poderem cumprir, cobrando o dízimo para viverem e enriquecerem às custas dos incautos. Afinal, não foi pela mídia, que não existia, que Sócrates, Hipatia, Giordano Bruno, Galileu, Lavoisier…. foram calados. Nem foi por serem contraditos pelos estudiosos da época ou desacreditados por eles. Mas foi pelos operadores do direito, pelas autoridades que tinham o poder da justiça nas mãos para queimar livros e ceifar vidas. Exemplo claro sofrido pelos assim chamados revisionistas hoje em dia. A cadeia usada abusivamente para determinar uma posição oficial que não consegue ser feita pelo contraditório apenas. Isto que deteve os inovadores. Não existe ‘blindagem’ em revistas científicas para publicações. Elas são justamente expostas ao crivo da crítica e da refutação para se estabelecer.

Mas, no fim, tudo são questões políticas que decidiremos sem relação com a evolução natural do mundo. Como meros animais imaginativos, cuja racionalidade é muito limitada, até no pouco tempo que fazemos tentativas de improvisar o uso dela, a nave seguirá a sua trajetória inexorável no espaço. Apenas nós padeceremos pelas nossas decisões erradas e nossas crenças emotivas em busca desta tranqüilidade infantil de segurança paterna perdida na vida adulta. Se não soubermos diferenciar lixo de trigo, será uma lástima para nossa alimentação intelectual.

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Médico, Porto Alegre, RS

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/03/2008 Marcelo Ramos

    Sr. Bandarra, o senhor já fez referência e usou autoridade de Platão/Sócrates, no caso, no diálogo A apologia de Sócrates. Não acho errado fazer referências à filósofos. O senhor se lembra, não é mesmo? Na ocasião, sugeri que lesse (ou mencionasse) a República, principalmente os livros VII e X. Como o senhor não mencionou se leu ou não, vou repetir minha pergunta: o senhor leu a República? Mesmo que não tenha lido, não desqualifique Platão por eu tê-lo usado como referência. Minha sugestão é que, se vai usar Platão/Sócrates como referência, conheça melhor o conjunto da obra.

  2. Comentou em 03/03/2008 Paulo Bandarra

    É perda de tempo, meu amigo, na medida que não consegue dirimir as coisas minimanente. Por isto que a justiça pede o parecer do psiquiatra e não advogados para saber se o paciente está em contato com a realidade e qual a causa da sua perda de percepção da mesma! Só a inteligência não é suficiente, um erro seu, pois os primitivos também contavam com a inteligência (sei que você vai querer que prove que existiam primitivos). Assim como modernamente você alega que não existem pessoas com menos inteligência do que você (néscios) o que aceito o seu testemunho, para não dizer que estou de birra! Esta desconexão da sensorial ou mental da realidade que deve passar com a idade, nem todos podem atingir. Mas concordo com você que você não é o único! Motivo porque é facilmente possível enganar as pessoas e viver as custas delas com promessas mirabolantes! Sem um método de verificar os efeitos e alegações, os ingênuos não conseguem não só como você, reconhecer os erros crassos do criacionismo, mas da astrologia, das alegações paranormais, das alegações de abduções, sangrias, de possessões demoníacas, do poder de torcer moedas no seu bolso, ressuscitar peixes, dirigir sem colocar as mãos, terapias de vidas passadas. Estas coisas que você possui dificuldade de avaliá-las apenas com a inteligência e a formação em direito para decidir se não são reais mesmo! Eu não provo nem que você existe!

  3. Comentou em 01/03/2008 Paulo Bandarra

    “Impor algo q não decorre de um raciocínio válido, não pode ser demonstrado e não é essencial para o estabelecimento de um sistema lógico válido é criar um dogma de fé.” A negação de: “enquanto aqueles q acerditam no criacionismo partem de um outro conjunto de axiomas, outro sistema lógico igualmente válido. Sendo impossível provar a invalidade de um ou de outro, somos forçados a aceitar q nosso ponto de vista é igualmente válido a todos os demais (desde q coerentes),” Deus não decorre de um raciocínio lógico, não existe demonstração nenhuma de sua intervenção em qualquer coisa, não pode ser demonstrado, não é essencial para estabelecer um sistema lógico, não explica os achados, etc… mas o cara ainda insiste em dizer bobagens e desdizer em seguida!

  4. Comentou em 01/03/2008 Paulo Bandarra

    O cara chega ao cúmulo de se dizer e desdizer várias vezes na mesma postagem!!! “Impor algo q não decorre de um raciocínio válido, não pode ser demonstrado e não é essencial para o estabelecimento de um sistema lógico válido é criar um dogma de fé.” Brilhante, não tivesse dito: “Ora, nunca foi demonstrado q espíritos existem. E nunca foi demonstrado q espíritos não existem.” (ou seja, não demonstrado é igual a demonstrado). Pior, quem afirmou a relação da energia quântica com espíritos não demonstrados foi quem ele queria defender (coisas de advogado)! Mas vindo de um cara que jura que não é possível cientificamente diferenciar pau de pedra, a causa da tuberculose, ou motivo de uma morte pela ciência forense! Porque se isto fosse possível, e é claramente verdade, é evidente que a ciência comprova o mundo objetivo sem confusão que o individuo está completamente perdido!

