Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Como o dr. Goldberg chegou lá

Por Alberto Dines em 13/04/2004 na edição 272

O artigo de Olavo de Carvalho sobre o filme de Mel Gibson na revista Bravo! (abril, 2004, pág. 42-47) contém um ingrediente midiático que conviria destacar: é quase todo dirigido contra um desconhecido dr. Jacob Pinheiro Goldberg.

Quem é este senhor, da onde veio, o que fez ou disse, quem representa, qual a sua importância para ser escolhido como alvo da mais nova cruzada do filósofo?

O tema central do artigo é a nova perseguição aos cristãos empreendida por aqueles que não gostaram do filme A paixão de Cristo ou o consideraram anti-semita. Imagina-se, portanto, que o dr. Goldberg seja alguma autoridade teológica ou tenha alguma representatividade para merecer a furiosa investida. O talento, a cultura e as devoções de Olavo de Carvalho não podem ser desperdiçados com figuras insignificantes. O inimigo precisa ser magnificado, caso contrário a investida minimiza-se.

O dr. Jacob Pinheiro Goldberg é uma destas figuras transcendentais da vida contemporânea que se ocupa com a magna tarefa de escrever cartas aos jornais. Apresenta-se como advogado, foi dono de uma clinica psiquiátrica, mas já identificou-se como psicólogo, psicanalista, professor-visitante da Universidade de Londres etc., etc.

O atributo que não exibe é o seu extraordinário faro para ludibriar jornais, espécie de jornalista às avessas. Opina sobre qualquer assunto, especialmente aqueles que dizem respeito ao judaísmo, valendo-se do sobrenome para defender as posições mais amalucadas.

Justiça lhe seja feita: conhece como ninguém as deficiências das nossas redações. Há poucos anos, quando foram lembrados os 60 anos da morte do escritor Stefan Zweig, escreveu uma bateria de cartas aos principais jornais brasileiros afiançando que o criador do Brasil, País do Futuro não se suicidou junto com a mulher, mas foi liquidado por agentes da Gestapo a serviço de Getúlio Vargas.

Colou: publicaram a carta, pediram uma entrevista, o jornal concorrente não queria ficar atrás e convidou-o a escrever um artigo, logo apareceu uma emérita historiadora da USP para convidá-lo a participar de um congresso internacional. Não completou os 15 minutos de fama, seu trabalho foi desclassificado.

Ao perceber a ‘onda’ Mel Gibson, o dr. Goldberg achou que valeria a pena pegar carona neste bonde. Escreveu uma carta sugerindo que o filme fosse proibido para menores. Colou novamente: um redator de plantão do Estado de S.Paulo achou que o missivista deveria um importante líder da comunidade judaica, e certo de que iria fazer barulho, publicou uma notícia com a sua absurda proposta. A Folha, mordida de ciúmes, publicou um artigo na nobilíssima Página 3.

Desta vez, o dr. Goldberg chegou lá: o filósofo Olavo de Carvalho dedicou-lhe cinco páginas em papel couché impressas em quatro cores, mostrando-o como o perverso censor e algoz do cristianismo.

É a glória, dr. Goldberg! Mas, doravante, convém que os redatores de plantão se acautelem e não se deixem enganar com as idéias estapafúrdias do renomado prof. Iceberg.

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