Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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CIRCO DA NOTíCIA > EM BUSCA DO HEXA

Duas semanas de abobrinhas

Por Alberto Dines em 30/05/2006 na edição 383

A Copa do Mundo começa no dia 9/6, a seleção brasileira já está concentrada na Suíça preparando-se para o primeiro jogo no dia 13/6 em Berlim. Faltam dez dias para a abertura e 14 para a estréia, mas jornais, rádios e tevês já estão dominados pelo frenesi do Mundial.

Sheila Soares, a loura brasileira residente na Suíça, não resistiu ao charme de Ronaldinho Gaúcho, jogou-se sobre ele e rolou na grama com o craque. Não é jornalista, mas sabia exatamente o que aconteceria no dia seguinte (27/5): ganhou a primeira pagina dos nossos jornais. E, de quebra, exibiu a disponibilidade geral para o jornalismo de abobrinhas que dominará as duas próximas semanas.

Se a seleção já iniciou o treinamento, é óbvio que a reportagem especializada deve acompanhá-lo. Mas junto com os abalizados comentaristas esportivos vai um destacamento de especialistas em picadinho e laranjada, encarregados de explorar ao máximo aquilo que ocorre fora de campo e além do tempo regulamentar.

Devidamente gratificada, Sheila Soares desapareceu do noticiário. Em seu lugar apareceu Ronaldo, o Fenômeno, queixando-se abertamente da cerrada marcação da imprensa por causa do seu peso. Ronaldo imaginou que seria eternamente endeusado. Foi ingênuo, a mídia é volúvel e voraz, agora tem outro Ronaldo para endeusar.

O ‘quadrado’ de atacantes pode ser infalível, o talento dos atletas pode ser inesgotável e a sua fibra, imbatível, mas é preciso não esquecer que os patrocinadores gastaram fábulas de dinheiro e as empresas jornalísticas investiram fortunas na cobertura.

Todos precisam rentabilizar custos e monetizar o noticiário. Jogo e placar ficam a cargo da TV Globo.

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/06/2006 Débora Siqueira

    Não aguento mais assistir os programas esportivos da Globo. Meu Deus! Para que esse endeusamento dos jogadores, essas matérias deslumbradas e histéricas? Isso beira a falta de respeito com os telespectadores.
    Os jornalistas fazem da Copa do Mundo, um circo entediante. E se caso o Brasil perca (bate na madeira três vezes) a mesma Globo será a primeira a massacrar os seus deuses do futebol com ácidas críticas.

  2. Comentou em 30/05/2006 Alexandre Carlos Aguiar

    A mídia esportiva brasileira é cômica. Ou fazem demais, ou de menos.
    Na Copa de 1998, todos os jornalistas brasileiros, muito mais torcedores que repórteres, tomaram um drible monumental de Ronaldo e sua convulsão, no jogo final contra a França. Uma autêntica bola nas costas. Boquiabertos, no Estádio do Paris Saint-Germain, não entendiam a escalação surpresa de Edmundo no lugar do Fenômeno, pois, ao invés de fazerem reportagem, estavam todos no estádio esperando a partida que daria ao selecionado nacional (frase deles!) mais uma estrela na camisa. Estão até hoje tentando justificar o vexame com teorias conspiratórias.
    Na Copa seguinte, em 2002, como quase não havia público do lado de cá, pois as coisas aconteciam de madrugada, fizeram os seus turismos habituais.
    Agora, na Copa da Alemanha, vê-se um excesso absurdo de cobertura, com transmissão até de roda de bobinho, com direito a repórter de campo, comentarista e narrador, tudo para não deixar o torcedor na mão.
    Enquanto isso, nas indefectíveis mesas redondas noturnas, um jornalista sai com uma pérola, dizendo que levou muitos livros para ler na Copa. Me poupem!

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