  5. Comentou em 29/02/2008 Brenio Hallison

    Prezado Dr Pierri. Agradeço pelo pontual e oportuno comentário. Ora, o pressuposto da estabilidade, um dos paradigmas da ciência, leva o cientista a estudar os fenômenos em laboratório, onde pode variar os fatores um de cada vez, exercendo controle sobre as outras variáveis. Assim, ele provoca a natureza para que explicite, sem ambiguidade, as leis a que está submetida, confirmando ou não suas hipóteses. Ao levar o fenômeno para laboratório, excluindo o contexto e a complexidade, focalizando apenas o fenômeno que estava acontecendo, ele exclui a sua história. A idéia de ‘leis da natureza’ é a mais fundamental da ciência moderna e tem uma conotação legalista, como se a natureza fosse obrigada a seguir leis… Certamente isso está ligado a pontos de fé (ou idéias religiosas, como queira chamar) que concebem um legislador onipotente. Será que isso não seria uma tentativa de equiparar o conhecimento humano ao divino? (Dr Bandarra, eis aí um ponto básico, repito, ponto básico, de ligação entre a ciência e espiritualidade).

  6. Comentou em 29/02/2008 Brenio Hallison

    Prezado Dr Pierri. Agradeço pelo pontual e oportuno comentário. Ora, o pressuposto da estabilidade, um dos paradigmas da ciência, leva o cientista a estudar os fenômenos em laboratório, onde pode variar os fatores um de cada vez, exercendo controle sobre as outras variáveis. Assim, ele provoca a natureza para que explicite, sem ambiguidade, as leis a que está submetida, confirmando ou não suas hipóteses. Ao levar o fenômeno para laboratório, excluindo o contexto e a complexidade, focalizando apenas o fenômeno que estava acontecendo, ele exclui a sua história. A idéia de ‘leis da natureza’ é a mais fundamental da ciência moderna e tem uma conotação legalista, como se a natureza fosse obrigada a seguir leis… Certamente isso está ligado a pontos de fé (ou idéias religiosas, como queira chamar) que concebem um legislador onipotente. Será que isso não seria uma tentativa de equiparar o conhecimento humano ao divino? (Dr Bandarra, eis aí um ponto básico, repito, ponto básico, de ligação entre a ciência e espiritualidade).

  7. Comentou em 28/02/2008 Rogério Ferraz Alencar

    ‘Motivo pelo qual ditadores apenas saem de cena mortos.’ Paulo Bandarra, sei que você não vai admitir que disse uma besteira, ao dizer isso. Pessoas autoritárias não dão o braço a torcer, mesmo que seus ditos tenham pernas curtíssimas. Pessoas autoritárias também acham que sabem tudo, inclusive diferenciar ditadorzinho de ditadorzão. Acham até que outros, subjugados pela inteligência flamejante dos todo-sabedores engolem qualquer coisa que os iluminados dizem, e aceitam que há ditadura sem ditador. Pessoas autoritárias não medem o que dizem, menos ainda quando são alvo de elogios de outros que habitam o mesmo mundo cheio de certezas. Como você não vai mudar mesmo, aceito, como bom cristão, seus abraços. E aproveito para perguntar: quando foi que Cristo nasceu? Numa discussão passada, você disse que Cristo não nasceu no dia 25 de dezembro, embora a igreja católica tenha imposto essa data como a de nascimento dele. Até perguntou se eu sabia o porquê do papa usar mitra. Eu não sei. Você poderia dizer agora, já que não disse da vez passada? Abraços de verdade, darwinista.

  8. Comentou em 28/02/2008 Brenio Hallison

    Caro Cid Elias. Para Vsa Sa sugiro a (re)leitura dos livros de Daniel Golleman, e só pra começar, (re)leia o intitulado Inteligência Emocional, dando sequência com o intitulado Inteligência Social – O Poder das Relações Humanas. ‘Ler pra considerar, não pra condenar’. Certamente esses livros lhe servirão como uma introdução amena nos assuntos da Mente. Um abraço.

  9. Comentou em 28/02/2008 Paulo Bandarra

    Caro Ricardo Camargo, saudações pelo seu retorno. Em primeiro lugar, mesmo tratando os ditadores mencionados, que apenas interroguei se não seria então ditadores, tiveram origens e comportamento diverso completamente dos irmanados nacionais e internacionais socialistas! Tanto no trato com a imprensa, a formação partidária e a saída do poder assim que dominado os movimentos guerrilheiros! O que evidentemente não ocorre até hoje em Cuba e a promessa dos poderosos é que jamais o povo terá a liberdade disto. Tudo igual? Não me parece! Quanto aos operadores do direito, eles realmente hoje em dia são formados em direito, e baseado nele que podem cometer seus atos de censura que os demais mortais não podem, e talvez, nem desejem! Não existem autoridades legais no país que não sejam formados em direito e sim em jornalismo ou ciências! Mesmo os que torturam, traficam e formam quadrilhas! Sócrates não foi cientista, mas nem por isto deixou de contribuir para o conhecimento humano. Não existe motivo para ser eliminado. E ele o foi dentro da democracia grega dentro de um processo legal. Hipatia não foi eliminada por cientista mas por religiosos, e Giordano não poderia ter sido por cientistas, mas apenas por autoridades que detinham o conhecimento e a aplicação das leis! Não por ser divergente no campo do conhecimento, mas por ser divergente para os que exerciam o poder na sociedade!

  10. Comentou em 27/02/2008 Paulo Bandarra

    ‘Os ditadores brasileiros de 64 a 85 só saíram de cena mortos?’ Vai ver não eram ditadores! Esqueci do Augusto Pinochet, que saiu de livre vontade 17 anos depois! Mas estes exemplos não foram do nacional socialismo ou do internacional socialismo! Queimar, condenar a morte, processar, jogar na cadeia, pedir indenização são coisas de advogado e não de cientistas!

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