Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
Menu

CIRCO DA NOTíCIA >

Como classificar a entrevista de Dilma à Veja?

Por Mauro Malin em 25/03/2012 na edição 686

Será difícil apontar a capa da Veja com a presidente Dilma Rousseff como parte da trama do “Partido da Imprensa Golpista” (PIG) contra o governo comandado pelo PT – é o que fariam os adeptos dessa teoria conspiratória caso a entrevista fosse com, digamos, Fernando Henrique Cardoso. A menos que a “conspiração” envolva a própria Dilma.

Os arautos dessa desinteressada forma de colaboração com o poder que consiste em igualar qualquer crítica com agressão deveriam meditar sobre o seguinte trecho de artigo de Paulo Krugman (“A paranoia ataca mais fundo”) publicado na Folha de S. Paulo de sábado (24/3):

“As teorias de conspiração proliferam em tamanha velocidade que é até difícil acompanhar o placar.

“Por que isso está acontecendo? Parte da resposta está no modo pelo qual a mídia de direita cria uma realidade alternativa, em que tudo de ruim resulta de um malévolo complô progressista. E são as pessoas que acompanham essa mídia que votam nas primárias republicanas.”

Golpistas de ontem

No Brasil, a mídia ainda mostra evidências de partidarização, preconceito, seleção ideológica de pautas e tratamento enviesado dado às matérias. Como, de resto, em qualquer país em regime democrático. Mas avançou bastante desde o tempo em que fazia campanhas “assassinas”, como a de Carlos Lacerda contra a posse de Juscelino Kubitschek na presidência da República, em 1955.

Em março daquele ano, após o lançamento da candidatura de Kubitschek à presidência da República, o Jornal do Commercio publicou artigo em que se pregava a conveniência de um golpe militar. E Lacerda, na Tribuna da Imprensa, acusou JK de ser o “condensador da canalhice nacional”, reivindicando uma “reforma da democracia brasileira para instaurar a legalidade legítima” (informações em Silvia Pantoja, verbete Juscelino Kubitschek do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, CPDC-FGV).

“Radicais” de hoje

A ferocidade antigetulista, antitrabalhista e antiesquerdista desaguou no golpe de 1964, apoiado com entusiasmo pela esmagadora maioria dos jornais do país. Diga-se, a bem da verdade, que a esquerda colaborou nisso com erros desastrosos de avaliação e ação. E assustou pessoas de formação democrática.

Em 20 anos, a ditadura entortou muitas cabeças, entre elas as de jornalistas e opinionistas que hoje pretendem defender posições progressistas. E que raciocinam sempre na base do “dá ou desce”, do confronto, da agitação exibicionista.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem